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Onde está Deus?

por doinconformismo, em 29.03.14

Dei comigo esta semana a pensar como será que as pessoas entendem Deus, como será que veem Deus. Se Deus para elas é um velho mal-disposto a olhar cá para baixo com um sentido de humor retorcido ou se é apenas e nada mais do que uma figura de estilo. Claro que haverá de tudo, mas sempre me perturbo quando a malta segue a sua vidinha por anos a fio e não quer saber de Deus para nada e depois de repente há uma tragédia e todas as vozes se levantam questionando Onde está Deus?

 

Boa questão, onde é que Ele está? Nas vestimentas ricas do Vaticano? nos discursos bonitos de líderes políticos ou religiosos? Nas grandes realizações humanas ou no mover das massas?

Quanto mais penso nisso, mas desconcertada fico com as conclusões: Deus está nas pequenas coisas, na simplicidade. Na beleza de uma flor, no esvoaçar de uma borboleta, nos raios de sol matinais, nas grossas pingas de chuva que dão vontade de ficar de boca aberta a beber aquela água. No sorriso do homem da CAIS que todos os dias está naquele semáforo a vender revistas e que quando vê o meu carro a chegar me levanta o polegar direito. E eu respondo da mesma forma, sorriso rasgado, sinal de "fixe" e o dia começa melhor. No abraço e numa mensagem de incentivo de uma pessoa que mal conheço. Num programa de televisão em que o Tiago de Oliveira Cavaco mostra de uma forma tão simples como o casamento se assemelha tanto ao cristianismo (aqui)

 

Mas hoje esta reflexão atingiu o seu ponto alto quando, numas breves horas, vi surgir um imenso movimento de apoio a uma futura mãe recém desempregada. Cada um contribuindo com o que pode, vamos fazer a diferença naquela vida, que bem precisa. E aqui, eu sei, Deus está. Pode não estar em grandes discursos, em grandes espetáculos, ou em grandes sermões mas nisto eu sei que está. Porque, como diz uma pessoa que eu muito admiro "o evangelho vive-se". 

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Se deixarmos de ver desaparece?

por doinconformismo, em 25.02.14

Se não olharmos para o homem que todos os dias está no semáforo a tentar vender revistas CAIS, se fizermos de conta que não está lá, será que desaparece?

Se não olharmos para a quantidade de animais abandonados nas ruas, que parece crescer todos os dias, se fecharmos os olhos, será que eles desaparecem?

Se não olharmos para o desânimo estampado na cara de tanta gente, se fizermos de conta que nada se passa, será que desaparece?

 

E aquilo que não vemos mas ouvimos, velhinhos que não conseguem fazer as parcas reformas chegar para os medicamentos, cada vez mais caros, e a alimentação, quanto mais ajudar os filhos desempregados ou os netos mal nutridos?

E quando ouvimos de tanta gente de idade avançada que ficou sem emprego e ainda assim não tem idade suficiente para a reforma?

Ou quando ouvimos de tantos jovens que têm que deixar os estudos pois não têm meios para tal? E de um serviço de saúde a apodrecer?

 

Se taparmos os olhos, se deixarmos de ver, desaparece? 

Se taparmos os ouvidos, o ruído surdo deixa de lá estar?

Ou será preciso também desligar o cérebro? Até onde levamos o nosso bem-estar, aliado a uma indiferença doentia pelo que se passa à volta? Será que não entendemos que o se passa hoje com eles hoje se poderá passar connosco amanhã?

 

Olhamos mas não vemos, ouvimos mas não escutamos, vamos também deixar de pensar e de sentir? E onde é que isto vai parar? Vamos renunciar aos nossos princípios, vamos negar as nossas crenças, em nome do status quo, para que esteja tudo bem?

 

Não chega já? Não é já tempo de fazer alguma coisa em vez de apenas deixar andar? Nunca vi que deixar andar fosse boa filosofia, e continuo a não acreditar nisso..

 

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