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A vida começa aos 40

por doinconformismo, em 04.01.15

Chamaram-me a atenção há pouco tempo para o facto de esta afirmação ter tomado forma apenas no início do século XX, pois até lá a esperança de vida do povo inglês não passava dos 40 anos (na classe alta, pois na classe trabalhadora não passava mesmo dos 22). Foi apenas na era vitoriana (até 1901) que a esperança de vida cresceu e cresceu enormemente, assim como toda a população na Grã-Bretanha. Depois da Primeira Grande Guerra então nasceu essa frase, pela mão do psicólogo Walter Pitkin, que em 1932 escreveu: "Life begins at forty. This is the revolutionary outcome of our New Era. Today it is half a truth. Tomorrow it will be an axiom." E acertou na mouche. Em 1991 o New York Times já escrevia algo completamente diferente: "All our age benchmarks, which used to seem solid as rocks, have turned into shifting sands. 'Life begins at 40? More like 60'".

A verdade é que a partir dessa altura a expressão significa algo completamente diferente e que já não reflete a realidade física da mortalidade precoce: a partir dos 40 fica-se completamente livre para viver. E não é que é mesmo verdade? Parece que os laços invisíveis do politicamente correto e do "parece bem" desaparecem. Que os cordeis que nos atavam, quais marionetas, um certo dia já nem estão lá.

Não acordamos um dia e plim, estamos diferentes. É um processo, como em muitos outros casos. Vamos notando que temos cada vez menos paciência para hipocrisias e situações de plástico, que nada têm de valor para a nossa vida. Deixamos de estar com quem não interessa e procuramos as companhias certas, que nos fazem bem, que nos fazem sentir bem. E acima de tudo deixamos mesmo de nos preocupar com o que os outros pensam!

E um dia, ao olhar para trás, percebemos que estamos diferentes. Não diferentes nas opiniões ou nos sentimentos. Apenas mudámos para ficar mais iguais a nós próprios, mais verdadeiros, mais livres de subterfúgios e superficialismos. E ao mesmo tempo que vão ficando mais evidentes em nós as marcas da passagem do tempo, vão ficando também mais evidentes as mudanças que eram necessárias fazer. E no fim do dia pouco importa se temos muitas ou poucas rugas, muito ou pouco cabelo, fios de cabelo mais ou menos brancos, mais ou menos desconfortos no corpo. O que interessa no fim do dia é mesmo se realmente fomos fiéis aos nossos princípios e a nós próprios, e se realmente vivemos.

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