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Malabaristas do tempo

por doinconformismo, em 02.09.14

Todos nós tentamos equilibrar a vida entre as várias facetas que nos ocupam tempo de uma forma sistemática. A família e o emprego vêm em primeiro lugar no tempo que mais ocupam, mas há alturas da vida em que um se sobrepõe ao outro.

Imaginando que tentamos um equilíbrio entre ambos, o que nem sempre é verdade (e se entrássemos por aqui hoje podíamos já enumerar um conjunto de "enfermidades" causadas na família por causa de o trabalho de um dos adultos se sobrepor sempre ou quase sempre ao resto), ainda assim há momentos em que precisamos de dar mais atenção à família (no nascimento de um filho, quando um membro está doente ou em qualquer acontecimento extraordinário como um ano de exames, ou uma mudança importante ou até uma mudança de casa) e outros em que precisamos de dar mais atenção ao emprego (momentos de mudança ou aquele projeto importante e trabalho que não pode atrasar, ou algo realmente novo em que estamos a trabalhar e que precisa de ver a luz do dia antes que a concorrência faça igual, ou outro milhar de exemplos que poderíamos aqui ilustrar para demonstrar o quanto é importante percebermos que sim, muitas vezes o trabalho vem primeiro). 

Temos que saber equilibrar estes dois aspetos da nossa vida para que um não se ressinta do outro, mas como a nossa vida não é só feita disto, também temos que encaixar tempo para estar com amigos e garantir a nossa sanidade mental. E eis-nos assim, quais malabaristas, aprendendo a manter 3 bolas no ar enquanto as vamos impulsionando da melhor forma possível.

 

Mas somos humanos e precisamos de mais para nos sentirmos realizados por isso vamos aos hobbies. Há quem vá ao cinema uma vez por semana, há quem precise de ir pelo menos duas vezes por semana ao ginásio, há quem faça outras coisas (e para este exercício só importam as atividades sistemáticas, realizadas pelo menos uma vez por semana), mas seja o que for que façamos é mais uma bola que temos que manter no ar.

E para quem acredita que tem que dar algo à sociedade, ainda há o voluntariado em inúmeras áreas, conseguido de inúmeras formas mas que sempre acrescenta à lista de tudo o que tem que encaixar nas 24h do dia.

 

E assim temos pelo menos 5 bolas que necessitam de estar sempre no ar, para nosso bem ou para bem dos outros, porque se um dos malabares cai quer dizer que o mundo de alguém fica mais pobre, mais vazio, mais complicado. E até podemos dizer que com organização e boa vontade tudo se consegue e sim, regra geral é verdade. Mas desgasta. Desgasta especialmente em anos difíceis, em que o emprego exige muito porque é ano de mudança e todos temos que fazer uma "milha extra", a família exige muito, porque os filhos vão mudar de escola ou porque um filho tem exames ou por todas estas razões e ainda mais algumas aqui especificadas. E já roubámos tempo ao sono, já roubámos tempo à casa, já reorganizámos tudo o que podíamos e continuamos cansados e com pouca força para manter o malabarismo diário das 5 bolas.

 

Claro que hoje em dia ninguém fala nisto pois temos sempre que conseguir mais, alcançar mais, mas e quando precisamos mesmo de nos focar em MENOS? Qual o mal de parar temporariamente um ou dois malabares e redistribuir o tempo por aquilo que nos está a ser exigido? Penso que sabermos hoje qual o limite até onde podemos ir nos pode evitar muitos problemas, problemas que no limite podem chegar a depressões, esgotamentos, separações, zangas familiares irreconciliáveis apenas para citar alguns. E refletindo sobre isto e sobre a importância de estarmos bem connosco e com os nossos, que recordei o menor discurso de sempre de Bryan Dyson, cujo excerto cito abaixo:

 

"Não diminuam seu valor próprio, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.
Não fixem os seus objetivos se baseando no que os outros acham importante. Só vocês estão em condições de escolher o que é melhor para vocês próprios.
Deem valor e respeitem as coisas mais queridas aos seus corações. Apeguem-se a elas como à própria vida, pois sem elas, a vida carece de sentido.
Não deixem que a vida escorra entre os dedos, por viverem no passado ou no futuro. Se viverem um dia de cada vez, viverão todos os dias das vossas vidas.
Não desistam quando ainda são capazes de um esforço a mais. Nada termina até ao momento em que se deixa de tentar.
Não temam admitir que não são perfeitos.
Não temam enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser corajosos.
Não excluam o amor das suas vidas dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.
Não corram tanto pela vida a ponto de esquecerem onde estiveram e para onde vão.
Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
Não usem, imprudentemente, o tempo ou as palavras. Não se podem recuperar.
 
A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo. Lembrem-se:
Ontem é história; amanhã é mistério e hoje é uma dádiva.
Por isso se chama presente!"

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