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Cada vez sei menos, ou a lata de Sócrates

por doinconformismo, em 04.01.15

Deve ser do aproximar da velhice. Houve uma altura, ali pela conclusão da licenciatura e já trabalhando há uns anitos, em que vivia cheia de certezas. Por exemplo, tinha a certeza de que se acontecia algo bom na vida de alguém, é porque essa pessoa teria feito algo de bom no passado e vice-versa. Agora tenho a certeza do oposto: as coisas boas e más vêm até à nossa vida de uma forma mais ou menos aleatória ou sem razão aparente, embora o ditado "what goes around comes around" se cumpra na vida de todos.

Também tinha a certeza de que trabalhando muito e atingindo metas importantes iria conseguir conquistar muito, o que é completamente falso. Conquista-se alguma coisa, é certo, mas a meritocracia em cima da qual as democracias modernas foram construídas só funciona até certo ponto (digamos, pequenos e médios gestores). Porque a partir daí nada tem a ver com competência ou capacidade e sim com confiança política ou pagamento de favores. E é assim que se observa o fenómeno de gente completamente incapaz a ocupar lugares críticos na nossa sociedade.

Outro "dogma perdido" que me entristece profundamente é perceber que "O Amor vence tudo" não é uma frase assim tão real, porque nem sempre duas pessoas que se amam conseguem ficar juntas, e nem todas as situações são vencidas pelo amor. Como uma fase terminal de cancro ou o Ébola, por exemplo.

 

Dizia Oscar Wilde: "A alma nasce velha mas rejuvenesce". Hoje começo a perceber o porquê, pois nas primeiras décadas da nossa existência temos palas nos olhos e dogmas na mente. E só depois de vivermos o suficiente, sofrermos o suficiente, viajarmos o suficiente (no mundo e também dentro de nós mesmos) é que a mente e o coração começam a abrir-se, iniciando-se uma jornada tão maravilhosa quanto imprevisível.

Quem nunca saiu da redoma do seu mundo e das suas certezas deveria experimentar. Além de extremamente libertador, pode revelar-nos imenso do mundo e de nós próprios!

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2 comentários

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De :P a 04.01.2015 às 17:17

É verdade! Na juventude cuidava que a evolução era coisa garantida, hoje tenho a convicção que Portugal está exactamente no mesmo patamar de há 50 anos: a mesma paroleira e a mesma pomposidade - apenas mudaram as moscas por mor da natural passagem do tempo, de resto é mesmo cosmética. "Plus ça change, plus c´est la même chose".
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De doinconformismo a 08.01.2015 às 14:27

Caro(a) :P muita coisa mudou.
A evolução nem sempre nos traz agradáveis surpresas, por vezes o que nos traz é desagradável e mesmo até doloroso, sobretudo nos momentos de mudança.
No entanto há que manter a fé na humanidade e não desistirmos!

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