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Charlie de novo

por doinconformismo, em 19.01.15

Tenho que falar de novo do Charlie Hebdo e do que se tem passado em França nestes últimos tempos. Tenho que falar porque anda muita gente por aí a dizer que os sobreviventes do jornal têm é que estar quietinhos e mansos para que não haja mais violência.

Ora, vamos ver as coisas em perspetiva: o Charlie Hebdo é um pasquim, um tablóide comparável ao jornal O Diabo ou coisa que o valha. Ok? Depois, se há coisa que os senhores já mostraram ser é coerentes na falta de respeito. Não há respeito por nada nem ninguém e tudo serve para fazerem paródia.

Tendo dito isto, que eu saiba a falta de respeito nunca foi razão lícita para matar ninguém. É como dizer que um homem tem o direito de bater numa mulher porque ela "lhe chateia a cabeça" em demasia. Não se bate às mulheres... a não ser que elas mereçam. Uau. E quando apanham, a solução é ficarem mansas para não voltarem a apanhar. Certo?

Errado. Nada mais errado, mesmo. Nada desculpa a falta de respeito dos senhores do Charlie, mas depois deste ataque a última coisa a fazer é ficarem quietinhos e deixarem o medo instalar-se. Porque olhando para a Nigéria, e sim há tantos olhos postos em 12 pessoas mortas em Paris mas tão poucos colocados nas mais de 2000 pessoas mortas só em ataques recentes, porque todo aquele país está a ser destruído aos bocadinhos. Sim, olhando para eles pergunto: o que foi que fizeram para merecer tamanho massacre? Será que morreram em vão? Por isso, meus senhores, este é o momento para dizer não ao medo, e de mostrar que continua a haver um mundo livre e que não se deixa governar pelo terror. Há quem o faça com manifestações, há quem o faça seguindo uma vida ousada. Mas decerto não quereremos ficar mansos e quietos para um dia vir a descobrir que não só não há segurança, porque de facto nunca houve, mas também deixou de haver liberdade!

"Quem prescinde da liberdade essencial para garantir uma pequena segurança temporária não merece nem a liberdade nem a segurança" - Benjamin Franklin (Those who sacrifice liberty for security deserve neither)

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Somos todos Charlie?

por doinconformismo, em 08.01.15

Desde sempre que ouço que é impossível discutir convições no futebol, política e religião. E porque ouço isso? Porque até há 40 anos atrás não se podia falar abertamente de alguns destes temas? Ou porque não existia tolerância? E hoje, há?

Se quando alguém ataca o meu clube de coração, fico logo com vontade de lhe passar com um tanque de guerra por cima; se na política fervo assim que percebo que alguém não tem a mesma ideologia que eu; o que descrever então quando toca à religião?

A forma mais básica de comandar é uniformizar. Se formos todos iguais, basta reprimir quem é diferente. A história mundial dá-nos quantos exemplos quisermos, do império Romano aos grandes ditadores do século XX. Mas se olharmos um pouco mais (não é preciso ser muito) atentamente vemos também que há sempre quem resista, quem se recuse a ser formatado, quem combata o poder vigente.

Há quem o faça e seja um herói (como no filme Gladiador, ou como a Resistência Francesa ao poder nazi). Há quem o faça e seja o chato de serviço, o exemplo acabado de pain in the ass. O Charlie Hebdo cai neste último caso. Um tabloide que goza com tudo e com todos e a cuja sátira não escapa ninguém. Um jornal comparável ao Diabo. Que nem sequer é levado a sério. E então? Não tem também que ser tolerado a bem da liberdade de expressão?

Mas esta conversa não se aplica aos radicais islâmicos apenas. Será que quando os senhores do Charlie atacaram as crenças católicas não houve quem desejasse viver em plena Inquisição, só para lhes dar o que merecem?

Este é só um exemplo. No dia a dia lidamos com variadíssimas pessoas que não só não pensam como nós e não acreditam no mesmo que nós, mas ainda nos criticam e chegam até a irritar-nos por isso. Vamos fazer o quê? Tentar eliminá-los, ou aceitá-los?

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Medo take II

por doinconformismo, em 14.08.14

Já aqui falei sobre o medo mas uma vez que me pediram, vou voltar a falar nisso.

Toda a gente tem medo. Todos têm medo de alguma coisa, mais ou menos longínqua, em maior ou menor intensidade.

 

Depois de tantas gatas que já tive, tenho uma que é tão medricas que treme sempre que nos aproximamos. Está sempre escondida e urina como que a marcar território, pois o seu cheiro é dos poucos mecanismos que pode utilizar para se acalmar. Escusado será dizer que tem uma vida dura, pois quando poderia dormir na nossa caminha, dorme fechada na varanda. Em vez de desfrutar de colinho e miminhos, raramente há contacto físico. E mesmo a outra moradora de quatro patas lá de casa, que não perde uma oportunidade de nos saltar para o colo seja o que for que estejamos a fazer, não a suporta. Pois claro, quem é que atura um amigo mal cheiroso por muito tempo?

 

Mas há quem, por causa do medo que tem, também cheire mal embora em sentido figurado. Porque se alguém fala em fazer algo mais arrojado se põe logo a enumerar os riscos; se a sua rotina se altera um bocadinho que seja fica logo transtornado, quanto mais quando alguém demonstra pensar pela sua própria cabeça (pasme-se, como é que é capaz!) e discordar da opinião do poder vigente. Aí seguramente perdemos um amigo.

Estas pessoas não são felizes, como a minha gata não é feliz. Não são felizes porque se formatam - a si mesmas, à sua mente, a cada aspeto da sua vida. E não saem desse formato. Não são felizes porque com tanta vida que há lá fora, os seus dias são passados a cumprir procedimentos, para garantir que nada falha e que não se correm riscos desnecessários. Não são felizes porque é difícil conciliar uma mente que pensa com uma vida controlada ao pormenor.

 

Ceder ao medo é colocarmo-nos voluntariamente num colete de forças e viver o resto da vida assim. Mas a vida serve para viver, intensamente, correndo riscos. Correndo o risco de nos apaixonarmos, de nos desiludirmos, de não sermos compreendidos, e de tudo o mais. Toda a gente tem medo de alguma coisa, mas o melhor que temos a fazer é enfrentá-lo para garantir que há liberdade na nossa vida, nos nossos relacionamentos, nos nossos pensamentos e nas nossas ações. Porque essa é a vida que vale a pena ser vivida!

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