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O medo de falar em público

por doinconformismo, em 20.05.18

devops.jpg

É verdade, já falo em público há algum tempo. Na verdade, é algo que faz tanto parte de mim que nem me lembro de quando comecei. Mas uma coisa sei: ainda hoje me provoca borboletas no estômago.

Muitos de nós temos de o fazer devido a compromissos profissionais, pessoalmente faço-o também porque acredito que tenho uma mensagem que o mundo precisa de ouuvir. Em ambos os casos, o sentido de missão ultrapassa o conforto do meu "cantinho".

Este fim de semana estreei-me a fazer algo diferente: tradução ao vivo ou consecutiva. Ou seja, estando ao lado do orador, o intérprete traduz por blocos o que ele vai dizendo. Confesso que o meu pobre estômago estava completamente virado ao contrário, à medida que todas as dúvidas me assaltavam: será que vou conseguir? E se não ouvir bem? E se não me lembrar das palavras?

Mais uma vez, pouco depois de ter começado já nem me lembrava do nervosismo e estava, isso sim, a divertir-me imenso, até porque o sentido de humor da oradora era sensacional. Aliás, foi tão bom que espero em breve ter oportunidade de repetir!

Nesta próxima sexta-feira estarei na conferência Agile Portugal, no Porto, a apresentar o tema "Porque precisamos de mulheres nas equipas técnicas". Na verdade, não só de mulheres mas cada vez mais a diversidade de género, raça e idade é essencial. Não é preciso muito para perceber que a cada dia que passa o nervosismo cresce, tal como acontece com a maior parte das pessoas. Questões como: e se não me souber explicar? E se não gostarem de mim? e outras dúvidas ainda mais estranhas são autênticas armadilhas para quem está nesta posição.
Por isso hoje partilho os meus "segredos" para intervenções bem sucedidas:

 

1. A mensagem - Se vamos falar em público é porque temos uma mensagem para entregar. Então, é nossa responsabilidade que essa mensagem é clara, faz sentido e é entendível pelo público a quem a vamos entregar.

 

2. A forma de apresentação - Tão importante como o que vamos dizer é a forma como o faremos. Temos uma centena de quadros com números ou vamos contar uma história com a qual o público se pode identificar?

 

3. A preparação - Já decidimos o que vamos apresentar e como vamos fazê-lo. Agora temos que nos preparar até à exaustão. Costumo pedir ajuda a duas ou três pessoas para serem o meu "público" quando tenho já um nível de confiança mínimo no que vou fazer. É essencial que essas pessoas dêm o seu feedback no sentido de melhoria da apresentação. O espelho é nosso amigo e as notas também, embora saibamos que no dia D não as iremos utilizar.

 

4. No dia - Temos tudo pronto. O dia chegou e a hora de enfrentar a multidão deixa-nos mais nervosos do que nunca. Duas coisas são fundamentais antes do início da apresentação: uma boa hidratação (ninguém quer falar de garganta seca) e uma boa respiração vão ajudar bastante. Respirar fundo duas ou três vezes antes de começar a falar, como se fôssemos cantar, ajuda a controlar o nervosismo mesmo imediatamente após a libertação de adrenalina.

Agora que estamos à frente das pessoas, sabemos que quanto maior a audiência menor será a probabilidade de todos gostarem de nós ou de concordarem com a nossa mensagem, por isso quanto mais cedo lidarmos com essa realidade, melhor. No entanto, temos uma mensagem em que acreditamos, estamos confiantes porque praticámos e sabemos o que temos que dizer. E lá no fundo estamos gratos por as pessoas darem no seu tempo para nos ouvirem. Portanto tudo o que temos que fazer é apresentar a nossa mensagem, em conjunto com o nosso melhor sorriso!

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Os velhos do Restelo são cada vez mais jovens

por doinconformismo, em 15.05.18

“Loucura é querer resultados diferentes mas fazer sempre tudo igual” – Albert Einstein

 

O Velho do Restelo, personagem d’Os Lusíadas introduzido no Canto IV, é o símbolo dos pessimistas, de quem não acredita em novos empreendimentos, precisamente porque nunca foram tentados antes. Este episódio apresenta uma pessoa eloquente mas significa o conservadorismo, a má vontade, a falta de espírito de aventura e a atitude de desprezo face a ideias originais.

 

Por alguma razão Luis de Camões decidiu ilustrar este personagem como um velho. Não uma pessoa de meia idade, não um jovem, mas um velho.

E de facto lembro-me de, quando era adolescente, serem os velhos que meneavam a cabeça e comentavam como o mundo estava perdido com essa nova geração a que eu pertencia, tão perdida que estava.

Quando comecei a trabalhar, a cada nova ideia que apresentava, havia sempre um grupo de gente já perto da reforma que me diziam “eu também era assim mas não vale a pena. Sempre fizemos assim e vamos continuar a fazer, por isso deixa-te de ideias”.

Mas algum tempo depois houve uma enorme mudança e as gerações mais idosas começaram a ser dispensadas nas empresas e ignoradas na maioria dos círculos. Para que os obstáculos à inovação fossem removidos. Para que se pudesse avançar com novas ideias. 

Não sei exatamente quando foi que tudo mudou, mas o que vejo hoje são pessoas com 40-50 anos a gerarem novas ideias, a liderarem autênticas revoluções… e uma nova geração a torcer o nariz e a olhar com desdém. É um facto, estas pessoas não começaram agora a transformar o mundo. Já o fazem há muito tempo e isso dá-me confiança de que continuarão a fazê-lo enquanto viverem e tiverem condições. O que me preocupa é a possibilidade de as novas gerações deixarem de ser o catalisador para passarem a ser o travão. Que o seu mantra seja o início da estrofe 95: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça, desta vaidade a quem chamamos Fama!”

Tenho o privilégio de conhecer e trabalhar com um punhado de gente entre os 20 e os 30 anos que me dá esperança. Dinâmicos, dedicados, cheios de ideias, inovadores, sempre prontos para novas aventuras. Todos os dias aprendo com eles, todos os dias agradeço o privilégio de ter a oportunidade de construir alguma coisa em conjunto.

O que mais desejo é que esta atitude se propague como um vírus. E que da próxima vez que nos lançarmos numa epopeia, por mais desconhecida ou tenebrosa, não fique ninguém em terra a arengar. 

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O tempo é areia nas nossas mãos

por doinconformismo, em 07.05.18

 

g-de-areia.jpg

 

Este sábado fui, como habitualmente, levar o meu filho mais novo à natação, orgulhoso que ele está dos seus progressos.

À mesma hora decorre uma aula de natação de progenitores com os seus bebés. Fiquei com os olhos presos neles. Não me lembro de os meus filhos serem bebés. Sim, claro, olho para as fotos e reconheço-os, lembro-me das noites intermináveis sem dormir, especialmente no caso do mais velho. Mas tenho mesmo que fazer um esforço muito grande para me lembrar de como eram com 2 ou 3 anos. Com aquele cheiro característico e os olhos cheios de inocência.

Ao mesmo tempo o filho mais velho está cheio de testes, precisa de ajuda para estudar, está cansado, quer estar com os amigos… olho para ele e penso que é provável que já não fique no ninho outros tantos anos como até agora… ensiná-lo a voar é agora mais importante que nunca!

Este ano eu e o meu homem celebramos 20 anos de casados. Duas décadas! Na verdade já quase não me lembro dos anos em que éramos apenas dois. Lembro-me que trabalhávamos muito e viajávamos muito. E tínhamos mais cabelo escuro e menos barriga. Mas a energia colocada em cada tarefa e a intensidade com que vivemos a vida é a mesma.

E entretanto o dia da mãe, confesso que até não ligo muito ao dia, só dou importância aos abraços e beijinhos dos meus. E poder ainda dizer à minha mãe o quanto ela é importante para mim. A cada ano que passa mais agradeço a Deus pela minha mãe, pelo facto de ainda a ter ao pé de mim com saúde e juízo na cabeça. Em cada verão fico feliz por podermos ir de férias juntos uns diazinhos, em cada aniversário e cada Natal sei que é um privilégio escasso podermos celebrar juntos, sentir o toque, abraçar.

Há 20 anos parecia-me que ia ser jovem para sempre e ia ter tempo para tudo. Dessa altura, guardo o hábito de encaixar várias coisas no meu já apertado calendário. Hoje vejo que o tempo foge, desaparece simplesmente, como o aroma de um perfume guardado há muito.

Não posso controlar a sua passagem, mas posso controlar o uso que faço dele. Como no caso do dinheiro, tento não o desperdiçar. Como no caso do sabor de uma comida muito boa, tento prolongar os bons momentos e ficar com vívidas memórias. Como no caso de uma obra artística, tento que o meu investimento dê muito fruto em mais vidas além da minha.

Não posso sequer controlar o que vai acontecer nos próximos momentos, mas posso decidir o que fazer agora. E no agora e sempre, escolho fazer a diferença!

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A grande roda da vida

por doinconformismo, em 01.05.18

roda gigante

Nos bons tempos de humor disruptivo do Herman José habitámo-nos a dizer que a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras para baixo.

Mas os interruptores já não são o que eram e olhando bem para a vida o que podemos dizer é que ela dá muitas voltas. E nessas voltas, sim, umas vezes estamos em cima e outras mais em baixo.

 

Este ano, no aniversário do meu filho mais novo, levámo-lo a um parque de diversões e talvez pela primeira vez andámos todos juntos na roda gigante. Não era o London Eye mas lá de cima via-se uma extensão considerável de uma paisagem lindíssima e a operadora da roda até a parou um pouco para que pudéssemos desfrutar melhor daquele momento. Não era o London Eye mas era o melhor que tínhamos naquele momento e agarrámos a oportunidade. Olhando cada porção de terreno. Sentindo-nos livres, poderosos, intocáveis até, lá em cima.

 

Mas pouco depois a roda retomou a marcha, trazendo-nos para baixo. E cá em baixo não há uma paisagem para desfrutar; onde quase roçamos o chão não há sensação de poder. Há, sim, um monte de gente a olhar para nós, impacientes por tomarem o nosso lugar. Eventualmente lá saímos da roda e fomos fazer outra coisa.

 

Hoje, ao ouvir tantas histórias de pessoas que estavam tão bem e de repente, numa das voltas da vida, vieram parar cá abaixo abruptamente, não posso deixar de comparar essa realidade com uma grande roda. Vamos subindo com esforço, à custa de muito trabalho e de boas decisões. E quando damos por nós estamos lá em cima: vemos tudo à volta, sentimo-nos bem connosco próprios, somos a suma autoridade lá do sítio. Isto quando sequer olhamos em volta pois muitos há, tão atarefados e com os olhos presos no que não está bem, que nem tomam o tempo para desfrutar. Mas eis que algo acontece e a roda desce um pouco e depois mais um pouco e um pouco mais e quando percebemos estamos quase cá em baixo, a comer pó. E a roer-nos pelas perdas, pelas más decisões, pelos inconseguimentos…

 

Nada do que façamos nos impede de experimentar esta realidade. É inevitável que assim seja. Ninguém consegue sobreviver todo o tempo no topo da montanha e não é agradável passar toda a vida no vale. O importante é o que fazemos na viagem, o que aprendemos. E se olharmos com atenção, deixando por um pouco de colocar as nossas circunstâncias como única paisagem à frente dos nossos olhos, perceberemos que mesmo na parte de baixo da roda é possível encontrar razões para desfrutar da vida. E encontrar forças para subir outra vez.

 

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Dar, muito mais que receber

por doinconformismo, em 22.04.18

Esta semana foi muito intensa. Muito trabalho, muitas emoções à flor da pele, mas muitas oportunidades de dar um pouquinho da minha vida em prol de outros, muitos deles desconhecidos.

Comecei o domingo passado partilhando uma mensagem acerca de Ser Amigo de Deus (podem ver o vídeo aqui). Confesso que me custou levantar tão cedo, à minha família ainda mais, mas ter a oportunidade de partilhar algo que considero ser tão importante fez tudo isso valer muito pena. Isso e rever um casal que tanto estimo e admiro e que são um exemplo para mim!

Na quarta-feira tive oportunidade de rumar em direção a Pedrogão Grande, junto com cerca de 50 colegas meus, para ajudarmos na reflorestação plantando cerca de 1.000 medronheiros (podem ver a notícia aqui). Foi duro e divertido e fiquei com o corpo todo dorido do trabalho e a alma triste por ver tanta desolação, mas foi um dia que deu muitos frutos.

E pelo meio ainda contactei a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa para finalizar o processo de doação do meu corpo à ciência quando falecer. Porque é importante, porque os simuladores não substituem um corpo real e nós queremos médicos bem preparados para asistirem doentes reais. Também poderia doar orgãos, mas decidi enveredar por esta via.

E por toda a semana, em cada dia, esforcei-me por identificar oportunidades de dar: algum do meu tempo, algum dinheiro, uma mão... porque quando preciso também gosto de saber que alguém está aqui para mim, porque temos que nos ajudar uns aos outros, porque os seres humanos são interdependentes...

O que espero receber em troca? Nada. Em troca, absolutamente nada. Pois, se é dado é de graça. Faço questão de receber o meu salário pelo trabalho que desenvolvo e espero receber reconhecimento quando atinjo bons resultados, seja em que área for. Mas receber algo em troca, não espero nunca.

Por isso tudo o que recebo é sempre inesperado e motivo de grande alegria. Tudo. Seja uma t-shirt ou umas chouriças. Mas no final desta semana recebi algo que me deixou mesmo muito entusiasmada: a oportunidade de apresentar o tema "Women in DevOps" na conferência Agile Portugal, a ocorrer no próximo mês no Porto. Porque o tema continua importante e atual.

E por falar em dar, deixo-vos o endereço do recém-criado blog de alguém que é uma giver por natureza. Espreitem: https://dagaivotablogspot.blogspot.pt/ 

E que cada um procure nesta semana, mais oportunidades para darmos um pouco de nós aos outros a cada dia.

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A melhor maneira de passar uma mensagem

por doinconformismo, em 16.04.18

Tenho aprendido ultimamente que a melhor maneira de fazer a nossa mensagem passar para quem a ouve é contando uma história. A NOSSA história. A mensagem pode ser poderosíssima mas se não lhe adicionarmos a nossa experiência, o nosso ponto de vista, no fundo a razão porque nos parece tão importante estarmos a falar deste tema em particular, tudo vai cheirar a plástico, a fabricado. Vai soar a oco e não vai passar.

 

Pior do que isso, é inventarmos, falarmos do que não vivemos, do que não nos toca. As pessoas até podem ser atraídas por algum brilho mas assim que perceberem que lhes estão a impingir pechisbeque como se fosse ouro, rapidamente vão virar as costas.

 

E no entanto cada um de nós tem ouro para oferecer: a nossa experiência, o nosso conhecimento, a nossa perspetiva única de encarar o mundo. Só temos de tomar coragem e enfrentar o mundo!

 

Quer chamar a atenção de alguém para a sua mensagem? Conte uma história!

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Da Esperança

por doinconformismo, em 08.04.18

Este fim de semana juntou mais de 25.000 cristãos evangélicos no Campo Pequeno num evento denominado Festival da Esperança . Foi um tempo com um cariz marcadamente evangelístico, mas que serviu também para demonstrar mais uma vez que o povo de Deus é capaz de colocar as diferenças de lado e proclamar a uma só voz o nome de Deus. Neste caso, que há esperança em Deus.

É provável que quem não acredita em Deus pense que para quem acredita é fácil ter esperança. Afinal, se estas pessoas já são capazes de acreditar em alguém que nunca viram, um dos resultados dessa fé deve ser esperança.

No entanto o que eu tenho observado é que tanto há crentes desesperançados como ateus cheios de esperança e capazes inclusivamente de a transmitir aos outros.

E não poderia concordar mais. Afinal de contas, temos muitas razões para acreditar num futuro melhor apesar do que os media nos querem fazer crer:

1. Nunca vivemos uma época tão segura como agora. No mundo inteiro. Apesar dos relatos diários de guerra, morrem muito menos pessoas agora por esta razão do que em alguma outra época da história da humanidade.

2. Se falarmos de crimes e assassinatos, ainda mais, especialmente em Portugal, que apesar das notícias recentes é um dos países mais seguros do mundo.

3. A esperança média de vida nunca foi tão alta e a mortalidade infantil tão baixa. Apesar das novas doenças que aparecem, as novas curas e descobertas de tratamentos vão avançando rapidamente.

4. A qualidade de vida é altíssima, especialmente nos países ocidentais mas também se encontra em crescimento acelerado em países em desenvolvimento.

5. Os jovens desta geração são os melhor preparados de sempre para o mercado de trabalho e, ao contrário do que acontecia até há bem pouco tempo, neste momento o mercado também procura a experiência dos seniores.

6. Cada vez há mais igualdade de oportunidades, de género, raça e credo. O que só por si traz uma riqueza incontornável na resolução de problemas mas também na própria geração de valor por parte das empresas que acarinham esta diversidade.

Poderia continuar com uma lista infindável mas creio que já perceberam o meu ponto. Para mais informações e estatisticas em Portugal e na Europa, aconselho-vos a consultarem o portal Pordata.

E digam lá, olhando para estes pontos, se vale ou não a pena ter esperança?

 

 

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Legado parte II

por doinconformismo, em 31.03.18

Prometi aqui  que iria partilhar a forma como comecei a estruturar o plano do que aprendi. Especialmente do que aprendi (tomando posse de uma das mais famosas expressões de Churchill) com sangue, suor e lágrimas.

Pois bem, o facto de estar a chegar a cerca de metade da minha vida e ter tanta coisa cá dentro que pede para ser verbalizada levou-me a pensar como o poderia fazer, bem como poderia MEDIR se o que estava a fazer serviria para alguma coisa.

Para isso, comecei por pensar no que é que realmente sei fazer. Tá bem que não canto mal e tenho uma paixão imensa por gerir equipas e desenvolver pessoas, mas aquilo que faço realmente bem e que é para mim um dado adquirido, natural, é escrever e falar em público. O que pode ser uma conclusão óbvia para quem me conhece mas para mim teve que ser resultado de um processo de auto-conhecimento, não tanto pela identificação do que ficaria no âmbito mas do que teria que ser descartado.

Então ok, escrever e falar em público. Já escrevi um livro de poemas, tenho planos para em breve escrever um livro sobre mulheres. Falo em público mais ou menos frequentemente, seja como moderadora ou enttrevistadora, seja como oradora em temas tão diversos como gestão, igualdade de género, Deus, DevOps... Qual deverá ser então o meu públcio-alvo? E com que conteúdo?

Confesso que este foi o maior desafio na construção do plano: a quem é que eu quero chegar? Até que percebi: deverei chegar a inconformistas como eu, pessoas determinadas a mudar o seu mundo. Não têm que ser muitas pessoas, têm que ser pessoas que pensam e sentem necessidade de mudança. Que eu possa ser mais um motor de inspiração para cada um ir lá para fora transformar vidas.

E que canais deverei utilizar e com que frequência? Aqui cruza-se tudo o que hoje está à nossa disposição, com a disponibilidade e com a necessidade de manter um certo nível de qualidade do conteúdo. Portanto, a minha primeira decisão foi reativar este blog, com pelo menos um artigo semanal, sobre temas de ordem geral: princípios, valores, questões de vida, etc. Comecei também a escrever artigos mais técnicos, em inglês, no Linkedin. Dois artigos aqui e aqui. E pelo menos uma talk trimestral. 

E por fim, as métricas. Visitas, subscritores, favoritos, page viewslikes, e acima de tudo os comentários - o que me dizem? E, claro, o número de presenças nas talks

Agora que cheguei até aqui, há que imaginar o futuro. Como quero que tudo isto seja daqui a um ano, três, dez? E o que preciso de fazer para lá chegar?

Porque uma coisa é certa: se eu não o fizer, mesmo que necessariamente retirando este tempo do meu tempo de lazer, ninguém o fará por mim. E os resultados não se alcançam sozinhos...

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Esta madrugada mudámos para o horário de verão. Já sei que posso contar com uma semana de jet lag à conta disso, mas sabe bem ver anoitecer mais tarde. E ver toda a natureza a anunciar a primavera. Há uma semana que dei pela chegada dela. Distraída como sou admito que todos os sinais já cá estivessem antes mas esta semana para mim foi especial, desde a saudação de um melro num destes dias logo de manhã ao sair de casa, ou uns amenos raios de sol no meio de todos estes dias de chuva.

Sabe bem. Especialmente em tempos de muito trabalho, muita preocupação. Como se a natureza dissesse: “sei que não está a ser fácil, mas relaxa, aqui estão umas surpresas para desfrutares”. E dia 20 chegou então oficialmente a estação em que tudo parece se renovar. E logo de seguida o aniversário do benjamim da família, 6 anos de animação e pilhas Duracell.

Se o primogénito me ensinou a ser algo que eu não sabia ser, nem alguma vez achei que a maternidade fosse para mim, este menino cheio de mimo mostrou-me que o amor não se divide quando nasce mais um filho, simplesmente cresce até já não caber no coração e fá-lo crescer também. E de que maneira!!

Portanto, aqui estamos nós no limiar de uma mudança de idade: o “pequenino” a ir para a primária, o “grande” a chegar à adolescência plena. Os pais deles a babarem-se sempre que veem um bebé. Longe vão os tempos das fraldas e das papas e no entanto nunca nos sentimos tão cansados como agora. Nunca tão assoberbados com preocupações. Nunca tão requisitados a fazer um esforço extra que por vezes acaba depois no lixo sem sequer ter visto a luz do dia.

Também aqui está na altura de mudar. Fazer o esforço onde seja eficaz, onde haja realmente diferença. Não se trata de reconhecimento (pronto, vá, um bocadinho também) mas essencialmente de não haver esforço inglório. É que passar meses no sobre-esforço faz-nos cansar de tudo rapidamente. Se somos requisitados para dar o nosso melhor a cada momento, sem folgas e sem descanso, que seja para inspirar, crescer. Para fazer o mundo avançar. Até para isso acontecer, é preciso mudar.

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Do desânimo e vontade de desistir

por doinconformismo, em 19.03.18

Todos sentimos vontade de desistir, por maior que seja o sentido de missão que nos move.

Aliás, quanto maior o sentido de missão e maior a visibilidade do que fazemos, maior a frustração associada ao que não corre bem, aos erros que se cometem – e sim, somos humanos, logo cometemos erros. Todos os dias. Maior a quantidade de críticas e até de ameaças.

Nessa altura pomo-nos a pensar que não vale a pena tanto sacrifício se há sempre algo que fica por fazer, que corre mal e que parece ser infinitamente pior do que tudo de bom que acabámos de alcançar. Se há sempre alguém que fica ferido no caminho, por mais que nos esforcemos, porquê perder tempo e esforço? Especialmente quando é o nosso tempo, o nosso esforço que estão em causa. Especialmente quando se trata de trabalho voluntário e poderíamos estar a fazer outras coisas, porventura tão recompensadoras e menos arriscadas.

E é aqui que se instalam o cansaço, a tristeza, a vontade de desistir. Até o medo, por vezes. Sim, medo. De falhar, de não ser aceite, de não ser amado, medo do próprio medo. E desânimo. E é aqui que me lembro do profeta Elias. Quantas vezes não terá ele experimentado medo mesmo à séria? Quantas vezes não terá ele ficado desalentado e com vontade de desistir de tudo?

E porque é que eu me lembro de Elias e não de Steve Jobs, por exemplo? Porque este último pode ter feito aparecer uma experiência de utilização da tecnologia totalmente nova, mas Elias fez algo que ainda hoje é muito difícil ou até impossível de copiar: disse que não ia chover durante três anos e não choveu, depois disse que ia chover e choveu. E o melhor de tudo: fez cair fogo do céu!  Elias era claramente um grande profeta e o que fazia as coisas com mais espetacularidade. Ele conhecia bem Deus e nem isso o impediu de sentir medo à séria, e desânimo. 

Aliás o desânimo era tanto que ele chegou a pedir a morte (1 Reis 19:4). Como é que é possível, num minuto está a perseguir os falsos profetas e no outro está a fugir e a pedir que Deus o mate? Na verdade o que ele queria mesmo era que tudo terminasse, para não sofrer mais nem fazer os outros sofrer. É familiar? Mas também podemos aprender com o resto da história: Deus não lhe responde nem entra em argumentos com ele. Deixa-o dormir, alimenta-o, fortalece-o e manda-o de volta mas sem antes lhe mostrar algo: o seu verdadeiro lugar. Para isso apenas repete a pergunta: “Elias, o que estás aqui a fazer?”

A verdade é que todos pertencemos a algum lugar, todos temos um papel a desempenhar. Muitas vezes queremos apenas fugir, mandar os problemas para trás das costas, e para isso fugimos do lugar onde estamos apenas para um lugar onde ouvimos a nossa vozinha interior nos perguntar: “o que estás aqui a fazer?”

Mesmo quando sabemos qual o nosso papel e o nosso lugar na sociedade, ainda assim não estamos livres de nos sentirmos com medo, desanimados, injustiçados e com vontade de desistir. O que há a fazer nesses momentos não é fugir, não é atribuir culpas a outros, é descansar. Fortalecermo-nos, relembrarmo-nos do que sabemos ser o nosso destino, o nosso objetivo. Recorrermos a quem nos ama para nos ajudar – ouvir-nos sem argumentar, fazer as perguntas certas para nos ajudar a pensar. Até que estejamos em condições de fazer o caminho de volta para o nosso verdadeiro lugar, aquele lugar onde podemos continuar a fazer a diferença com maior espetacularidade ou em pleno anonimato.

Permite-me que te pergunte hoje “O que estás aqui a fazer?”

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