Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Esta madrugada mudámos para o horário de verão. Já sei que posso contar com uma semana de jet lag à conta disso, mas sabe bem ver anoitecer mais tarde. E ver toda a natureza a anunciar a primavera. Há uma semana que dei pela chegada dela. Distraída como sou admito que todos os sinais já cá estivessem antes mas esta semana para mim foi especial, desde a saudação de um melro num destes dias logo de manhã ao sair de casa, ou uns amenos raios de sol no meio de todos estes dias de chuva.

Sabe bem. Especialmente em tempos de muito trabalho, muita preocupação. Como se a natureza dissesse: “sei que não está a ser fácil, mas relaxa, aqui estão umas surpresas para desfrutares”. E dia 20 chegou então oficialmente a estação em que tudo parece se renovar. E logo de seguida o aniversário do benjamim da família, 6 anos de animação e pilhas Duracell.

Se o primogénito me ensinou a ser algo que eu não sabia ser, nem alguma vez achei que a maternidade fosse para mim, este menino cheio de mimo mostrou-me que o amor não se divide quando nasce mais um filho, simplesmente cresce até já não caber no coração e fá-lo crescer também. E de que maneira!!

Portanto, aqui estamos nós no limiar de uma mudança de idade: o “pequenino” a ir para a primária, o “grande” a chegar à adolescência plena. Os pais deles a babarem-se sempre que veem um bebé. Longe vão os tempos das fraldas e das papas e no entanto nunca nos sentimos tão cansados como agora. Nunca tão assoberbados com preocupações. Nunca tão requisitados a fazer um esforço extra que por vezes acaba depois no lixo sem sequer ter visto a luz do dia.

Também aqui está na altura de mudar. Fazer o esforço onde seja eficaz, onde haja realmente diferença. Não se trata de reconhecimento (pronto, vá, um bocadinho também) mas essencialmente de não haver esforço inglório. É que passar meses no sobre-esforço faz-nos cansar de tudo rapidamente. Se somos requisitados para dar o nosso melhor a cada momento, sem folgas e sem descanso, que seja para inspirar, crescer. Para fazer o mundo avançar. Até para isso acontecer, é preciso mudar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O medo

por doinconformismo, em 12.10.13

(Ando a escrever e re-escrever este post há uma semana, tem-me feito refletir e tem-me dado luta!)

 

O medo é, quanto a mim, o maior inimigo da humanidade.

Na infância há o medo de ficar sem os pais, medo do escuro, medo dos monstros que estão no armário. A adolescência traz medos muito mais perigosos: medo de não sermos aceites, medo de sermos gozados, medo de não sermos normais (como se isso existisse!)

Chegamos à idade adulta e muitos mais medos nos assaltam: medo de não termos meios de subsistência, medo de falhar, medo de tanta coisa!

 

O medo tolda o raciocínio, coloca-nos num colete de forças ou numa moldura que não foi feita para as nossas dimensões. Há quem passe a vida inteira sem andar de avião com medo de cair, há quem não faça A com medo de que aconteça B, há quem cumpra estranhos e longos rituais diários com medo de que a vida lhe corra mal se assim não for. Conheço quem, com medo do que possa acontecer no futuro, se desdobre em múltiplas intervenções (em alguns casos demonstrando que estar quieto seria melhor opção), e quem não faça agora para não ser repreendido mais tarde.

 

É verdade que o que vai acontecer no futuro é em boa parte resultado das nossas ações (ou não ações no presente), mas uma coisa é sabermos isso e tentarmos tomar boas decisões, outra completamente diferente é levarmos ao extremo a preocupação e tentativa de controlo de coisas que são maiores que nós e cujo controlo não está e nunca estará nas nossas mãos, mas sim nas mãos invisíveis que mantêm o universo a funcionar.

 

Ontem ao ver o filme "Depois da Terra" vi o Will Smith dizer que o perigo existe e não é ilusório mas o medo só existe quando as pessoas estão demasiado preocupadas com o futuro em vez de viverem o presente. E é mesmo assim. Hoje em dia corremos pelos nossos dias com a cabeça virada para o futuro. Não paramos para saborear as coisas boas da vida, não paramos sequer para usufruir do maravilhoso país que temos, a luz do sol e tantas outras coisas. Porquê? Porque temos que ter, temos que chegar, temos que mostrar para logo a seguir ter mais, chegar mais, mostrar mais.

 

O medo estraga-nos as vidas. Por isso, em vez de tentarmos controlar o que não está na nossa mão, que tal escolhermos hoje não ter medo?

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever newsletter



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D