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A idade não perdoa

por doinconformismo, em 26.12.14

Vejo muitas vezes pessoas em luta com o envelhecimento dos seus entes queridos. No Natal e outras épocas em que toda a família se reune essa realidade fala tão alto que acaba muitas vezes por magoar. É difícil aceitar que os nossos pais, avós, tios, estão a perder a agilidade de outrora e que não se mexem, não raciocinam, não dialogam com a mesma velocidade e destreza que apresentavam antes.

Claro que nem toda a gente sofre com isso, há quem simplesmente encolha os ombros e responda que é normal, que faz parte da ordem natural da vida. Mas outros, ainda que possam dizer algo de similar, dizem-no para se convencerem a si próprios mais do que outra coisa. Porque lhe custa aceitar essa realidade, porque é algo que a sua mente - e acima de tudo o seu coração - combate vigorosamente.

E porque falo eu nisto? Porque nesta altura do ano invariavelmente este é um tema de conversa. E porque me recordo que passei pelo mesmo com as minhas avós. Com a diferença que durante um tempo era minha opinião convicta de que este definhar, esta redução de faculdades era simplesmente imputada a elas e nada mais. E o que facto de terem 70, 80 ou 90 nada tinha que ver para o caso.

Claro que eu também tinha outra idade. Aquela idade em que pensamos que tudo dura para sempre e que tomamos muitas coisas - e pessoas - por garantidas. Até percebermos realmente como a vida funciona e que o ditado que diz que "a idade não perdoa" é verdadeiro de muitas outras formas além da atrofia dos músculos ou dos ossos.

Por isso, nada de melhor há a fazer senão honrar os nossos idosos (e os menos idosos também), ter muita paciência para com eles e mimá-los da melhor forma que sabemos e dentro das nossas possibilidades. E nunca, mas nunca, abandonar alguém só porque tem idade e já não há paciência para as 50 vezes em que pergunta ou diz a mesma coisa ou para as incontáveis vezes que se levanta para ir à casa de banho, ou outra razão qualquer. Lembremo-nos que a certa altura da nossa vida éramos nós que fazíamos precisamente isso e que sempre houve alguém com paciência para nós.

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