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O que quer dizer ser madrinha?

por doinconformismo, em 18.09.18

A primeira vez que fui chamada madrinha foi na adoção de um gato. Isso mesmo, passei a ser madrinha de um Óscar, que é um senhor gato. Confesso que sou algo desnaturada e que o visito pouco, mas envio-lhe presentes de quando em quando e gosto de saber como está e o que faz.

Na segunda vez, o convite surgiu no caso de uma criança, filho de uns queridos amigos com quem não estou tanto tempo quanto quereria. Tive a sorte de partilhar o papel com uma querida amiga mas também neste caso, a presença física não é grande (resultado também de escolhas da família) mas o amor é enorme e as saudades apertam sempre.

Desta vez, a fasquia subiu consideravelmente e o convite chegou para ser madrinha de casamento. Madrinha de casamento! Isso quer dizer o quê, exatamente? Procuramos uma pessoa que arque com as principais despesas, como o vestido? Ou procuramos alguém que esteja sempre lá para nós? Ou, melhor ainda, premiamos alguém que queremos que continue ao nosso lado como sempre esteve, até porque não nos lembramos de ninguém que queiramos e em quem confiemos senão exatamente essa pessoa.

Na verdade, o papel de madrinha antes e durante a cerimónia pode consubstanciar-se em muitas responsabilidades e pode até misturar-se um pouco com o das damas de honor, mas para o resto da vida é muito claro: Estar lá. Aconselhar. Chamar à atenção. E é exatamente isso que eu planeio fazer, já planeava há muito. Como tenho feito. Tem sido um privilégio ver esta vida a crescer e desenvolver-se cada vez mais e nem por uma vez me tenho arrependido do investimento. Pelo contrário, tenho também eu aprendido e crescido.

Por isso, quando a pergunta chegou a resposta só podia ser uma, igual às anteriores: Yes! Vamos continuar a crescer juntas!!

madrinha.jpg

 

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A magia das comemorações

por doinconformismo, em 28.08.18

Fiz anos ontem.

Há quem advogue que depois de entrarmos no “mundo dos adultos” devemos ser cada vez mais comedidos nas comemorações (de aniversário, e já agora do que quer que seja) até passarmos à fase do “não ligo a isso”.

Há quem me olhe de soslaio quando afirmo que gosto de celebrar este dia, assim como tantos outros. Gosto. Quer dizer que estamos vivos, que estamos lúcidos, que sabemos o que o dia significa e que temos condições para desfrutar dele.

Há quem me pergunte se não tenho idade a mais para festas. Não tenho. Ainda agora sou uma miúda com pouco mais de 40 anos. Ainda por cima gosto de quem sou, da pessoa que me tornei. Não quereria ser qualquer outra pessoa, sou feliz a ser eu própria.

 

Na próxima semana faço 20 anos de casada.

Não faço sozinha, obviamente. Mas quer dizer, duas décadas! Quando casámos não nos davam 2 anos! E sim, foram os anos mais difíceis da nossa caminhada, vindos de realidades tão diferentes e culturas tão distantes. O que não quer dizer que nos restantes 18 anos não tenham havido momentos críticos, especialmente com os filhos. Momentos de querer fugir e largar tudo. Momentos de mandar a toalha ao chão. Mas aquela coisa de dizer que é para a vida toda leva-nos a tentar outra vez, a dar outro passo. E outro. E se não saíssemos do lugar se calhar o desfecho era outro, mas temos sempre avançado, mais depressa ou mais devagar, e daí a tenacidade em continuar.

 

Por isso gosto de celebrar, porque em primeiro lugar demonstro gratidão pelo que sou, pelo que tenho.

E depois não podem ser uns festejos quaisquer, são pelo menos de 3 dias. Só ontem, respondi a mais de 300 – TREZENTAS mensagens, whatsapps, skypes, telefonemas, vídeos… só faltaram os sinais de fumo.

Os festejos do aniversário de casamento também começam mais cedo, porque sim.

 

Há uma magia nestas celebrações que é a magia da gratidão. É uma magia que abre portas com mais coisas boas para entrarem na minha vida.

E ao ver tudo o que sou e me rodeia só posso mesmo ser grata!

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Para quem NÃO está de férias em agosto

por doinconformismo, em 10.08.18

É agosto. O trabalho não abrandou e o trânsito só melhorou na semana passada.

É agosto. Depois de temperaturas mazinhas em julho e dois ou três dias de calor insuportável, voltámos ao normal: temperaturas máximas quase a tocar os 30º, fins de tarde e noites ventosas e muito desagradáveis.

É agosto. E quem não está de férias gostaria de estar ou, pelo menos, de abrandar um pouco o ritmo antes da loucura do regresso às aulas. 

O que fazemos então? Sair do emprego e ir para a praia ou para os lindíssimos parques da nossa cidade. E não, não estou a falar só de Lisboa, que está mais bonita a cada ano que passa. Muitas outras cidades do nosso maravilhoso país também o estão: Tomar, Aveiro e o incomparável Porto. Vá lá, que o trânsito está melhor, as criancinhas não têm que acordar tão cedo assim e muitas vezes nem é preciso ir levá-las a lado nenhum.

Ir beber um copo ou jantar com os amigos. Não tem orçamento para isso? convide-os para sua casa! Não tem casa para isso? Façam um pic nic! Há sombras para todos em lugares bonitos e no fim o que interessa é a companhia! E que tal um passeio romântico com quem mais ama? Uma visita a lugares emblemáticos da cidade? 

O importante é sair da rotina. Fazer outras atividades, como andar de bicicleta (a World Bike Tour do fim de semana passado é um bom exemplo) ou juntar-se à Dice Cultural e à sua Scubadice summer party! Há tanta coisa divertida para fazer e onde conhecer novas pessoas, que a única coisa a NÃO fazer é ficar em casa!

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Dia dos avós

por doinconformismo, em 25.07.18

Hoje é dia dos avós. Uma efeméride recente e que, tal como muitas, poderia ter sido inventada apenas com um fito comercial.

No entanto se procurarmos um pouco, vemos que o dia foi criado nos Estados Unidos em 1978 com o objetivo de sensibilizar as gerações mais jovens para o valor que os seniores têm para a sociedade. A data escolhida em Portugal pode ser discutível, no entanto a sua importância não deve ser minorizada. De facto, se antigamente os chamados anciãos tinham um papel marcante na família e até nas comunidades em que se inseriam, nas últimas décadas têm sido desprezados e até em muitos casos votados ao abandono. A crescente esperança de vida acompanhada das baixas reformas e das alterações na estrutura familiar tem feito o que o egoísmo por si só não teria força para fazer. E assim vamos sabendo de histórias de idosos maltratados e até abusados fisicamente pela própria família, outros impedidos de ver os netos caso não possam contribuir com valores pecuniários avultados, até casos de abandono claro em hospitais e lares.

Parte o coração a qualquer um. Que eles são teimosos, muitas vezes metediços, com tendência a desrespeitar os limites impostos pelos pais e ainda pior quando desautorizam os pais à frente dos netos. Nem sempre são interessados na família e nem sempre ajudam como pensamos que poderiam. Por vezes até estragam. Mas, caramba, são os nossos pais ou os pais da nossa cara-metade. E os nossos filhos precisam deles.

Na prática, a interação entre netos e avós apresenta vários benefícios. Por exemplo, avós na posse da totalidade das suas capacidades mentais que ajudem a educar os netos, ajudam-nos a desenvolver as suas capacidades de sobrevivência. Por outro lado, não só os mais novos beneficiam dos ensinamentos dos mais velhos como os avós acabam por se atualizar e, por isso, estar mais abertos à novidade. Os avós têm também uma grande experiência de vida que vale a pena transmitir aos netos. Adicionalmente, se forem pessoas com fortes valores irão também transmiti-los e enraizá-los no mais profundo das crianças, o que lhes dará um alicerce incomparável para a sua vida futura. É verdade que as crianças aprendem essencialmente por imitação, por isso não serve de nada dizer uma coisa e fazer outra. Mas na convivência frequente, as crianças percebem e apreendem os padrões que regem a vida dos seus avós, replicando-os na sua própria vida. E quem não quer isso?

Eu tive a sorte de ter sempre os meus avós por perto, todos os dias até à maioridade. Primeiro, os avós maternos e mais tarde os paternos. Tenho muitas recordações felizes com eles: brincar com o cabelo do meu avô materno, as batatas fritas especiais da minha avó materna e os mais variados ditados e rimas com aprendizagem para a vida da minha avó paterna. Se calhar os meus alicerces pessoais são tão fortes devido a tudo o que vivi com eles. Até devido às reprimendas, especialmente do meu avô materno quando comecei a comportar-me não tão bem, naqueles anos difíceis da adolescência. Já os meus filhos não vão ter tanta sorte mas eu tento que eles interajam com os avós tantas vezes e por tanto tempo quanto o possível. Eles não sabem isso hoje, e por vezes até nem ligam muito, mas no futuro vão agradecer essa oportunidade.

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Como é que tens tempo para isso tudo? - Parte II

por doinconformismo, em 09.07.18

Dizia eu aqui que não faz sentido dizer "não tenho tempo para isso". O que dizemos com o "não tenho tempo" é, na prática, "não está no topo das minhas prioridades". E é assim que temos que perceber quais são realmente as nossas prioridades.

Comecemos por medir os nossos dias. Não, não estimar. Não é dizer que em média levamos x horas a dormir e tantos minutos a chegar ao trabalho. É mesmo medir e registar, numa folha de papel ou num elaboradíssimo ficheiro de excel. Claramente ao fim de três semanas vamos começar a identificar padrões. Usamos 4 horas diárias a ver tv mas apenas 20 minutos a brincar com os filhos? Não conversamos com o cônjuge mas usamos um bom par de horas a falar ao telefone ou trocar mensagens com os amigos? Voltamos a trabalhar mal acabamos de jantar e às vezes nem jantamos decentemente? Aqui estão as nossas prioridades muitíssimo bem desenhadas. Não adianta dizer que a família é uma prioridade se o trabalho é a nossa companhia nas últimas horas do dia. Não faz sentido dizer que damos prioridade à saúde quando "não temos tempo" para atividades físicas e nem sequer para preparar refeições com alimentos frescos. Assim como não podemos dizer que determinado amigo ou familiar é muito importante para nós se nem um telefonema lhe dirigimos durante meses a fio.

Portanto as nossas verdadeiras prioridades ditam o nosso tempo. É certo que todos temos as mesmas 24 horas no dia mas não as utilizamos da mesma forma. E depois de registarmos a forma como gastamos essas horas, faz sentido perguntarmos porquê. Talvez gastemos 2 horas diárias em deslocação casa-emprego-casa porque privilegiamos o espaço e o sossego vs o rebuliço da cidade e uma casa mais pequena pelo mesmo valor mensal. A verdade é que se não decidirmos como usamos o nosso tempo, alguém vai decidir por nós. Por isso é igualmente tão importante saber recusar  - os convites, as prioridades que os outros tentam empurrar para cima de nós, as atividades que não acrescentam valor ao nosso dia a dia.

E tu, sabes onde gastas o teu tempo e porquê?

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Diversidade, cada vez mais

por doinconformismo, em 22.06.18

No início do ano estreei-me a falar sobre a necessidade de criarmos e mantermos diversidade num contexto específico dentro das tecnologias de informação. Já voltei a falar sobre isso várias vezes e até já escrevi um artigo (aqui). E no entanto, quanto mais falo e penso no assunto, mais percebo que ele tem que ser falado. Até incomodar. É verdade que tenho utilizado o chapéu da diversidade de género porque me aflige a quase inexistência de mulheres no meu ramo de atividade. E as dificuldades que se lhes colocam. Mas não deixo de fora a diversidade étnica nem o tema da idade. E sem dúvida sou muito grata porque na minha equipa há isso tudo. E de facto funcionamos muito bem como equipa.

Mas depois olho para outras áreas fora da tecnologia e percebo que os desafios parecem cada vez maiores: coisas "pequenas" como o novo treinador do Sporting opinar que as mulheres nem sequer devem comentar futebol (qual será a reação da equipa campeã de futebol feminino?) e coisas enormes, grandes demais, coisas que nunca deveriam existir, como a separação das crianças das suas famílias que tem ocorrido nas fronteiras dos Estados Unidos.

Vá lá, até as séries mais renomeadas já descobriram as vantagens da diversidade! Mulheres, grupos étnicos, LGBT+, várias gerações. Está tudo lá. E nós no nosso dia a dia não conseguimos viver com isso? Numa era em que inclusivamente se fala de neurodiversidade, em que profissionais com autismo ou síndrome de Asperger são contratados como data scientists pois já se percebeu o valor que acrescentam, ainda há empresas e países inteiros que não conseguem amadurecer para lá do estereótipo do homem branco. É assustador pensar que em vez de estarmos a progredir, estamos neste caso a regredir mais de 100 anos.

E a Hungria, já se esqueceu de quando famílias inteiras emigraram ilegalmente para fugirem da guerra, ainda nem há 70 anos? como é possível agora aprovar uma lei que criminaliza quem ajudar emigrantes ilegais, nem que seja com comida?

Eu sei que escrevo sobre assuntos incómodos mas podemos pensar ao menos desta vez? Até a McKinsey publicou um estudo no início deste ano em que demonstra que as empresas que se encontram no quartil superior em termos de diversidade étnica e de género tendem a apresentar lucros superiores à média até 32%. Podemos empiricamente dizer que a diversidade multiplica a riqueza de interações, de soluções, de conhecimento. Mas este estudo vem demonstrá-lo preto no branco, perdoem-me a ironia.

Se olharmos para a natureza, vemos também que a diversidade é a chave para a conservação e evolução das espécies. Não é à toa que por exemplo as abelhas cruzam o pólen de várias espécies de flores. E nós não conseguimos sequer conviver com quem é diferente ou tem ideias diferentes das nossas?

Agora, porque será que o presidente Trump voltou atrás nesta decisão? Se tivéssemos ficado todos caladinhos claramente isso não teria acontecido. Se passarmos uma vida inteira sem fazer ouvir a nossa voz não nos podemos queixar por as coisas não acontecerem como queremos. Eu sei que estamos em pleno Mundial, e mais uma vez hoje percebemos porque é que o Cristiano é que é o melhor do mundo, e amanhã até há AG do Sporting e tudo mas o mundo precisa que façamos ouvir a nossa voz. A bem do futuro das próximas gerações.

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As férias estão aí!

por doinconformismo, em 15.06.18

A temperatura finalmente começou a subir. As aulas estão a terminar. Os hotéis e outros empreendimentos turísticos por todo o país estão ainda mais cheios que o normal. É sinal de que as férias estão à porta.

As séries que acompanhámos por todo o inverno estão a terminar. O campeonato mundial de futebol começou e só se ouve falar em festivais de verão. Começou a silly season.

Estamos cansados e desejosos de alguns dias de descanso e passeios, sem TPCs e outros cuidados estundantis, sem chefes e colegas a moerem-nos o juízo. E, tal como em todos os fins de semana, chegamos à conclusão de que esses dias passam demasiado rápido. E porquê? Porque nos ocupamos com tanta coisa que o que é realmente importante acaba por ser deixado para trás? Porque não somos assim tão felizes com o que fazemos? Simplesmente porque somos preguiçosos?

Nestas férias, proponho um exercício diferente: Usar este tempo de descanso e relaxamento para fazermos um balanço do que foi este ano letivo e decidir as mudanças que queremos implementar no próximo. Sim, agora é a melhor altura para as fazer e já escrevi sobre isso algumas vezes (links abaixo). Não acreditam? Deixem que vos desafie. É simples:

1. Utilizem uma página A4 onde desenham uma pizza e cada fatia é uma componente da vossa vida: profissional, familiar, amorosa, espiritual. Saúde, amigos, realização pessoal também são fatias da pizza. 6 a 8 fatias, não mais.

2. Para cada fatia, numa escala de 1 a 10, assinalemos o quão satisfeitos estamos com essa área na nossa vida e porquê (os pontos positivos e os que precisam de melhorar). Sem batotas e sem pressas. Afinal estamos de férias...

3. Para as "fatias" melhor pontuadas o exercício que se propõe é como podemos potenciar ainda maisos pontos fortes. Por exemplo, se pontuámos com valores elevados a nossa vida familiar a ideia é olharmos para os pontos positivos e vermos como os podemos expandir. Se por exemplo um dos pontos positivos é gostarmos de nos divertir em família, uma das ações pode ser escolhermos uma atividade para fazermos em família uma vez por mês. 

4. Finalmente, para as duas ou três fatias menos pontuadas (idealmente não mais que duas, não podemos mudar o mundo de uma vez só!) façamos um exercício honesto: o que precisamos de mudar que apenas depende de nós? Imaginemos que uma das áreas menos pontuadas é a profissional. Porque não gostamos do ambiente nem da maneira de ser dos colegas. Não podemos mudar o comportamento deles mas podemos influenciá-lo, mudando o nosso. Como? quais as ações que melhor efeito terão?

5. Agora começamos a planificar. Quais as ações que devemos desenvolver em setembro? em outubro? de que forma nos ajudam a atingir os objetivos para este ano? Falta alguma?

No final, teremos um plano e não nos devemos esquecer de anotar os resultados esperados para cada uma das ações, pois queremos depois avaliar o que realmente funcionou. 
Já está! Só temos que desfrutar das férias e começar a preparar a execução do nosso plano para a felicidade!

 

https://doinconformismo.blogs.sapo.pt/balanco-do-ano-ou-talvez-nao-28242

https://doinconformismo.blogs.sapo.pt/resolucoes-de-ano-novo-21288

https://doinconformismo.blogs.sapo.pt/423.html

 

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Como é que tens tempo para isso tudo?

por doinconformismo, em 05.06.18

Esta é uma pergunta que muitas pessoas me fazem. Afinal de contas, trabalho não poucas horas diárias, tenho uma casa para cuidar, um marido e dois filhos e ainda duas gatas, mantenho um blog, já escrevi um livro e estou a planear o segundo, escrevo artigos no linkedin (aqui) e ainda arranjo tempo para ser oradora em vários eventos. E muito voluntariado.

É verdade, até cansa só de ler. Até parece que os meus dias são maiores que os das outras pessoas. Mas não são. A questão está em não olhar para o ecossistema em termos de tempo mas de motivação. E é claro, como toda a gente, tenho dias em que não me apetece fazer nada. Mas quando sei que estou a contribuir para algo maior do que eu, que estou a deixar uma marca numa nova geração, que estou a ajudar a mudar o mundo que conheço, então não tenho como olhar para trás ou ficar preguiçosa. É um bocadinho o que se passa com os filhos: sabemos que, tenhamos vontade ou não, temos que lhes dar banho e fazer jantar para eles. Se encararmos os restantes temas como filhos não biológicos, porque saem de nós e levam muito do que somos, então sabemos que temos que os alimentar e cuidar deles caso contrário não sobrevivem.

Então, como é que consigo? Como já escrevi aqui: com muita disciplina. Acima de tudo, aprendi que não faz sentido dizer "não tenho tempo para isso". O que dizemos com o "não tenho tempo" é, na prática, "não está no topo das minhas prioridades". Quando começamos a pensar assim, rapidamente percebemos em que é que estamos a gastar o nosso tempo.

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Fim do ano, finalistas!

por doinconformismo, em 29.05.18

Estamos na reta final do ano letivo.

Os estudantes já cansados desdobram-se em testes, provas, trabalhos, festas.

Os finalistas ainda têm trabalhos de final de curso e ainda outras festas, fitas, festivais.

Os pais e as mães, igualmente cansados, veem as suas agendas encher-se de convocatórias para reuniões, festas, apresentações de final de ano, preparação das malas das crianças que vão viajar….

“Tomara já que tudo isso acabe” pensam os pais. Porventura ainda não cientes de que quando as aulas terminam outra saga começa: quem toma conta das crianças durante 2 ou 3 meses seguidos quando as férias dos paizinhos não são mais de 2 ou 3 semanas?

Aqui claramente quem tem avós disponíveis nem sabe a sorte que tem. Ou sabe e está eternamente grato. Especialmente avós que levam os netos de férias, apanhar o tão necessário sol. Quem não tem avós ou quem os substitua, tem duas hipóteses: deixá-los sozinhos durante o dia, eventualmente com uma lista de tarefas para garantir que não se metem por maus caminhos (ou pelo menos para tentar) ou então ocupá-los em programas de férias das juntas de freguesia, da empresa onde o pai ou a mãe trabalha, ou então os cursos de verão. Há oferta para todas as bolsas, sendo que em alguns casos os campos de férias até garantem a estadia das criancinhas durante a semana.

E depois é tempo de a família ir de férias. Cada vez menos tempo consecutivo, porque há menos gente na empresa e o trabalho não pode parar. E isto se à última hora o patrão não pedir encarecidamente um jeitinho para ir mais tarde ou voltar mais cedo. Fora os pais que gozam férias desencontradas em agosto porque a escola das criancinhas está fechada e alguém tem que ficar com eles. E aí só gozam uma semana juntos, uma semana que tem que ser muito bem aproveitada.

E lá vai toda a família para a casa dos avós ou para o parque de campismo ou para o hotel de 5 estrelas. É igual: um não quer ir à praia, o outro grita porque o irmão lhe roubou a bola ou a irmã lhe puxou os cabelos, todos competem por atenção e invariavelmente os adultos chegam a casa mais cansados do que quando saíram. Mais bronzeados talvez, mas mais cansados. E a perguntar quando será que conseguirão ter umas férias descansados.

Sabem que mais? Vocês não querem isso. Porque quando puderem ir descansados, quer dizer que os vossos filhos estão crescidos e não vos acompanham, e por muito bom que seja (e deve ser!) desfrutar da companhia da vossa cara-metade, vão começar a sentir falta das gritarias, das choradeiras, dos sacos enormes de brinquedos que levavam para a praia. Para não falar dos adolescentes, que deixam os pais órfãos de filhos vivos. Estão lá, mas é pior do que se não estivessem.

E o que é que se tira das férias? Momentos. Pequenos momentos em que fomos realmente felizes.

 

Por isso, neste final de ano, a minha sugestão é esta: desfrutem da companhia uns dos outros. Não é tão importante o que se faz nas férias, mas com quem se está. É essa a questão que vale a pena valorizar.

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O medo de falar em público

por doinconformismo, em 20.05.18

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É verdade, já falo em público há algum tempo. Na verdade, é algo que faz tanto parte de mim que nem me lembro de quando comecei. Mas uma coisa sei: ainda hoje me provoca borboletas no estômago.

Muitos de nós temos de o fazer devido a compromissos profissionais, pessoalmente faço-o também porque acredito que tenho uma mensagem que o mundo precisa de ouuvir. Em ambos os casos, o sentido de missão ultrapassa o conforto do meu "cantinho".

Este fim de semana estreei-me a fazer algo diferente: tradução ao vivo ou consecutiva. Ou seja, estando ao lado do orador, o intérprete traduz por blocos o que ele vai dizendo. Confesso que o meu pobre estômago estava completamente virado ao contrário, à medida que todas as dúvidas me assaltavam: será que vou conseguir? E se não ouvir bem? E se não me lembrar das palavras?

Mais uma vez, pouco depois de ter começado já nem me lembrava do nervosismo e estava, isso sim, a divertir-me imenso, até porque o sentido de humor da oradora era sensacional. Aliás, foi tão bom que espero em breve ter oportunidade de repetir!

Nesta próxima sexta-feira estarei na conferência Agile Portugal, no Porto, a apresentar o tema "Porque precisamos de mulheres nas equipas técnicas". Na verdade, não só de mulheres mas cada vez mais a diversidade de género, raça e idade é essencial. Não é preciso muito para perceber que a cada dia que passa o nervosismo cresce, tal como acontece com a maior parte das pessoas. Questões como: e se não me souber explicar? E se não gostarem de mim? e outras dúvidas ainda mais estranhas são autênticas armadilhas para quem está nesta posição.
Por isso hoje partilho os meus "segredos" para intervenções bem sucedidas:

 

1. A mensagem - Se vamos falar em público é porque temos uma mensagem para entregar. Então, é nossa responsabilidade que essa mensagem é clara, faz sentido e é entendível pelo público a quem a vamos entregar.

 

2. A forma de apresentação - Tão importante como o que vamos dizer é a forma como o faremos. Temos uma centena de quadros com números ou vamos contar uma história com a qual o público se pode identificar?

 

3. A preparação - Já decidimos o que vamos apresentar e como vamos fazê-lo. Agora temos que nos preparar até à exaustão. Costumo pedir ajuda a duas ou três pessoas para serem o meu "público" quando tenho já um nível de confiança mínimo no que vou fazer. É essencial que essas pessoas dêm o seu feedback no sentido de melhoria da apresentação. O espelho é nosso amigo e as notas também, embora saibamos que no dia D não as iremos utilizar.

 

4. No dia - Temos tudo pronto. O dia chegou e a hora de enfrentar a multidão deixa-nos mais nervosos do que nunca. Duas coisas são fundamentais antes do início da apresentação: uma boa hidratação (ninguém quer falar de garganta seca) e uma boa respiração vão ajudar bastante. Respirar fundo duas ou três vezes antes de começar a falar, como se fôssemos cantar, ajuda a controlar o nervosismo mesmo imediatamente após a libertação de adrenalina.

Agora que estamos à frente das pessoas, sabemos que quanto maior a audiência menor será a probabilidade de todos gostarem de nós ou de concordarem com a nossa mensagem, por isso quanto mais cedo lidarmos com essa realidade, melhor. No entanto, temos uma mensagem em que acreditamos, estamos confiantes porque praticámos e sabemos o que temos que dizer. E lá no fundo estamos gratos por as pessoas darem no seu tempo para nos ouvirem. Portanto tudo o que temos que fazer é apresentar a nossa mensagem, em conjunto com o nosso melhor sorriso!

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