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As formas da espera

por doinconformismo, em 06.05.14

Há decisões difíceis de tomar. Há decisões que só se tomam quando o estado a que se chegou é mais doloroso do que a mudança necessária.

Há momentos em que a decisão correta é tão difícil que lhe impomos um condicionalismo, do tipo:

SE (nada/algo/tudo) acontecer até (data x/momento y) ENTÃO... e depois esperamos.

 

Mas há formas diferentes de espera. Há quem se sente, cruze os braços numa atitude de "já fiz a minha parte, agora não faço mais nada". E portanto o desfecho é mais ou menos fácil de prever. Mas há um grupo de pessoas, que eu admiro e onde me tento incluir, que na espera faz tudo o que está ao seu alcance para que as coisas resultem. Tudo. Lutam até ao fim, com todas as suas forças, dão mais uma oportunidade se for o caso. Até não restar mais força, não restar mais esperança.

 

Está errado fazer de uma forma ou de outra? Tudo depende da nossa consciência. Há quem pense que não deve nada a niguém, e que quando as coisas não lhe correm bem se muda sem mais. Há quem considere ter uma obrigação moral de fazer um "extra mile" que por vezes até se estende mais do que isso. É como estarmos perante um indivíduo moribundo, pode haver quem pense "já fiz tudo o que podia, não te devo nada, morre para aí" ou quem fique moralmente obrigado a dar mais uma dose de epinefria, mais uma manobra de CPR, até abrir o torax para massajar o coração. Ou simplesmente segurar na mão para a pessoa não morrer sozinha. Há quem espere tanto que já cheira a podre. Pessoalmente, e porque ocasionalmente podem acontecer arrependimentos, mais vale dar outra oportunidade do que agir precipitadamente. Como a equipa médica à frente dos familiares de alguém que acabou de falecer, e que com a consicência tranquila pode afirmar que foi feito tudo o que estava ao seu alcance.

 

E quando chegar a data x ou o momento y em que nada/tudo/algo aconteceu, e executamos a decisão já tomada, por muito difícil que seja há uma certeza que ninguém nos tira: não podíamos ter feito mais. E isso permite-nos continuar com a vida tranquilamente.

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