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Diversidade, cada vez mais

por doinconformismo, em 22.06.18

No início do ano estreei-me a falar sobre a necessidade de criarmos e mantermos diversidade num contexto específico dentro das tecnologias de informação. Já voltei a falar sobre isso várias vezes e até já escrevi um artigo (aqui). E no entanto, quanto mais falo e penso no assunto, mais percebo que ele tem que ser falado. Até incomodar. É verdade que tenho utilizado o chapéu da diversidade de género porque me aflige a quase inexistência de mulheres no meu ramo de atividade. E as dificuldades que se lhes colocam. Mas não deixo de fora a diversidade étnica nem o tema da idade. E sem dúvida sou muito grata porque na minha equipa há isso tudo. E de facto funcionamos muito bem como equipa.

Mas depois olho para outras áreas fora da tecnologia e percebo que os desafios parecem cada vez maiores: coisas "pequenas" como o novo treinador do Sporting opinar que as mulheres nem sequer devem comentar futebol (qual será a reação da equipa campeã de futebol feminino?) e coisas enormes, grandes demais, coisas que nunca deveriam existir, como a separação das crianças das suas famílias que tem ocorrido nas fronteiras dos Estados Unidos.

Vá lá, até as séries mais renomeadas já descobriram as vantagens da diversidade! Mulheres, grupos étnicos, LGBT+, várias gerações. Está tudo lá. E nós no nosso dia a dia não conseguimos viver com isso? Numa era em que inclusivamente se fala de neurodiversidade, em que profissionais com autismo ou síndrome de Asperger são contratados como data scientists pois já se percebeu o valor que acrescentam, ainda há empresas e países inteiros que não conseguem amadurecer para lá do estereótipo do homem branco. É assustador pensar que em vez de estarmos a progredir, estamos neste caso a regredir mais de 100 anos.

E a Hungria, já se esqueceu de quando famílias inteiras emigraram ilegalmente para fugirem da guerra, ainda nem há 70 anos? como é possível agora aprovar uma lei que criminaliza quem ajudar emigrantes ilegais, nem que seja com comida?

Eu sei que escrevo sobre assuntos incómodos mas podemos pensar ao menos desta vez? Até a McKinsey publicou um estudo no início deste ano em que demonstra que as empresas que se encontram no quartil superior em termos de diversidade étnica e de género tendem a apresentar lucros superiores à média até 32%. Podemos empiricamente dizer que a diversidade multiplica a riqueza de interações, de soluções, de conhecimento. Mas este estudo vem demonstrá-lo preto no branco, perdoem-me a ironia.

Se olharmos para a natureza, vemos também que a diversidade é a chave para a conservação e evolução das espécies. Não é à toa que por exemplo as abelhas cruzam o pólen de várias espécies de flores. E nós não conseguimos sequer conviver com quem é diferente ou tem ideias diferentes das nossas?

Agora, porque será que o presidente Trump voltou atrás nesta decisão? Se tivéssemos ficado todos caladinhos claramente isso não teria acontecido. Se passarmos uma vida inteira sem fazer ouvir a nossa voz não nos podemos queixar por as coisas não acontecerem como queremos. Eu sei que estamos em pleno Mundial, e mais uma vez hoje percebemos porque é que o Cristiano é que é o melhor do mundo, e amanhã até há AG do Sporting e tudo mas o mundo precisa que façamos ouvir a nossa voz. A bem do futuro das próximas gerações.

O Natal, o ano novo e outras coisas do género

por doinconformismo, em 03.01.14

É Natal e a azáfama é grande. O trânsito caótico, gente que corre para todo o lado tratando de compras, presentes, festas, e tantas outras coisas.

É Natal e pus-me aqui a pensar que Deus mandou o Seu Filho nascer como homem para salvar uma humanidade perdida, mas a humanidade que eu conheço, 2.000 anos depois, parece escolher continuar perdida porque encontra todos os subterfúgios para não enfrentar a realidade, no Natal como na vida.

 

Comecemos pelo Natal. É o aniversário do bebé Jesus, mas que fazem as pessoas? Transformam-no na festa "da família", na festa "para as crianças", enchem os dias com uma demanda interminável por presentes, comidas, e tantas outras coisas para que a festa seja "em grande" quando na realidade o espaço que Deus ocupa nela é bem pequeno, para não dizer inexistente. 

 

Tal e qual como na vida. Como é possível que as pessoas assistam a reality shows de toda a ordem mas não sejam capazes de tomar conta da sua própria vida? Trocam a sua vida real por cenas televisivas e passam pela vida adormecidos. Ou passam a vida toda à espera que caia um raio cósmico que mude alguma coisa por artes mágicas. Vamos lá a acordar: isso não vai acontecer! Vamos nós tomar as decisões sobre a nossa vida em vez de ficarmos à espera que alguém o faça! Ok?

 

E depois, o ano novo. E todas as resoluções que vêm com ele, que são invariavelmente as mesmas porque ao fim de 3 meses já não estão a ser perseguidas e para o ano "é que é" - mais ou menos como o sporting... E aí começam as desculpas: a crise, a falta de tempo, a vida que não deixa.... e se em vez de resoluções utópicas em catadupa tivéssemos uma única decisão, na qual nos pudéssemos focar? Porque não vale a pena andarmos com ilusões: perder peso, poupar dinheiro e trabalhar menos são mudanças pesadas e que provavelmente só se conseguem fazer uma de cada vez.

 

E chegado o dia de Reis acabou tudo (provavelmente as resoluções de ano novo também) e lá continuamos com a vidinha de sempre, com os reality shows de sempre, com os problemas de sempre e com as desculpas de sempre! É talvez por isso que nos deixamos (des)governar por uns quaisquer, e não falo apenas do governo ou do presidente da república, a todos os níveis e em todos os lugares se observa isto!

 

Isso não é para mim. E não devia ser para ninguém. Por isso uma boa resolução este ano poderia ser ver menos a vida dos outros e exigir mais dos que estão em posição de liderança. Que tal?


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