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Dia dos avós

por doinconformismo, em 25.07.18

Hoje é dia dos avós. Uma efeméride recente e que, tal como muitas, poderia ter sido inventada apenas com um fito comercial.

No entanto se procurarmos um pouco, vemos que o dia foi criado nos Estados Unidos em 1978 com o objetivo de sensibilizar as gerações mais jovens para o valor que os seniores têm para a sociedade. A data escolhida em Portugal pode ser discutível, no entanto a sua importância não deve ser minorizada. De facto, se antigamente os chamados anciãos tinham um papel marcante na família e até nas comunidades em que se inseriam, nas últimas décadas têm sido desprezados e até em muitos casos votados ao abandono. A crescente esperança de vida acompanhada das baixas reformas e das alterações na estrutura familiar tem feito o que o egoísmo por si só não teria força para fazer. E assim vamos sabendo de histórias de idosos maltratados e até abusados fisicamente pela própria família, outros impedidos de ver os netos caso não possam contribuir com valores pecuniários avultados, até casos de abandono claro em hospitais e lares.

Parte o coração a qualquer um. Que eles são teimosos, muitas vezes metediços, com tendência a desrespeitar os limites impostos pelos pais e ainda pior quando desautorizam os pais à frente dos netos. Nem sempre são interessados na família e nem sempre ajudam como pensamos que poderiam. Por vezes até estragam. Mas, caramba, são os nossos pais ou os pais da nossa cara-metade. E os nossos filhos precisam deles.

Na prática, a interação entre netos e avós apresenta vários benefícios. Por exemplo, avós na posse da totalidade das suas capacidades mentais que ajudem a educar os netos, ajudam-nos a desenvolver as suas capacidades de sobrevivência. Por outro lado, não só os mais novos beneficiam dos ensinamentos dos mais velhos como os avós acabam por se atualizar e, por isso, estar mais abertos à novidade. Os avós têm também uma grande experiência de vida que vale a pena transmitir aos netos. Adicionalmente, se forem pessoas com fortes valores irão também transmiti-los e enraizá-los no mais profundo das crianças, o que lhes dará um alicerce incomparável para a sua vida futura. É verdade que as crianças aprendem essencialmente por imitação, por isso não serve de nada dizer uma coisa e fazer outra. Mas na convivência frequente, as crianças percebem e apreendem os padrões que regem a vida dos seus avós, replicando-os na sua própria vida. E quem não quer isso?

Eu tive a sorte de ter sempre os meus avós por perto, todos os dias até à maioridade. Primeiro, os avós maternos e mais tarde os paternos. Tenho muitas recordações felizes com eles: brincar com o cabelo do meu avô materno, as batatas fritas especiais da minha avó materna e os mais variados ditados e rimas com aprendizagem para a vida da minha avó paterna. Se calhar os meus alicerces pessoais são tão fortes devido a tudo o que vivi com eles. Até devido às reprimendas, especialmente do meu avô materno quando comecei a comportar-me não tão bem, naqueles anos difíceis da adolescência. Já os meus filhos não vão ter tanta sorte mas eu tento que eles interajam com os avós tantas vezes e por tanto tempo quanto o possível. Eles não sabem isso hoje, e por vezes até nem ligam muito, mas no futuro vão agradecer essa oportunidade.

As pessoas acreditam no que querem acreditar

por doinconformismo, em 10.12.14

É uma quase-lei do universo e não há nada a fazer. Nem abrir a cabeça aos mais cépticos, porque cada um tem o seu sistema de crenças e valores e não mudam só porque há alguém a querer fazê-los ver "a verdade". Mas o que é a verdade ao certo? Números e factos são imutáveis mas podem ser lidos de variadíssimas formas. Por exemplo se dissermos que este mês a taxa de desemprego desceu há quem diga que tal aconteceu pela magnífica ação do governo... e há quem diga que apenas se deve à emigração continuada a que temos assistido.

Acontece assim com tudo na nossa vida. Porque quando olhamos para factos e números não olhamos apenas com o raciocínio mas com ideias pré-concebidas, com um sistema de valores que fomos adquirindo ao longo da vida e até com as necessidades que carregamos no momento. E se é assim com questões objetivas, ainda mais com questões totalmente subjetivas como um jogo de futebol, ou com religião, ou com política. 

Veja-se o caso Marquês que dividiu logo as opiniões. De um lado, uma teoria da conspiração de que este tema foi estrategicamente gerido para estragar a vida ao PS e ao seu secretário-geral. De outro, a magnífica coragem da Justiça em deter um ex-primeiro e o empenho em puni-lo exemplarmente. A verdade, como depressa se descobre, há-de estar algures no meio, entre o célebre ditado de que "onde há fumo há fogo" e a repulsa pelo facto da detenção ter sido "assobiada" a uma cadeia de televisão, e mais um universo inteiro de mini-casos ou de comparações com o Al Capone. 

Claramente, as pessoas acreditam no que querem acreditar, e muitas vezes para provarem a veracidade daquilo em que acreditam omitem ou distorcem factos porque de outra forma não caberiam nas suas teorias. A sorte de todos nós é que ao longo da vida mudamos as nossas crenças, porque adquirimos experiência - e muitas vezes, juízo. A nossa sorte é termos inteligência suficiente para adaptarmos o raciocínio ao que vamos experimentando. A nossa sorte é que, quando vivemos algo que nos marca profundamente, somos capazes de alterar até a nossa perspetiva mais dogmática. E muitas vezes isso significa simplesmente tornarmo-nos mais pessoas.

Mudar de vida

por doinconformismo, em 19.08.13

Conheço pessoas que passaram ao lado de uma grande carreira e hoje consideram ser tarde demais para pensar nisso.

Conheço pessoas que vivem atormentadas com a simples ideia de irem trabalhar, porque simplesmente não gostam do que fazem.

Conheço pessoas que em nome da sobrevivência (que às vezes não é mais que uma capa para a ambição sem limites) põem em causa os seus princípios e valores.

 

Porquê?

 

É verdade que estamos numa época complicada e que não há bons empregos aos montes. Nem sequer empregos mais ou menos aos montes.

É verdade que Portugal não tem história de auto-emprego e que a maior parte de nós prefere trabalhar por conta de outrem do que correr os riscos de ter o seu próprio negócio.

E tudo isso são razões, mas será razão para pormos em causa a nossa felicidade e até os nossos princípios?

Preferimos ter o último smartphone, o último tablet, as roupas das melhores marcas mas vivermos infelizes e não-realizados? Eu não!

 

É claro que não há bela sem senão, nem todos os dias são perfeitos e nem sempre faço o que me apetece, mas de forma geral gosto do que faço, sinto-me realizada, gosto das pessoas com quem trabalho e (considerando como toda a gente que poderia ganhar mais) não me queixo do salário. E no dia em que não for assim, estou fora.

 

Porquê?

Porque trabalhadores competentes, honestos e confiáveis têm sempre lugar em boas organizações. E não quero trocar a minha felicidade e ainda mais a minha boa consciência por qualquer outra coisa menos nobre.

 

Como já cantava o outro: Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar

 

 


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