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Dar à luz

por doinconformismo, em 07.02.16

Há momentos tão intensos e profundos que não nos permitem encontrar palavras à altura. Alguns deles são os momentos em que damos à luz.

Sejam bebés ou novos projetos tornados realidade, o padrão é idêntico. Falo com conhecimento de causa, depois de duas crianças e mais projetos bem sucedidos do que aqueles que consigo contar.

Primeiro, a antecipação, a conceptualização ainda antes que se consiga ver alguma coisa. O tentar, por palavras ou esquemas, mostrar o que está a ser pensado. Depois, a evolução lenta e muito esforçada. Será que vamos mesmo conseguir o resultado final? Será que não nos estamos a esquecer de nada? E será que o resultado final é o esperado?

Por vezes, o cansaço a querer vencer. O sentimento de que estamos sozinhos ou que temos uma maior carga em cima dos ombros - o que pode até ser verdade - o que nos traz dúvidas e até vontade de desistir.

Mas desistir é para os fracos e quando voltamos a fazer contas ao tempo, já está quase. Tão quase que nos custa esperar, por vezes ansiosos por que o tempo chegue, por vezes preocupados por haver ainda tanto a fazer em tão pouco tempo, por vezes ainda assoberbados com mudanças de ultima hora, que chegam a colocar tudo em risco.

Mas o dia tão aguardado então chega, depois de muito trabalho e muitos nervos, muitas olheiras e unhas roídas, e tudo o que podemos fazer é contemplar a obra-prima que ajudámos a criar.

Quando olhamos para um bebé perfeitinho (e feio como todos os recém-nascidos), acabadinho de sair do ventre, não podemos deixar de chorar e agradecer.

Quando olhamos para um projeto vivo, algo com o potencial de mudar o mundo (pelo menos o nosso), não há muito que possamos dizer. Recordamos como foi que viémos aqui parar. Como fomos loucos o suficiente para acreditar e colocar mãos à obra. Todas as vezes que pensámos não ser capazes por ser algo muito maior do que nós. E contemplamos, certos de que ainda iremos demorar a assimilar todas as peças.

Acabada de dar à luz, ainda convalescente, assim estou. Contemplativa e imensamente grata. Tentando não me esquecer de todas as peças importantes e projetando já os próximos passos, o próximo projeto de que irei engravidar.

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2 comentários

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De A.Santos a 08.02.2016 às 09:03

Oh mulher, e já agora homem. Siga. A minha mãe teve 14 e eu ainda vivi com 10. Mas na altura, lembrando Manhã Submersa (um seminarista) a igreja quase que obrigava as famílias pobres a terem muitos filhos. Fui o mais novo e ainda vivi com colegas de famílias ainda mais pobres que a minha. Os meus velhos sapatos ainda serviam para dar. Hoje felizmente ou infelizmente pensamos no curso superior ainda a criança não foi feita. Mas concordo consigo, que mal comparado, temos projectos na vida que se assemelham a ter um filho.
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De doinconformismo a 08.02.2016 às 09:42

Muito obrigada pelo seu comentário. Eram efetivamente tempos diferentes, tanto no valor das coisas e das pessoas, como nos próprios valores morais.
Mas enfim, se não podemos mudar o mundo inteiro, pelo menos podemos contribuir para mudar o nosso!

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