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A decisão fácil ou a decisão certa?

por doinconformismo, em 28.08.14

Sempre tive um sentido de justiça muito forte. Quando criança cheguei a confrontar adultos por atitudes que considerei inadequadas ou injustas no momento. E ainda hoje sou assim, não suporto injustiças e não suporto falsidades e tenho sempre que lidar com isso mesmo quando às vezes não é comigo. Mas quando é, ainda pior.

 

A minha avó paterna, que foi a minha segunda mãe, sempre me repreendeu. "O calado vence tudo" dizia-me ela, vezes sem conta, quando eu começava a refilar por causa de situações com as quais não concordava, muitas vezes ignorando a autoridade de quem tinha tomado a decisão.

Pois bem, para mim, estar calado é a decisão fácil. Deixar andar, fazer de conta que não é nada connosco até porque de facto às vezes não é mesmo, pelo menos diretamente, encolher os ombros, virar as costas, fazer vista grossa... o que se quiser. É confortável. É quase como a Suiça, permanecemos neutros aconteça o que acontecer.

 

A minha natureza impetuosa, justa, com necessidade de colocar ordem no caos, não me permite fazer isso. Intervenho quando posso sempre que observo um certo nível de caos, um certo nível de injustiça. Por isso para mim a decisão certa nunca é "não fazer nada". Isso seria fácil demais. A decisão certa é intervir, resolver, mesmo quando essa intervenção acarreta prejuízos pessoais. E tentar, tentar, e voltar a tentar. Insistir, empurrar. Até resolver. Ou até me cansar. E mesmo depois de cansada, voltar a tentar e tentar mais uma vez. Mas quando o cansaço vence, a decisão certa passa a ser outra: afastar-me. E essa é normalmente uma decisão muito difícil, tomada entre muitas lágrimas e dúvidas e vontade de tentar outra vez. Até que com alguma racionalidade entendo que não vale a pena. 

 

Costumo comparar esta situação com o esforço de uma equipa médica em reanimar um doente cujo coração parou. Tentam tudo e voltam a tentar. Até que percebem que já não dá mais. Não é desistir, é aceitar a realidade. Mas aceitá-la com a certeza de que tudo o que podia ser feito para evitar aquele desfecho, foi feito. O que traz um descanso completamente diferente não só no momento mas principalmente quando os remorsos quiserem atacar.

Por isso, para quem lê estas linhas: não desistam de algo que querem muito e que sabem que está certo sem antes terem feito tudo o que está ao vosso alcance para resolver essa situação, mesmo que esse "tudo" possa prejudicar-vos de alguma forma. Isto aplica-se a um relacionamento, emprego, o que for. E quando tiverem mesmo que se afastar façam-no com a certeza de que não poderiam ter feito mais nada, absolutamente mais nada. Não reduz a tristeza, mas mantém a nossa integridade.

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