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Mudar de vida

por doinconformismo, em 29.09.16

Hoje estive com várias pessoas que mudaram de vida recentemente. Uns mudaram porque quiseram, outros mudaram porque se viram forçados a fazê-lo. Hoje observava cada um tentanto vislumbrar as diferenças até que percebi: quem muda porque quer vive com as consequências das suas próprias decisões; quem muda porque tem que ser vê-se forçado a tomar as melhores decisões possíveis dentro do enquadramento que tem. O que pode ser um contexto de muita pressão além da dor inicial da situação que causou esta mudança.

Mas aquilo que as pessoas apresentam, nos casos em que se veem obrigadas a mudar, é uma resiliência e uma capacidade lutadora invulgar, com que muitos de nós poderíamos aprender. Muitos de nós, que se sentem encurralados, estagnados, mas não encontram a força ou a coragem para encontrar alternativas. Que até sabem por onde começar mas não se sentem à vontade para correr riscos até porque convenhamos, trocar uma vida conhecida e até confortável por algo desconhecido é uma chatice!

E é assim que o conforto vai minando o que deveria ser uma vozinha interior de alerta. Mesmo quando se perde alguma coisa, pensamos em tudo o resto e decidimos que estamos bem assim. Mais alguma coisa se estraga mas o processo repete-se. E mais uma, e mais uma. E nem nos apercebemos mas na prática estamos a lutar pela manutenção de uma situação que já não é mais do que uma recordação. Já acabou. Acabou o amor, ou acabou o dinheiro, ou acabou o gozo, ou a felicidade. E ali continuamos a lutar para permanecer. Permanecer o quê?

Mas um dia, chegamos à porta da rua e percebemos que não se abre mais. Ou pior, ainda estamos do lado de dentro a levar um empurrão (ou pior) para sair e depois de tanto tempo a pensar que devíamos encontrar outro caminho somos mesmo forçados a fazê-lo. E aí sobressaem capacidades por vezes até então desconhecidas, mas percebemos também que o universo se alinhou para nos ajudar e pensamos: estive a perder tempo. Tentar conservar algo que já não existia não foi mais do que uma perda de tempo e energia.

Percebemos (ou relembramos) também, nesta nova vida, que há tanta coisa boa para experimentar e viver que insistir em ficar é tentar colorir um desenho com lindas cores quando só o cinzento está disponível.

Vamos procurar essas cores naquilo que nos faz felizes! Vamos colorir os nossos próprios desenhos, a nossa vida!

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Coisas pelas quais nunca deveríamos passar

por doinconformismo, em 01.12.13

Todos sabemos que muitas vezes os momentos de mudança se iniciam com perdas. Muitas vezes a perda é tão grande ou gera um sentimento tão intenso que nos leva a por em causa o nosso lugar de conforto, os nossos pressupostos, às vezes até os nossos princípios. E aí a mudança acontece, mais devagar ou mais depressa mas acontece sempre.

 

Mas há perdas e perdas. Hoje em dia não há quem não se queixe de perder alguma coisa, desde estatuto a bens materiais ou estilo de vida. Mas perdas irreparáveis são um campeonato completamente diferente. E este foi um fim de semana de perdas irreparáveis. E nem me vou deter a falar de coisas "menores" como motivação, confiança e outros termos que francamente parece estarem a entrar em desuso. Sobre esses falarei mais tarde. Vou diretamente ao cerne do tema de hoje:

 

Na 6ª perdemos um colega de muito valor, um grande homem e um profissional muitíssimo dedicado à sua empresa e à sua equipa. Lembro-me de fazer projetos emblemáticos com ele, estruturantes, dos que ajudaram a fazer da nossa empresa aquilo que é hoje. Pois bem, a saúde decidiu sair-lhe do corpo e em pouco tempo deixou-nos. Acabou o tempo dos projetos estruturantes.

Não foi o primeiro colega a falecer, não será o último, é desagradável e triste e muitas outras coisas, mas havemos de superar o caso.

 

No entanto ontem soube de uma perda daquelas que nos acompanham diariamente para o resto das nossas vidas. Soube de alguém que perdeu a luta contra um problema de saúde do filho recem-nascido. Este é um tipo de problemas que podem "make or break you" (fazer-nos ou quebrar-nos) e podemos realmente observar que quem já passou por isto e conseguiu refazer a sua vida coloca muito mais todas as coisas em perspetiva.

Mas sempre me questiono e sempre questionarei porque é que este tipo de coisas acontece. Não consigo nem começar a imaginar o tipo de dor que estes pais estão a sentir. E não deixo de sentir algum ressentimento quando vejo por todo o lado um "RIP Paul Walker" como se fosse a pessoa mais importante do mundo a falecer nestes dias.

 

A vida é injusta, já sabemos disso. Mas tão injusta assim? Não posso senão citar a Jonasnuts: Devia haver uma lei natural, qualquer, que impedisse os pais de sobreviverem aos filhos.

Devia haver um conjunto de coisas pelas quais ninguém deveria passar. E esta é uma delas. 

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Mudar os planos

por doinconformismo, em 22.08.13

Mudar planos pode ser bom. É desconfortável, mas bom. Mostra-nos em primeiro lugar que não somos donos do nosso próprio destino, mostra-nos que não controlamos a vida. Essa malandra, que a par do universo teima em se demonstrar além de nós, apesar de nós...

 

A vida prega-nos partidas. Temos tudo planeado, tudo organizadinho e às vezes até pensado até ao mais ínfimo pormenor. E é nessa altura que vem uma coisa qualquer que nos faz mudar os planos todos. E agora?

 

Um exemplo pequenino: no meu trabalho isto passa a vida a acontecer. Hoje de manhãzinha e com o dia planeado e cheio de reuniões, a coisa começou logo a correr mal qual o início da primeira reunião começou a adiantar-se e já a passar para cima da segunda, e assim sucessivamente. E depois já era outra reunião que não se podia realizar por falta de condições e ainda um assunto urgente que surgiu para tratar... Fazer o quê, se as coisas nem dependem só de nós?

 

Tenho para mim que a chave está na nossa reação. A mudança acontece, mesmo quando não queremos, e ou gastamos todas as nossas energias a combatê-la (e até podemos conseguir por algum tempo, mas rapidamente vamos perceber que perdemos) ou podemos abraçá-la e até navegar nela. Eu escolho esta segunda opção. Se tem que acontecer, que seja comigo!

 

Ainda voltando ao exemplo: a primeira chefe que eu tive e que me abriu os olhos para o trabalho e para o mundo, sempre dizia que "o sistema ajuda". E ajuda na maior parte das vezes, apenas temos que aprender a tomar partido dele. No fim do dia, tinha ido a todo o lado onde a minha presença era necessária, tinha tomado todas as deciões que era necessário tomar e tinha respondido a todos os temas que necessitavam de resposta.

 

Se não houvesse mudança, não havia progresso, ainda não tínhamos luz elétrica nem comunicações, porque "as coisas sempre foram assim". É verdade que muitas vezes só mudamos quando dói menos mudar do que ficar tudo como está. Mas desde que há Terra há mudança, não se pode parar. Não estou a dizer que devemos desistir em todos os casos, ninguém quer trocar a sua liberdade por um regime ditatorial, certamente. Mas na maior parte dos casos temos a ajuda do "sistema", ou até, de alguma mão invisível que repõe o equilíbrio no universo.

 

O sistema nem sempre é mau. E a mudança ainda menos. Por muito que seja temida.

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