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Todos somos Éder

por doinconformismo, em 11.07.16

Confesso que não me entusiasmo rapidamente com as competições da seleção portuguesa. Não desde 2004, talvez pelo sofrimento atroz que não me sai da memória.

A qualificação começa e eu vou vendo os resultados, devagarinho, e não abro a boca até ao final da fase de grupos. Ainda me lembro bem do que aconteceu no último Mundial, por isso este ano fui mesmo devagarinho.

Também não adoro o sistema de jogo do Engenheiro Fernando Santos, por isso não fiz questão de ver Portugal jogar, mas desde logo admirei este selecionador pela impecável qualificação. Desde que me lembro, esta foi a primeira vez em que não tivémos que fazer contas!

Na fase de grupos vi todos os jogos. E sofri em silêncio. E observei as reações. As reações de um povo habituado a desprezar o que é nacional, habituado a fazer-se pequenino, a procurar a aprovação dos grandes deste mundo. E à medida que a seleção ia progredindo na competição, também alguns comentários se iam repetindo. O facto de o público não apoiar o único ponta de lança convocado foi um deles. A falta de convicção dos portugueses, de que estávamos ali por acaso e que nem conseguíamos vencer um jogo dentro dos 90 minutos regulamentares. Que nunca conseguiremos vencer uma competição deste gabarito, pois somos pequenos demais.

E lá chegámos à final, na opinião de alguns sem saber como, na opinião dos principais oponentes sem sequer ter o direito de estar ali. Debaixo de acusações de termos um futebol nauseante, de baixo nível, E a nossa estrela, que é o Melhor do Mundo e só por isso tem todo o direito de estar num campeonato de apenas um dos cinco continentes, lesiona-se logo no início. Agora é que estamos perdidos, logo agora que tínhamos a certeza que íamos ganhar. Mas a primeira parte passou-se sem sofrermos golos. Aos 72 minutos, momento em que nas meias finais a França já tinha enfiado duas vezes a bola na baliza da Alemanha, ali estávamos invictos. Apesar da equipa de arbitragem. Final do segundo tempo e nada. Vamos a prolongamento. Última substituição quem é que entra? O Éder? Mas o que é que este homem tem na cabeça? Olha, é golo! É GOLO! É GOOOOOOOOOOOOOLO! Somos campeões! Somos Éder!!

Somos capazes de passar uma noite acordados a fazer a festa, já fazemos peitaça para os franceses, olhamos quase incrédulos para as celebrações com um mar de gente nos cinco continentes. Que importa se a Torre Eiffel não mostra as nossas cores? A França está apenas a descobrir as suas fragilidades. Que interessa hoje alguns jornais dizerem que o futebol praticado foi mau? A azia tem destas coisas.

Hoje estamos unidos, somos um só, cantamos Portugal a uma só voz. Hoje voltamos a demonstrar que somos um povo humilde mas mui nobre, capaz de se sacrificar em favor dos outros, capaz de se adaptar ao meio envolvente e de o modificar. É dessa fibra que somos feitos, fazemos o melhor com o (não tão) pouco que temos e ensinamos as restantes nações. No passado demos novos mundos ao mundo através dos descobrimentos e colonização. Hoje continuamos a fazê-lo com elevada qualidade seja no futebol, no atletismo que tantas alegrias nos deu ontem também, na tecnologia em que até fornecemos componentes para a NASA, em serviços que prestamos para todo o mundo, na investigação científica e tantos outros mundos que hoje compõem o nosso mundo.

Neste retângulo pequenino e suas pequenas ilhas podemos ser 11 milhões mas pelo mundo fora somos muito mais que isso. Impusémos respeito em toda a Europa. Está mais que na hora de sermos os primeiros a respeitar-nos também.

Ainda sobre a PT

por doinconformismo, em 18.10.14

Agradeço a todos os que me incentivaram de alguma forma quando escrevi sobre a PT (no post abaixo deste). A todos quero dizer: a PT continua a ser uma grande empresa. Toda a inovação, toda a inteligência, toda a qualidade e capacidade dos quadros da empresa não desapareceu como num toque de mágica aquando da saída de notícias bombásticas ou sequer aquando da saída do então presidente da Oi, Zeinal Bava.

Sabemos o que fazemos, hoje como no mês passado, e continuamos a ser uma das maiores empresas em Portugal. É certo que a empresa hoje lida com uma situação de tesouraria diferente e tem que encontrar soluções para colmatar essas lacunas. Mas esse facto não retira inteligência, capacidade ou sequer vontade de fazer bem e nos superarmos vez após vez. E porquê?

Porque esta é a nossa empresa. É aqui que diariamente empenhamos o nosso esforço, a nossa capacidade intelectual e até emocional, o resultado daquilo que somos. E não recebemos apenas o salário ao fim do mês, mas recebemos também oportunidades de aprender, de crescer, de fazer amizades, de conhecer pessoas diferentes e até, para quem quiser abraçar projetos de solidariedade através da Fundação PT, de ajudar os outros e melhorar a vida dos outros à nossa volta. A PT é um mundo, é o nosso mundo. E não são notícias ou artigos de opinião que pretendem desfazer a projeção da empresa que nos deitam abaixo, nem sequer contos do bicho-papão que nos vai comprar, perdão, comer.

A PT continua a ter um EBITDA impressionante, continua a ter ativos valiosíssimos e a valer muitos mil milhões de euros. Não pensem por isso que a PT está morta ou sequer que caiu no tapete por knock-out. Continuamos a ter o respeito dos concorrentes e a gana que nos caracteriza e que nos permitiu estar sempre à frente do futuro, seja quando passámos da telefonia fixa para a banda larga, desta para a telefonia móvel, para a TV, para a fibra e para o LTE. Já não é a primeira vez que passamos por tempos difíceis (sim, reconheço que desta vez é diferente, mas posso enumerar quantas vezes no passado dissemos o mesmo e acabámos por nos sair bem) e por isso estamos cá para lutar, avançar e mostrar a fibra de que somos feitos.

Engane-se quem pensa que já ficámos para trás. Somos capazes de nos reinventar a cada dia e vamos mostrar isso mesmo.


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