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Do desânimo e vontade de desistir

por doinconformismo, em 19.03.18

Todos sentimos vontade de desistir, por maior que seja o sentido de missão que nos move.

Aliás, quanto maior o sentido de missão e maior a visibilidade do que fazemos, maior a frustração associada ao que não corre bem, aos erros que se cometem – e sim, somos humanos, logo cometemos erros. Todos os dias. Maior a quantidade de críticas e até de ameaças.

Nessa altura pomo-nos a pensar que não vale a pena tanto sacrifício se há sempre algo que fica por fazer, que corre mal e que parece ser infinitamente pior do que tudo de bom que acabámos de alcançar. Se há sempre alguém que fica ferido no caminho, por mais que nos esforcemos, porquê perder tempo e esforço? Especialmente quando é o nosso tempo, o nosso esforço que estão em causa. Especialmente quando se trata de trabalho voluntário e poderíamos estar a fazer outras coisas, porventura tão recompensadoras e menos arriscadas.

E é aqui que se instalam o cansaço, a tristeza, a vontade de desistir. Até o medo, por vezes. Sim, medo. De falhar, de não ser aceite, de não ser amado, medo do próprio medo. E desânimo. E é aqui que me lembro do profeta Elias. Quantas vezes não terá ele experimentado medo mesmo à séria? Quantas vezes não terá ele ficado desalentado e com vontade de desistir de tudo?

E porque é que eu me lembro de Elias e não de Steve Jobs, por exemplo? Porque este último pode ter feito aparecer uma experiência de utilização da tecnologia totalmente nova, mas Elias fez algo que ainda hoje é muito difícil ou até impossível de copiar: disse que não ia chover durante três anos e não choveu, depois disse que ia chover e choveu. E o melhor de tudo: fez cair fogo do céu!  Elias era claramente um grande profeta e o que fazia as coisas com mais espetacularidade. Ele conhecia bem Deus e nem isso o impediu de sentir medo à séria, e desânimo. 

Aliás o desânimo era tanto que ele chegou a pedir a morte (1 Reis 19:4). Como é que é possível, num minuto está a perseguir os falsos profetas e no outro está a fugir e a pedir que Deus o mate? Na verdade o que ele queria mesmo era que tudo terminasse, para não sofrer mais nem fazer os outros sofrer. É familiar? Mas também podemos aprender com o resto da história: Deus não lhe responde nem entra em argumentos com ele. Deixa-o dormir, alimenta-o, fortalece-o e manda-o de volta mas sem antes lhe mostrar algo: o seu verdadeiro lugar. Para isso apenas repete a pergunta: “Elias, o que estás aqui a fazer?”

A verdade é que todos pertencemos a algum lugar, todos temos um papel a desempenhar. Muitas vezes queremos apenas fugir, mandar os problemas para trás das costas, e para isso fugimos do lugar onde estamos apenas para um lugar onde ouvimos a nossa vozinha interior nos perguntar: “o que estás aqui a fazer?”

Mesmo quando sabemos qual o nosso papel e o nosso lugar na sociedade, ainda assim não estamos livres de nos sentirmos com medo, desanimados, injustiçados e com vontade de desistir. O que há a fazer nesses momentos não é fugir, não é atribuir culpas a outros, é descansar. Fortalecermo-nos, relembrarmo-nos do que sabemos ser o nosso destino, o nosso objetivo. Recorrermos a quem nos ama para nos ajudar – ouvir-nos sem argumentar, fazer as perguntas certas para nos ajudar a pensar. Até que estejamos em condições de fazer o caminho de volta para o nosso verdadeiro lugar, aquele lugar onde podemos continuar a fazer a diferença com maior espetacularidade ou em pleno anonimato.

Permite-me que te pergunte hoje “O que estás aqui a fazer?”

Será que aprendemos com os erros?

por doinconformismo, em 26.08.13

Hoje pediram-me para escrever sobre este tema (uau, com duas semanas de blog e já tenho um programa de discos pedidos!): Será que somos capazes de efetivamente aprender com os erros ou limitamo-nos a perpetuá-los?

 

Dizem que uma pessoa inteligente aprende com os seus próprios erros, e que uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros. Tendo a concordar. Mas e quando estamos a falar de grupos, organizações e até nações? Porque razão se diz que a história se repete, que o povo tem memória curta e tudo o mais?

 

Aprender individualmente ou num grupo pequeno dá trabalho, mas é possível. Cometemos um erro, analisamos onde falhámos e de que forma podíamos fazer diferente, extrapolamos para o que fazer da próxima vez e já está. Se queremos aprender com os erros dos outros dá ainda mais trabalho - obriga a observação incessante e análise constante.

 

E quando a dimensão cresce? como podemos disseminar as conclusões por todos, ou como podemos combater a tentação de pôr a culpa no vizinho do lado, ou até como perceber se o que está a ser comunicado é o resultado da análise pura e dura dos acontecimentos ou se é uma tentativa de alguém para se usar ou sobrepor a outro alguém?

 

Se os seres humanos são capazes de aprender com os erros, as organizações sejam quais forem (um grupo de amigos ou com interesses comuns, uma família, uma empresa) também deverão ser. Mas para isso tem que haver vontade e mecanismos que passem aos outros essa informação. E aí Portugal está francamente atrasado.

 

Primeiro, no assumir dos erros. Nós Portugueses não gostamos de assumir as responsabilidades, de dizer que errámos, não nos está no sangue. Se não o assumimos, como podemos analisá-lo? E pior, como podemos passar essa informação para que outros não cometam os mesmos erros?

 

E se não se assume os erros, como é possível criar mecanismos de prevenção? Pois, não é. E é por isso que vemos tantas vezes homens e mulheres inteligentes a cometer erros uma e outra e ainda outra vez.

 

Mudar mentalidades precisa-se.


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