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Da desilusão

por doinconformismo, em 08.08.14

Dizem que à medida que a idade avança aprendemos a lidar melhor com a desilusão. Porque só se ilude quem espera muito das pessoas, quem tem sonhos alicerçados em alguma coisa ou alguém e de repente algo acontece e tudo se desmorona. E esse algo que acontece é a confiança que se esvai, a esperança que morre ou a afinidade que desaparece.

Diz o dicionário que desilusão é:

Ação ou efeito de desiludir.
Ficar sem esperança; deixar de acreditar ou de crer em; descrença. 
Sensação de desapontamento; sentimento de frustração; perda da alegria; deceção.

 

O que dizer quando se colocam expectativas num líder que já provou a sua capacidade no passado, e até integridade e de repente parece levar a sua equipa para o abismo numa decisão baseada em preferências pessoais?

O que dizer de um amigo que esteve sempre lá, com quem partilhámos as maiores tristezas e as maiores alegrias e de repente parece ter tomado uma opção que muda a pessoa que ele/ela é?

 

É doloroso. Até porque a expectativa é normalmente acompanhada de sentimentos (aquilo a que se chama amizade) e da certeza de conhecermos suficientemente o carácter da pessoa para não sermos enganados, quanto mais apanhados de surpresa. E eis senão quando a surpresa nos bate à porta, normalmente acompanhada de um furacão de emoções. E claro, de pessoas chegadas ou respeitadas por nós. Porque há aquela multidão de gente a quem somos indiferentes, façam o que fizerem. Há ainda os que são capazes de nos arrancar um "nunca me enganou", de tão má impressão que nos causaram. Mas aqueles de quem gostamos? Ou de quem queremos gostar? Ou que respeitamos a quem reconhecemos qualidades? Esses são os que nos inflingem maior dor.

 

Talvez por isso Alexander Pope tenha escrito "Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões." Se formos capazes de dar sem receber nada em troca, não nos desiludimos. Se nos lembrarmos sistematicamente que as pessoas (qualquer pessoa) tomam decisões irracionais, não nos desiludimos. Seremos menos humanos se conseguirmos agir assim? Talvez...

Penso que o importante será mesmo não julgarmos pessoas e situações, por muito idênticas que possam ser, por aquilo que já experimentámos no passado. Porque as motivações podem ser diferentes, as causas também. E até ao fim, é importante continuar a acreditar nas pessoas pois nunca se sabe quando nos poderão dar uma grande alegria.

 

 

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