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A melhor maneira de passar uma mensagem

por doinconformismo, em 16.04.18

Tenho aprendido ultimamente que a melhor maneira de fazer a nossa mensagem passar para quem a ouve é contando uma história. A NOSSA história. A mensagem pode ser poderosíssima mas se não lhe adicionarmos a nossa experiência, o nosso ponto de vista, no fundo a razão porque nos parece tão importante estarmos a falar deste tema em particular, tudo vai cheirar a plástico, a fabricado. Vai soar a oco e não vai passar.

 

Pior do que isso, é inventarmos, falarmos do que não vivemos, do que não nos toca. As pessoas até podem ser atraídas por algum brilho mas assim que perceberem que lhes estão a impingir pechisbeque como se fosse ouro, rapidamente vão virar as costas.

 

E no entanto cada um de nós tem ouro para oferecer: a nossa experiência, o nosso conhecimento, a nossa perspetiva única de encarar o mundo. Só temos de tomar coragem e enfrentar o mundo!

 

Quer chamar a atenção de alguém para a sua mensagem? Conte uma história!

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Da Esperança

por doinconformismo, em 08.04.18

Este fim de semana juntou mais de 25.000 cristãos evangélicos no Campo Pequeno num evento denominado Festival da Esperança . Foi um tempo com um cariz marcadamente evangelístico, mas que serviu também para demonstrar mais uma vez que o povo de Deus é capaz de colocar as diferenças de lado e proclamar a uma só voz o nome de Deus. Neste caso, que há esperança em Deus.

É provável que quem não acredita em Deus pense que para quem acredita é fácil ter esperança. Afinal, se estas pessoas já são capazes de acreditar em alguém que nunca viram, um dos resultados dessa fé deve ser esperança.

No entanto o que eu tenho observado é que tanto há crentes desesperançados como ateus cheios de esperança e capazes inclusivamente de a transmitir aos outros.

E não poderia concordar mais. Afinal de contas, temos muitas razões para acreditar num futuro melhor apesar do que os media nos querem fazer crer:

1. Nunca vivemos uma época tão segura como agora. No mundo inteiro. Apesar dos relatos diários de guerra, morrem muito menos pessoas agora por esta razão do que em alguma outra época da história da humanidade.

2. Se falarmos de crimes e assassinatos, ainda mais, especialmente em Portugal, que apesar das notícias recentes é um dos países mais seguros do mundo.

3. A esperança média de vida nunca foi tão alta e a mortalidade infantil tão baixa. Apesar das novas doenças que aparecem, as novas curas e descobertas de tratamentos vão avançando rapidamente.

4. A qualidade de vida é altíssima, especialmente nos países ocidentais mas também se encontra em crescimento acelerado em países em desenvolvimento.

5. Os jovens desta geração são os melhor preparados de sempre para o mercado de trabalho e, ao contrário do que acontecia até há bem pouco tempo, neste momento o mercado também procura a experiência dos seniores.

6. Cada vez há mais igualdade de oportunidades, de género, raça e credo. O que só por si traz uma riqueza incontornável na resolução de problemas mas também na própria geração de valor por parte das empresas que acarinham esta diversidade.

Poderia continuar com uma lista infindável mas creio que já perceberam o meu ponto. Para mais informações e estatisticas em Portugal e na Europa, aconselho-vos a consultarem o portal Pordata.

E digam lá, olhando para estes pontos, se vale ou não a pena ter esperança?

 

 

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Legado parte II

por doinconformismo, em 31.03.18

Prometi aqui  que iria partilhar a forma como comecei a estruturar o plano do que aprendi. Especialmente do que aprendi (tomando posse de uma das mais famosas expressões de Churchill) com sangue, suor e lágrimas.

Pois bem, o facto de estar a chegar a cerca de metade da minha vida e ter tanta coisa cá dentro que pede para ser verbalizada levou-me a pensar como o poderia fazer, bem como poderia MEDIR se o que estava a fazer serviria para alguma coisa.

Para isso, comecei por pensar no que é que realmente sei fazer. Tá bem que não canto mal e tenho uma paixão imensa por gerir equipas e desenvolver pessoas, mas aquilo que faço realmente bem e que é para mim um dado adquirido, natural, é escrever e falar em público. O que pode ser uma conclusão óbvia para quem me conhece mas para mim teve que ser resultado de um processo de auto-conhecimento, não tanto pela identificação do que ficaria no âmbito mas do que teria que ser descartado.

Então ok, escrever e falar em público. Já escrevi um livro de poemas, tenho planos para em breve escrever um livro sobre mulheres. Falo em público mais ou menos frequentemente, seja como moderadora ou enttrevistadora, seja como oradora em temas tão diversos como gestão, igualdade de género, Deus, DevOps... Qual deverá ser então o meu públcio-alvo? E com que conteúdo?

Confesso que este foi o maior desafio na construção do plano: a quem é que eu quero chegar? Até que percebi: deverei chegar a inconformistas como eu, pessoas determinadas a mudar o seu mundo. Não têm que ser muitas pessoas, têm que ser pessoas que pensam e sentem necessidade de mudança. Que eu possa ser mais um motor de inspiração para cada um ir lá para fora transformar vidas.

E que canais deverei utilizar e com que frequência? Aqui cruza-se tudo o que hoje está à nossa disposição, com a disponibilidade e com a necessidade de manter um certo nível de qualidade do conteúdo. Portanto, a minha primeira decisão foi reativar este blog, com pelo menos um artigo semanal, sobre temas de ordem geral: princípios, valores, questões de vida, etc. Comecei também a escrever artigos mais técnicos, em inglês, no Linkedin. Dois artigos aqui e aqui. E pelo menos uma talk trimestral. 

E por fim, as métricas. Visitas, subscritores, favoritos, page viewslikes, e acima de tudo os comentários - o que me dizem? E, claro, o número de presenças nas talks

Agora que cheguei até aqui, há que imaginar o futuro. Como quero que tudo isto seja daqui a um ano, três, dez? E o que preciso de fazer para lá chegar?

Porque uma coisa é certa: se eu não o fizer, mesmo que necessariamente retirando este tempo do meu tempo de lazer, ninguém o fará por mim. E os resultados não se alcançam sozinhos...

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Esta madrugada mudámos para o horário de verão. Já sei que posso contar com uma semana de jet lag à conta disso, mas sabe bem ver anoitecer mais tarde. E ver toda a natureza a anunciar a primavera. Há uma semana que dei pela chegada dela. Distraída como sou admito que todos os sinais já cá estivessem antes mas esta semana para mim foi especial, desde a saudação de um melro num destes dias logo de manhã ao sair de casa, ou uns amenos raios de sol no meio de todos estes dias de chuva.

Sabe bem. Especialmente em tempos de muito trabalho, muita preocupação. Como se a natureza dissesse: “sei que não está a ser fácil, mas relaxa, aqui estão umas surpresas para desfrutares”. E dia 20 chegou então oficialmente a estação em que tudo parece se renovar. E logo de seguida o aniversário do benjamim da família, 6 anos de animação e pilhas Duracell.

Se o primogénito me ensinou a ser algo que eu não sabia ser, nem alguma vez achei que a maternidade fosse para mim, este menino cheio de mimo mostrou-me que o amor não se divide quando nasce mais um filho, simplesmente cresce até já não caber no coração e fá-lo crescer também. E de que maneira!!

Portanto, aqui estamos nós no limiar de uma mudança de idade: o “pequenino” a ir para a primária, o “grande” a chegar à adolescência plena. Os pais deles a babarem-se sempre que veem um bebé. Longe vão os tempos das fraldas e das papas e no entanto nunca nos sentimos tão cansados como agora. Nunca tão assoberbados com preocupações. Nunca tão requisitados a fazer um esforço extra que por vezes acaba depois no lixo sem sequer ter visto a luz do dia.

Também aqui está na altura de mudar. Fazer o esforço onde seja eficaz, onde haja realmente diferença. Não se trata de reconhecimento (pronto, vá, um bocadinho também) mas essencialmente de não haver esforço inglório. É que passar meses no sobre-esforço faz-nos cansar de tudo rapidamente. Se somos requisitados para dar o nosso melhor a cada momento, sem folgas e sem descanso, que seja para inspirar, crescer. Para fazer o mundo avançar. Até para isso acontecer, é preciso mudar.

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Do desânimo e vontade de desistir

por doinconformismo, em 19.03.18

Todos sentimos vontade de desistir, por maior que seja o sentido de missão que nos move.

Aliás, quanto maior o sentido de missão e maior a visibilidade do que fazemos, maior a frustração associada ao que não corre bem, aos erros que se cometem – e sim, somos humanos, logo cometemos erros. Todos os dias. Maior a quantidade de críticas e até de ameaças.

Nessa altura pomo-nos a pensar que não vale a pena tanto sacrifício se há sempre algo que fica por fazer, que corre mal e que parece ser infinitamente pior do que tudo de bom que acabámos de alcançar. Se há sempre alguém que fica ferido no caminho, por mais que nos esforcemos, porquê perder tempo e esforço? Especialmente quando é o nosso tempo, o nosso esforço que estão em causa. Especialmente quando se trata de trabalho voluntário e poderíamos estar a fazer outras coisas, porventura tão recompensadoras e menos arriscadas.

E é aqui que se instalam o cansaço, a tristeza, a vontade de desistir. Até o medo, por vezes. Sim, medo. De falhar, de não ser aceite, de não ser amado, medo do próprio medo. E desânimo. E é aqui que me lembro do profeta Elias. Quantas vezes não terá ele experimentado medo mesmo à séria? Quantas vezes não terá ele ficado desalentado e com vontade de desistir de tudo?

E porque é que eu me lembro de Elias e não de Steve Jobs, por exemplo? Porque este último pode ter feito aparecer uma experiência de utilização da tecnologia totalmente nova, mas Elias fez algo que ainda hoje é muito difícil ou até impossível de copiar: disse que não ia chover durante três anos e não choveu, depois disse que ia chover e choveu. E o melhor de tudo: fez cair fogo do céu!  Elias era claramente um grande profeta e o que fazia as coisas com mais espetacularidade. Ele conhecia bem Deus e nem isso o impediu de sentir medo à séria, e desânimo. 

Aliás o desânimo era tanto que ele chegou a pedir a morte (1 Reis 19:4). Como é que é possível, num minuto está a perseguir os falsos profetas e no outro está a fugir e a pedir que Deus o mate? Na verdade o que ele queria mesmo era que tudo terminasse, para não sofrer mais nem fazer os outros sofrer. É familiar? Mas também podemos aprender com o resto da história: Deus não lhe responde nem entra em argumentos com ele. Deixa-o dormir, alimenta-o, fortalece-o e manda-o de volta mas sem antes lhe mostrar algo: o seu verdadeiro lugar. Para isso apenas repete a pergunta: “Elias, o que estás aqui a fazer?”

A verdade é que todos pertencemos a algum lugar, todos temos um papel a desempenhar. Muitas vezes queremos apenas fugir, mandar os problemas para trás das costas, e para isso fugimos do lugar onde estamos apenas para um lugar onde ouvimos a nossa vozinha interior nos perguntar: “o que estás aqui a fazer?”

Mesmo quando sabemos qual o nosso papel e o nosso lugar na sociedade, ainda assim não estamos livres de nos sentirmos com medo, desanimados, injustiçados e com vontade de desistir. O que há a fazer nesses momentos não é fugir, não é atribuir culpas a outros, é descansar. Fortalecermo-nos, relembrarmo-nos do que sabemos ser o nosso destino, o nosso objetivo. Recorrermos a quem nos ama para nos ajudar – ouvir-nos sem argumentar, fazer as perguntas certas para nos ajudar a pensar. Até que estejamos em condições de fazer o caminho de volta para o nosso verdadeiro lugar, aquele lugar onde podemos continuar a fazer a diferença com maior espetacularidade ou em pleno anonimato.

Permite-me que te pergunte hoje “O que estás aqui a fazer?”

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Qual o teu legado?

por doinconformismo, em 12.03.18

Cada vez penso mais neste tema.

Talvez porque olho para o estado do país e do mundo.
Talvez porque há 2 anos vi o meu pai, um homem ativo no pleno domínio das suas faculdades, ser reduzido a nada na sequência de um AVC. E alguns dias depois, recuperar por milagre quase por completo.
Talvez porque tenho 2 filhos e quero mudar o seu mundo para melhor assim como quero que eles cresçam para ser pessoas inteiras, bem resolvidas, dedicadas aos outros de forma mudarem o mundo à sua própria maneira.
Talvez porque os "entas" já cá estão há um ano ou dois e não posso evitar pensar que qualquer dia estarei a meio da vida e que tudo o que aprendi nesta primeira metade vale a pena partilhar. Todas as experiências, os erros, ...
Certo é que PRECISO de fazer alguma coisa.
 
Então neste fim de semana dediquei-me não apenas a pensar mas a ESTRUTURAR o que deverá ser o meu legado e como o poderei construir e partilhar. Planear e medir, certo? Não é a boa maneira portuguesa, mas é uma boa maneira.
Em devido tempo escreverei sobre o que fiz e com que objetivo.
Mas o certo é que este blog faz parte do grande plano para conquistar o mundo e portanto não poderia deixá-lo mudo nem mais um dia. E assim, aqui está a minha promessa de que este blog será atualizado semanalmente, entre uma a três vezes por semana.
 
Já me conhecem, não esperem temas práticos ou de lifestyle. Eu sou, por natureza, uma pensadora de fundo e é o resultado dessas reflexões que me comprometo a trazer, aí sim com pormenores práticos.
No próximo post vou explicar-vos como comecei a estruturar a ideia do legado e como o construir. Alguém por aí que se dedique a pensar nisso? Que conclusões tem para partilhar?
 
Aguardo os vossos comentários sobre este artigo e outros assuntos que considerem importantes.
Até breve!

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E assim começa

por doinconformismo, em 27.08.17

Prometi e cumpro o prometido: Deixo aqui uma breve transcrição do começo do meu novo livro, da introdução, que vos mostrará do que se trata e qual o tom em que discute o que é ser Mulher.

 

This is a man's world. Nunca como nestes últimos cem anos assistimos a tamanha aceleração nas descobertas científicas, nunca como agora nos consideramos evoluídos (especialmente nos países ocidentais). Tecnologia, medicina, ciência quãntica, espacial, apenas para nomear algumas áreas, estão a desenvolver-se a tal velocidade que todos os dias são anunciadas novas descobertas ou invenções, novas possibilidades no tratamento de doenças como o cancro ou a doença de Alzheimer. Nunca como agora sabemos tanto sobre o universo (apenas para descobrir que sabemos tão pouco) e sobre o ambiente que nos rodeia. E ainda assim, no que toca ao mundo das mulheres, ainda há tanto para descobrir e inventar. Poucos avanços há desde o direito ao voto o que, recorde-se, nem nas sociedades ocidentalizadas perfaz sequer um século!  É certo que na viragem do milénio muita coisa começou a mudar no acesso a lugares de topo nos governos, empresas, investigação, desporto e outras áreas. Todavia as assimetrias mantêm-se, de tal maneira que Barack Obama, enquanto presidente da maior potência mundial, escreveu por ocasião do seu 55º aniversário:" Duzentos e quarenta anos após a fundação da nossa nação, e quase um século depois das mulheres finalmente terem ganho o direito ao voto, pela primeira vez, uma mulher (referindo-se a Hillary Clinton) foi nomeada candidata a presidente por um partido polí­tico. Quaisquer que sejam as nossas opiniões polí­ticas, este é um momento histórico para a América. E é apenas mais um exemplo do quão longe chegaram as mulheres na sua longa jornada pela equidade". E termina: "Este é o tema do feminismo do século vinte e um: a ideia de que quando todos somos iguais, todos somos mais livres".

 

Qual a vossa opinião?

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Do Deserto

por doinconformismo, em 13.08.17

Só deserto

apenas este imenso, impiedoso areal

mudando regularmente a sua forma

 

Só deserto

e o sol escaldante que suscita e entoa

os meus próprios pensamentos

como cantigas de embalar

e me diz "vá, deita-te aqui, sem esperança de acordar"

 

Só deserto

e o inverno desta noite em que até

os pontos de referência se secam e murcham

são nada mais que sombras da sua imagem

apenas a Estrela da Manhã brilha, silenciosamente longínqua.

 

Um oásis!

Corro para lá com as forças que me restam

e por breves momentos me refresco

mas não posso aqui ficar.

 

Quem me ajuda a descobrir o oásis que há em mim?

Quem me livra do sol escaldante e da noite invernosa?

estou cansada, cansada...

 

Uma tempestade ao longe, onde haverá abrigo?

Ouço chamar, corro para lá e descubro

um povo com as mesmas marcas que eu, esperando a tempestade passar

 

Salmo 31:7 "eu me alegrarei e regozijarei no Teu amor, pois tens visto minha aflição; tens conhecido minhas angústias"

 

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Já estamos em 2017?

por doinconformismo, em 02.01.17

Pior, já estamos no final do segundo dia.

Apressem-se os que ainda não fizeram o seu balanço ou que ainda não puseram em prática as suas novas resoluções. Daqui a nada a primeira semana vai acabar e, não tarda bada, o primeiro mês. Estou a exagerar? talvez não. No meio da agitação diária, em que estamos doentiamente cada vez mais ocupados, reparei que 2016 passou incrivelmente mais depressa que 2015. No campo da perceção, claro, pois 24 horas continuam a ser 24 horas.

Mas como fazer um balanço em condições se nem me lembro do mês passado, quanto mais do início do ano? na linguagem anglosaxónica, isso resolve-se com um journal. Um diário, ainda que não escrito diariamente, pode ser o auxiliar de memória correto para esta coisa que todos nós gostamos de fazer no final do ano: balanços. Desculpe-nos a contabilidade a linguagem abusiva.

E depois do balanço e de percebermos o que queremos mudar, o que fazemos? Resoluções de ano novo. Não todos nós (já expliquei aqui e aqui que as minhas resoluções são tomadas no início do ano letivo e porquê.) Mas quantas delas conseguimos colocar em prática? E dessas, quantas se mantêm para lá do primeiro mês?

Mais uma vez, os anglosaxónicos mostram-nos o que nos falta: planear. E planear com medidas suficientes para percebermos se estamos a chegar a algum lado ou não. Por exemplo, se quero perder peso, a minha resolução de ano novo pode não ser comer menos mas pesar menos. Quão menos? Se daqui a um ano pesar menos 1kg vou ficar satisfeita? ou 1kg por mês? isso é planear com objetivos mensuráveis, que a cada mês me permitem dizer se estou a trabalhar para os atingir ou não.

Então, um conselho para as vossas resoluções: ponham-lhes números à frente, números que façam sentido e que ajudem a perceber para onde queremos ir.

Mas como dizia lá atrás, eu não tomo resoluções nesta altura, o que não quer dizer que não reflita sobre o ano a terminar e, acima de tudo, tente perceber do que é que o ano vai ser feito. Continuando a lista que fiz aqui, se 2015 foi um ano de disciplina da minha vontade e 2016 foi um ano de paciência, de aprender a esperar pelos outros, 2017 parece vir a ser um ano de provisão, de sonhos concretizados para além dos melhores sonhos. Porque afinal de contas:

allgood.jpg

 

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um Deus pequenino

por doinconformismo, em 26.12.16

Pequenino. Sempre imaginamos que o Senhor de todo o Universo se mostra em todo o seu esplendor, cheio de truques e de poder e de uma tirania sem fim. Pelo menos é que os filmes de ficção científica nos fazem crer e cada um que estreia nos mostra um senhor ainda mais cruel, ainda mais controlador, ainda mais déspota. E poderoso.

Talvez por isso seja tão difícil acreditar que Deus existe. Nenhuma entidade assim tão poderosa, conhecedora, gloriosa, iria abdicar do seu majestático esplendor e escolher apresentar-se numa forma diminuída, menor, necessitada até. Esta ideia causa estranheza até a quem supostamente está familiarizado com ela. O que se passará na cabeça deste ser? É um autêntico enigma.

Ou talvez não. Se prestarmos um pouco de atenção ao que está escrito na bíblia, bem como aos relatos históricos, vemos que Deus assume formas "menores" e às vezes até estranhas ao longo de toda a história de maneira a poder ser um pouco melhor apreendido pela nossa limitadíssima mente humana. Não seria portanto de estranhar pensar que quando o próprio Deus decide enviar o seu próprio filho à humanidade o faça de uma forma que garanta que o mesmo é recebido: um bebé. Haverá algo debaixo deste céu que inspire mais ternura, mais vontade de dar amor do que um bebé?

Há quem pense que este bebé era especial, mais elevado. Talvez não chorasse durante a noite, talvez não sujasse tantas fraldas. Não sei como foi, mas ainda assim discordo. Julgo que Jesus terá sido um bebé como os outros e certamente um menino vivaço.

O que ainda hoje me confunde é o facto de todo o seu percurso ser humilde. Veio a este mundo para perder. Nasceu rodeado do mau-cheiro dos animais da estrebaria, foi filho de um carpinteiro e exerceu também este ofício, pelo que teria certamente as mãos calejadas e marcadas, mais que uma vez constatou o facto de não ter sequer um local onde repousar a cabeça e finalmente foi rejeitado pelos que antes o procuravam para serem curados, batido, cuspido, humilhado. E morto. Mas desde sempre Ele soube que era esse o plano, que era necessário perder para ganhar. E ganhou. Sem dúvida que ganhou e, melhor ainda, nós ganhámos com Ele, sem termos que fazer nada.

Talvez me confunda porque tantos dizem atuar em Seu nome e esperam nada menos do que moordomias, subserviência, quando nem sequer exibem mãos calejadas do ofício. Mas há quem siga outro caminho, o caminho de se dar por amor a cada dia. Um caminho que não procura títulos nem troféus mas visa uma transformação diária do próprio e do que o rodeia. Vamos seguir este caminho?

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