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As coisas que se pensam num quarto de hotel

por doinconformismo, em 15.02.14

Estou em trabalho no Rio. Durante a semana não dá para ir à praia nem para ir passear nem sequer para ir às compras porque trabalho é isso mesmo: trabalho. 

Saímos logo de manhãzinha, estamos às 9h no escritório, saímos depois das 20h ou 21h e ainda tentamos falar com a família e ver-lhes a cara, e então, finalmente, vamos comer qualquer coisa. Chegamos ao quarto mais mortos que vivos, perto da meia noite e no dia seguinte tudo se repete. Hoje nem tivemos tempo para almoçar, e uma alma caridosa trouxe-nos 2 pacotes de bolachas, que a dividir por 8 ou 9 foi... pouco.

 

O meu quarto é pequeno. Limpo, simpático, mas pequeno. Claro que para o tempo que eu passo lá é suficiente. E sendo pequeno há pouco para contemplar quando me deito. Além de que os pensamentos vêm em catadupas começando, é claro, pela família. Como será que eles estão? como têm sido estes dias além daquilo que se vê? Mas rapidamente chego a outros pontos, outros lugares: Como será a vida daqueles que passam semanas a sair ao domingo à noite e a regressar à 6ª ou sábado? Como será que se gere uma família a sair aos 3 meses de cada vez? Será que um dia, o lugar para onde vão, aquele quarto de hotel que pode bem ser o mesmo, repetidamente, não acaba por parecer a sua casa? Será que ao fim de tanto tempo não saberão melhor onde estão as manchas e desenhos das paredes do quarto do que os nomes dos amigos dos filhos?

 

Infelizmente esta é a realidade de tanta gente hoje. O que será que cada um guarda no seu coração? Claro que todos somos animais de hábitos, e todos fazemos o que acreditamos que temos que fazer para sobreviver ou para viver melhor. Mas a certa altura as saudades acumuladas decerto dão lugar a outro tipo de sentimentos, quais serão eles? A ilusão de que está tudo bem? A certeza de que não tem outro jeito? A desesperança por dias melhores? 

 

Hoje é dia dos namorados em Portugal, um dia a que não dou uma importância especial. Mas já falhei dias de aniversário por estar fora em trabalho. Foi um dia, e comemorámos depois. Mas quem passa a vida fora, como faz? E quem vai para um local diferente a cada semana? Como é que isto se gere e qual é o limite? A minha realidade é tranquila, muito tranquila, em comparação com o que aqui descrevo. Mas quem não consegue estar em casa mais do que um punhado de dias em cada mês, se tanto, como é que faz? Onde é que isto pára, qual é o limite?

 

Hoje é dia dos namorados em todo o lado menos no Brasil, e eu aqui no meu quarto de hotel a pensar nestas coisas...

 

Grata!

por doinconformismo, em 25.01.14

É meia noite e estou no escritório a trabalhar. É meia noite e estou a pensar o quão afortunada sou pelo emprego que tenho, pela família que tenho, pela vida que tenho. Não há palavras para descrever a minha gratidão àquele que governa o universo pelo amor que me tem e pela vida que me destinou.

Sempre trabalhei mais do que o meu horário dizia. Sempre. Nos primeiros anos, enquanto estudava, depois disso noites e fins de semana usados no escritório e nas empresas clientes da consultora onde trabalhava. Depois disso, num ambiente espetacular como sei que não vou voltar a encontrar em lado nenhum, numa empresa bem portuguesa e com profissionais de tão bom calibre que não voltei a encontrar tanta competência em tão pequeno espaço. E depois disso, num grande grupo económico português onde já passei por 3 empresas, sempre a aprender, sempre a fazer projetos irrepetíveis, sempre com a noção de que ajudei a fazer história.

 

Sou uma privilegiada. Em vários aspetos, não só no emprego. Por exemplo na família. Na paciência do meu marido para com uma workaholic pouco confessa. Nos filhos maravilhosos que temos. Nos amigos que são família também. Nos filhos dos amigos que são família dos meus filhos. Naqueles que se não têm novidades nossas ligam e insistem para saber se está tudo bem. Nos conhecidos que são quase amigos, dada a cumplicidade e camaradagem gerada.

Sou uma privilegiada. E muito grata por sê-lo. 


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