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Chegaram-me muitas ideias para escrever nos próximos dias. Mas hoje vou centrar-me no tema que tem feito correr muita tinta nos últimos dias: a morte do ator Robin Williams. Até podia ser pouco importante se foi suicídio, podia ser overdose, podia ser outra coisa qualquer. Até podia ter levado com um camião em cima. O importante é que ele já não está entre nós e a sua inigualável capacidade de fazer rir enquanto refletindo em coisas sérias já não se vai expressar em mais temas.

Podemos especular se a sua extraordinária capacidade cómica advém da intensa necessidade de atenção e amor, revelados desde cedo uma vez que o seu pai estava pouco tempo em casa, a mãe trabalhava deixando-o com as empregadas e adicionalmente começou a ser vítima de bullying. Mas de uma coisa tenho a certeza: um humor acutilante como o seu era decerto acompanhado por um elevado nível de inteligência, em particular de inteligência emocional.

 

Fica demonstrada esta teoria (embora empiricamente) analisando a sua performance em peças mais sérias, como O Bom Rebelde ou O Clube dos Poetas Mortos, que são aliás os meus preferidos. Em qualquer dos papéis, penso que ele tenha trazido muito do que era para a personagem. Tentando ajudar um jovem problemático ao mesmo tempo que luta com os seus fantasmas, porque nenhum de nós é 100% "bom" ou 100% "mau" e todos temas não resolvidos nas nossas vidas, seja porque não sabemos como, não temos coragem para isso ou já não temos oportunidade para isso. Mas se temos ali uma pedra no sapato, o melhor é resolvê-la ou encontrar uma forma de aceitar o tema, pois caso contrário irá estar sempre ali a magoar-nos.

No clube dos Poetas Mortos a magnífica personagem do professor John Keating, que ainda hoje me faz chorar, ensinou-me que é bom ser diferente e que se queremos fazer algo neste mundo, primeiro temos que nos aceitar a nós próprios, e mudar o que foi preciso. E se sabemos que estamos no caminho certo, não devemos nunca ter medo de chocar os que estão à nossa volta. Mas mais importante que isso: temos que ser capazes de enfrentar corajosamente as consequências de defendermos aquilo em que acreditamos.

 

Em tantos outros filmes recebemos outras tantas lições de vida. E se este ator, um "mero" ator, é capaz de pôr a pensar assim, o que não faria a ele próprio? Será que pensou demais? Será que viu demais? Será que deu demais? Nunca saberemos o que o levou a tirar a sua própria vida mas até por isso, até pelo seu cansaço emocional, lhe devemos homenagem. Porque afinal ele deu-nos tanto e houve tão pouca retribuição!

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