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Como é que tens tempo para isso tudo? - Parte II

por doinconformismo, em 09.07.18

Dizia eu aqui que não faz sentido dizer "não tenho tempo para isso". O que dizemos com o "não tenho tempo" é, na prática, "não está no topo das minhas prioridades". E é assim que temos que perceber quais são realmente as nossas prioridades.

Comecemos por medir os nossos dias. Não, não estimar. Não é dizer que em média levamos x horas a dormir e tantos minutos a chegar ao trabalho. É mesmo medir e registar, numa folha de papel ou num elaboradíssimo ficheiro de excel. Claramente ao fim de três semanas vamos começar a identificar padrões. Usamos 4 horas diárias a ver tv mas apenas 20 minutos a brincar com os filhos? Não conversamos com o cônjuge mas usamos um bom par de horas a falar ao telefone ou trocar mensagens com os amigos? Voltamos a trabalhar mal acabamos de jantar e às vezes nem jantamos decentemente? Aqui estão as nossas prioridades muitíssimo bem desenhadas. Não adianta dizer que a família é uma prioridade se o trabalho é a nossa companhia nas últimas horas do dia. Não faz sentido dizer que damos prioridade à saúde quando "não temos tempo" para atividades físicas e nem sequer para preparar refeições com alimentos frescos. Assim como não podemos dizer que determinado amigo ou familiar é muito importante para nós se nem um telefonema lhe dirigimos durante meses a fio.

Portanto as nossas verdadeiras prioridades ditam o nosso tempo. É certo que todos temos as mesmas 24 horas no dia mas não as utilizamos da mesma forma. E depois de registarmos a forma como gastamos essas horas, faz sentido perguntarmos porquê. Talvez gastemos 2 horas diárias em deslocação casa-emprego-casa porque privilegiamos o espaço e o sossego vs o rebuliço da cidade e uma casa mais pequena pelo mesmo valor mensal. A verdade é que se não decidirmos como usamos o nosso tempo, alguém vai decidir por nós. Por isso é igualmente tão importante saber recusar  - os convites, as prioridades que os outros tentam empurrar para cima de nós, as atividades que não acrescentam valor ao nosso dia a dia.

E tu, sabes onde gastas o teu tempo e porquê?

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Como é que tens tempo para isso tudo?

por doinconformismo, em 05.06.18

Esta é uma pergunta que muitas pessoas me fazem. Afinal de contas, trabalho não poucas horas diárias, tenho uma casa para cuidar, um marido e dois filhos e ainda duas gatas, mantenho um blog, já escrevi um livro e estou a planear o segundo, escrevo artigos no linkedin (aqui) e ainda arranjo tempo para ser oradora em vários eventos. E muito voluntariado.

É verdade, até cansa só de ler. Até parece que os meus dias são maiores que os das outras pessoas. Mas não são. A questão está em não olhar para o ecossistema em termos de tempo mas de motivação. E é claro, como toda a gente, tenho dias em que não me apetece fazer nada. Mas quando sei que estou a contribuir para algo maior do que eu, que estou a deixar uma marca numa nova geração, que estou a ajudar a mudar o mundo que conheço, então não tenho como olhar para trás ou ficar preguiçosa. É um bocadinho o que se passa com os filhos: sabemos que, tenhamos vontade ou não, temos que lhes dar banho e fazer jantar para eles. Se encararmos os restantes temas como filhos não biológicos, porque saem de nós e levam muito do que somos, então sabemos que temos que os alimentar e cuidar deles caso contrário não sobrevivem.

Então, como é que consigo? Como já escrevi aqui: com muita disciplina. Acima de tudo, aprendi que não faz sentido dizer "não tenho tempo para isso". O que dizemos com o "não tenho tempo" é, na prática, "não está no topo das minhas prioridades". Quando começamos a pensar assim, rapidamente percebemos em que é que estamos a gastar o nosso tempo.

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O tempo é areia nas nossas mãos

por doinconformismo, em 07.05.18

 

g-de-areia.jpg

 

Este sábado fui, como habitualmente, levar o meu filho mais novo à natação, orgulhoso que ele está dos seus progressos.

À mesma hora decorre uma aula de natação de progenitores com os seus bebés. Fiquei com os olhos presos neles. Não me lembro de os meus filhos serem bebés. Sim, claro, olho para as fotos e reconheço-os, lembro-me das noites intermináveis sem dormir, especialmente no caso do mais velho. Mas tenho mesmo que fazer um esforço muito grande para me lembrar de como eram com 2 ou 3 anos. Com aquele cheiro característico e os olhos cheios de inocência.

Ao mesmo tempo o filho mais velho está cheio de testes, precisa de ajuda para estudar, está cansado, quer estar com os amigos… olho para ele e penso que é provável que já não fique no ninho outros tantos anos como até agora… ensiná-lo a voar é agora mais importante que nunca!

Este ano eu e o meu homem celebramos 20 anos de casados. Duas décadas! Na verdade já quase não me lembro dos anos em que éramos apenas dois. Lembro-me que trabalhávamos muito e viajávamos muito. E tínhamos mais cabelo escuro e menos barriga. Mas a energia colocada em cada tarefa e a intensidade com que vivemos a vida é a mesma.

E entretanto o dia da mãe, confesso que até não ligo muito ao dia, só dou importância aos abraços e beijinhos dos meus. E poder ainda dizer à minha mãe o quanto ela é importante para mim. A cada ano que passa mais agradeço a Deus pela minha mãe, pelo facto de ainda a ter ao pé de mim com saúde e juízo na cabeça. Em cada verão fico feliz por podermos ir de férias juntos uns diazinhos, em cada aniversário e cada Natal sei que é um privilégio escasso podermos celebrar juntos, sentir o toque, abraçar.

Há 20 anos parecia-me que ia ser jovem para sempre e ia ter tempo para tudo. Dessa altura, guardo o hábito de encaixar várias coisas no meu já apertado calendário. Hoje vejo que o tempo foge, desaparece simplesmente, como o aroma de um perfume guardado há muito.

Não posso controlar a sua passagem, mas posso controlar o uso que faço dele. Como no caso do dinheiro, tento não o desperdiçar. Como no caso do sabor de uma comida muito boa, tento prolongar os bons momentos e ficar com vívidas memórias. Como no caso de uma obra artística, tento que o meu investimento dê muito fruto em mais vidas além da minha.

Não posso sequer controlar o que vai acontecer nos próximos momentos, mas posso decidir o que fazer agora. E no agora e sempre, escolho fazer a diferença!

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