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Darwin estava tão enganado

por doinconformismo, em 26.08.16

Todos nós recordamos com saudade experiências passadas em que fomos realmente felizes. Pessoas, realizações, um sentimento de pertença que nos colocou nos picos do universo e mais além. Algumas destas situações até passaram despercebidas até terminarem e percebermos que éramos realmente felizes, mesmo sem o sabermos.

No entanto a nossa natureza humana não lida bem com mudanças. Especialmente quando o que nos faz felizes nos é retirado e um novo quadro se apresenta, em vez de o explorarmos tentando identificar de que forma pode ser benéfico e até trazer evoluções, queremos de volta as pessoas e situações bem conhecidas e com as quais nos sentíamos à vontade e confortáveis. Lutamos com todas as forças para voltar atrás e depois de muito tentar, passamos à fase seguinte: tentar encaixar a nova realidade nos moldes da antiga, para que assuma o mesmo formato tão nosso conhecido.

Mas, como bem sabemos lá no fundo do nosso pensar, não vai acontecer. A nova realidade traz consigo novos moldes e somos nós que temos que nos reformatar, que nos reinventar sob pena de ficarmos presos no passado. E todos sabemos que esse é meio caminho andado para nos perdermos no nosso próprio caminho. Todos os dias ouvimos pessoas queixarem-se de que "no tempo do X é que era bom, estes agora não sabem de nada" ou "há 3 décadas via pessoas comprometidas, agora ninguém quer saber", esquecendo-se que os tempos são diferentes, as exigências são diferentes e a própria reação humana não pode ser medida exclusivamente da sua manifestação exterior.

Estas pessoas, se não deixarem ir tudo o que já viveram, se não pararem de comparar o que era com o que é agora, arriscam-se a não serem felizes de novo. Simplesmente porque se sentam esperando por tempos que não vão voltar. Felizes são aqueles que apesar da dor da perda, apesar da tristeza, procuram na nova realidade a sua motivação, nos novos moldes a forma de se adaptarem e irem mais além. Felizes os que sabem efetivamente transformar cada contratempo, cada obstáculo, numa oportunidade, numa vitória.

Por isso, caro Dr. Charles Darwin, lamento dizer-lhe que estava errado: não é o mais forte que sobrevive, pois os fortes podem ficar presos no passado. Os que se adaptam mais rapidamente, esses sim, sobrevivem. E até correm o risco de serem felizes novamente!

Desânimo take 3

por doinconformismo, em 15.07.14

Por todo o lado se vê que as pessoas não estão felizes. É o emprego, são os impostos, são as políticas e acima de tudo a falta de oportunidades. Não estão felizes mas continuam a fazer a sua vidinha, continuam a seguir o seu caminho, como se nada fosse. E apenas quando paramos um bocadinho reparamos nas caras franzidas, na ausência de um sorriso que já se tornou um hábito, nos sinais evidentes de que não estão bem. As pessoas não estão bem.

Para esta discussão não importa se as expectativas foram demasiado elevadas e consequentemente goradas, ou se de facto vivemos acima das possibilidades, ou até se tínhamos mesmo que passar por isto porque todos sabem que para todo o yin há um yang. É importante perceber porque e como chegámos até aqui, mas mais importante que isso é perceber como podemos sair daqui.

 

Em primeiro lugar, a forma como nos vemos. Já trabalhei em vários países e com pessoas com diversas nacionalidades, o suficiente para saber que show-off há em todo o lado e que quem faça uma grande figura sem resultados a acompanhar, também. E que as pessoas são capazes de ficar cegas por um bom discurso e resultados zero, ainda mais. Mesmo pessoas inteligentes, que pensávamos nós não se deixariam enganar. Mas já vi que os nossos profissionais "razoáveis" são capazes de dar cartas em eventualmente qualquer lugar do mundo e por isso é urgente que nos tenhamos em melhor consideração.

 

Em segundo lugar, acabar com a filosofia "go with the flow". Tudo bem, não vamos andar a criar novas correntes de pensamento a cada 5 minutos, mas temos que nos habituar a pensar pela nossa própria cabeça. Essa coisa magnífica chamada cérebro, que Hercule Poirot denomina como "tze little grey cellz", não pode ser atulha com reality shows e futebolada, sob pena de ficar dormente e inoperável para sempre. Ao contrário, deve ser utilizado, estimulado com informação pertinente e com exercícios de raciocínio que podem começar por simples tabuada e depois evoluindo, por exemplo, com um plano de como vamos adaptar a vida à nova realidade.

 

E acima de tudo as companhias. Os amigos, os amores. São quem nos ajuda a superar tudo, são quem nos faz ser gratos a cada dia, são quem nos faz ver os raios de sol mais brilhantes e as flores mais bonitas. Porque isso está tudo lá! Não faz sentido que estejamos num país tão solarengo e sejamos tão tristonhos! E muito menos faz sentido que o nosso orgulho não nos deixe procurar apoio nos amigos, aqueles que gostam sinceramente de nós e que estão lá para nós quer chova quer faça sol.

 

Sou grata pelos meus amigos e pelos meus amores, pois sem eles eu não seria capaz de sorrir todos os dias! Os amigos verdadeiros e verdadeiramente disponíveis são o antídoto perfeito contra o desânimo!


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