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Outro bebé

por doinconformismo, em 08.10.16

Foi concebido no final de 2015. Foi crescendo no início de 2016, ganhando corpo até ao verão. E imagem. Muitas vezes me pus a imaginar como seria fisicamente, qual seria a sensação de pegar nele, o cheiro, se seria bonito. Meses de sofrimento por tamanha espera.

Até que um dia, um telefonema informava que estava pronto. Que entusiasmo!! Finalmente pude pegar nele, observá-lo de todos os ângulos, tocar a capa brilhante e cuja beleza era tremendamente maior do que todas as imagens. E aquele cheirinho a papel! No que me toca nunca deixarei que um ebook tome um lugar de um livro, toda a experiência sensorial faz parte da apreciação de um bom livro!

E agora, chegou a hora do lançamento. Só eu sei o quanto estou orgulhosa do meu bebé. Só eu sei o quão grata estou a um punhado de pessoas que tanto me impulsionaram, começando pelo meu próprio marido que me encheu o juízo até que eu pusesse mãos à obra. Agora, é hora de o partilhar com o mundo inteiro!

Com um desejo ardente que tenham tanto prazer em lê-lo como eu tive em escrevê-lo, aqui fica o anúncio!

 

Cartaz meu livro vermelho poemas-01.jpg

 

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Mudar de vida

por doinconformismo, em 29.09.16

Hoje estive com várias pessoas que mudaram de vida recentemente. Uns mudaram porque quiseram, outros mudaram porque se viram forçados a fazê-lo. Hoje observava cada um tentanto vislumbrar as diferenças até que percebi: quem muda porque quer vive com as consequências das suas próprias decisões; quem muda porque tem que ser vê-se forçado a tomar as melhores decisões possíveis dentro do enquadramento que tem. O que pode ser um contexto de muita pressão além da dor inicial da situação que causou esta mudança.

Mas aquilo que as pessoas apresentam, nos casos em que se veem obrigadas a mudar, é uma resiliência e uma capacidade lutadora invulgar, com que muitos de nós poderíamos aprender. Muitos de nós, que se sentem encurralados, estagnados, mas não encontram a força ou a coragem para encontrar alternativas. Que até sabem por onde começar mas não se sentem à vontade para correr riscos até porque convenhamos, trocar uma vida conhecida e até confortável por algo desconhecido é uma chatice!

E é assim que o conforto vai minando o que deveria ser uma vozinha interior de alerta. Mesmo quando se perde alguma coisa, pensamos em tudo o resto e decidimos que estamos bem assim. Mais alguma coisa se estraga mas o processo repete-se. E mais uma, e mais uma. E nem nos apercebemos mas na prática estamos a lutar pela manutenção de uma situação que já não é mais do que uma recordação. Já acabou. Acabou o amor, ou acabou o dinheiro, ou acabou o gozo, ou a felicidade. E ali continuamos a lutar para permanecer. Permanecer o quê?

Mas um dia, chegamos à porta da rua e percebemos que não se abre mais. Ou pior, ainda estamos do lado de dentro a levar um empurrão (ou pior) para sair e depois de tanto tempo a pensar que devíamos encontrar outro caminho somos mesmo forçados a fazê-lo. E aí sobressaem capacidades por vezes até então desconhecidas, mas percebemos também que o universo se alinhou para nos ajudar e pensamos: estive a perder tempo. Tentar conservar algo que já não existia não foi mais do que uma perda de tempo e energia.

Percebemos (ou relembramos) também, nesta nova vida, que há tanta coisa boa para experimentar e viver que insistir em ficar é tentar colorir um desenho com lindas cores quando só o cinzento está disponível.

Vamos procurar essas cores naquilo que nos faz felizes! Vamos colorir os nossos próprios desenhos, a nossa vida!

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Rentrée

por doinconformismo, em 10.09.16

É assim que se escreve. Nem reentrée nem reentré. Rentrée do verbo francês rentrer, que de facto quer dizer reentrar. Nesta rentrée há muitas novidades, preparadas mal os dias começavam a crescer.

A primeira novidade é esta. Com convidados de luxo no debate da eutanásia, tais como o Dr Jorge Cruz, especialista em bioética e com inumeras publicações e intervenções nesta área. E com personagens bem conhecidas no tempo das crianças, tais como os drs palhaços, que nos vão falar da importância de estarmos JUNTOS. 

A entrada é livre mas somos convidados a levar um donativo para o Banco do Bebé. Porque estamos JUNTOS. Não há como faltar mas é uma grande oportunidade para ir e convidar amigos! 

 

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Darwin estava tão enganado

por doinconformismo, em 26.08.16

Todos nós recordamos com saudade experiências passadas em que fomos realmente felizes. Pessoas, realizações, um sentimento de pertença que nos colocou nos picos do universo e mais além. Algumas destas situações até passaram despercebidas até terminarem e percebermos que éramos realmente felizes, mesmo sem o sabermos.

No entanto a nossa natureza humana não lida bem com mudanças. Especialmente quando o que nos faz felizes nos é retirado e um novo quadro se apresenta, em vez de o explorarmos tentando identificar de que forma pode ser benéfico e até trazer evoluções, queremos de volta as pessoas e situações bem conhecidas e com as quais nos sentíamos à vontade e confortáveis. Lutamos com todas as forças para voltar atrás e depois de muito tentar, passamos à fase seguinte: tentar encaixar a nova realidade nos moldes da antiga, para que assuma o mesmo formato tão nosso conhecido.

Mas, como bem sabemos lá no fundo do nosso pensar, não vai acontecer. A nova realidade traz consigo novos moldes e somos nós que temos que nos reformatar, que nos reinventar sob pena de ficarmos presos no passado. E todos sabemos que esse é meio caminho andado para nos perdermos no nosso próprio caminho. Todos os dias ouvimos pessoas queixarem-se de que "no tempo do X é que era bom, estes agora não sabem de nada" ou "há 3 décadas via pessoas comprometidas, agora ninguém quer saber", esquecendo-se que os tempos são diferentes, as exigências são diferentes e a própria reação humana não pode ser medida exclusivamente da sua manifestação exterior.

Estas pessoas, se não deixarem ir tudo o que já viveram, se não pararem de comparar o que era com o que é agora, arriscam-se a não serem felizes de novo. Simplesmente porque se sentam esperando por tempos que não vão voltar. Felizes são aqueles que apesar da dor da perda, apesar da tristeza, procuram na nova realidade a sua motivação, nos novos moldes a forma de se adaptarem e irem mais além. Felizes os que sabem efetivamente transformar cada contratempo, cada obstáculo, numa oportunidade, numa vitória.

Por isso, caro Dr. Charles Darwin, lamento dizer-lhe que estava errado: não é o mais forte que sobrevive, pois os fortes podem ficar presos no passado. Os que se adaptam mais rapidamente, esses sim, sobrevivem. E até correm o risco de serem felizes novamente!

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Vida de plástico

por doinconformismo, em 22.08.16

Vivemos no tempo do politicamente correto. Os pais de bebés que nascem hoje têm a vida muito mais facilitada pois sabem, à distância de um clique, quais são as fraldas mais eficazes, as pomadas, o que os bebés podem e não podem comer a cada semana, o que podem e não podem experimentar... Os bebés crescem e para cada idade há atividades, brincadeiras, objetivos de aquisição cognitiva desde a mais tenra idade. Está definido o que é suposto saber, fazer e até pensar em cada idade e se alguém se atreve a ser diferente arrisca-se a ser catalogado como necessitando de apoio para a normalização. A mesma coisa quando se anda na faculdade, quando se começa a trabalhar, quando se chega à meia idade...

Vivemos num tempo em que a ASAE persegue os vendedores das bolas de berlim e em que até o algodão doce está em risco por causa do pauzinho. Do pauzinho! Em que não podemos usar colheres de pau porque não são higiénicas, em que não podemos usar utensílios que não sejam devidamente certificados, inócuos. Tal como os comportamentos humanos, esterilizados, certificados, inócuos.

Tudo está tão definido e formatado que é cada vez mais difícil sair da norma sem dar nas vistas. E quando tal acontece rapidamente há alguém que tenta por todos os meios que a norma seja um padrão e sim uma lei. Inviolável. E assim vemos as redes sociais a acenderem-se de raiva quando alguém não cumpre a norma, real ou imposta à viva força. 

Quando alguém educa um filho de uma forma diferente ou com valores diferentes recebe imediatamente olhares de reprovação de quem está à volta. Basta apenas fazer horários diferentes. Basta até fazer horários diferentes no verão. 

E tudo o que as criancinhas comem tem que estar devidamente embalado, certificado, liofilizado... estamos a criar betos incapazes de se desenvencilharem sozinhos de tanta regrazinha e certificaçãozinha necessária. O mesmo se passa com os estudantes, seja qual for o seu grau: existe um código de conduta esperado e quem não se comporta de acordo com o mesmo, por mais aberrante que seja, é imediatamente catalogado como anormal. Daqui à generalização é um pulinho: se uma celebridade decide apoiar uma entidade de resgate de animais fora do país é atacada porque devia fazê-lo aqui, porque devia apoiar pessoas em vez de animais, porque devia preocupar-se com outra coisa. E a seleção portuguesa que teve uma prestação péssima no Europeu apesar de ter conquistado o título. E a comitiva olímpica portuguesa que foi decerto gastar uma pipa de massa à conta do contribuinte para participar em desportos desconhecidos durante três anos e onze meses, mas que decerto tinham que ter tido melhor prestação - mesmo que esta tivesse sido a segunda melhor de sempre.

E enquanto o povo anda de irritação em irritação, continua a esconder os olhos da sua vida de plástico em que o essencial desmoronou e apenas o acessório é embelezado e colocado em evidência. Começo a pensar que viver assim é uma arte, uma arte de plástico mas ainda assim, uma arte. Será que no fim da vida estas pessoas vão ficar felizes com o que fizeram dela e desta arte de plástico que desenvolveram? Pessoalmente, continuo a preferir outros materiais.

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E se fossem as crianças portuguesas?

por doinconformismo, em 18.08.16

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Amanhã

por doinconformismo, em 10.08.16

Amanhã

Amanhã vou chorar

Cobrir-me de ranho e baba

Sair a gritar

Pelas ruas da cidade fazer ouvir meu clamor

 

Amanhã

Amanhã vou ficar

A ver os meus sonhos desfazerem-se

Nuvens fofas sopradas pelo vento

Quieta a olhar

Castelos de areia castigados pelas impetuosas ondas

 

Amanhã

Amanhã vou morrer um pouco mais

Por tudo o que não disse

E o que deixei por fazer

Por abraçar

 

Amanhã

Amanhã farei tudo isso

Mas hoje vou LUTAR!

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Viver como quem ama

por doinconformismo, em 03.08.16

“A master in the art of living draws no sharp distinction between his work and his play; his labor and his leisure; his mind and his body; his education and his recreation. He hardly knows which is which. He simply pursues his vision of excellence through whatever he is doing, and leaves others to determine whether he is working or playing. To himself, he always appears to be doing both." - L. P. Jacks

(Um mestre na arte de viver não traça uma distinção clara entre o seu trabalho e o seu divertimento; o seu labor e o seu lazer; a sua mente e o seu corpo; a sua edução e a sua recreação. Ele dificilmente sabe qual é qual. Ele simplesmente persegue a sua visão de excelência através de tudo o que faz, e deixa aos outros a sua qualificação em trabalho ou divertimento. Para si próprio, ele sempre parece estar a fazer ambos - L.P.Jacks)

Géneros à parte, esta descrição aplica-se-me na perfeição. Sempre explorando outras áreas do conhecimento, sempre desenvolvendo outros projetos que não se aplicam no tradicional eixo vida profissional/vida pessoal, a verdade é que há um universo infinito - e na maior parte das vezes, desconhecido - de onde beber conhecimento, boas experiências, prazer e até felicidade. 

Tenho a sorte de amar o que faço - amo a minha equipa, as restantes pessoas com quem trabalho, o universo de excelência que criámos e nos esforçamos por manter, a perseguição contínua de melhorias que acabou por se tornar parte de nós. Amo a possibilidade recorrente de abordar novas áreas do conhecimento tecnológico ou novas formas de as aplicar. 

Amo, incontestavelmente, a minha família. Temos uma vida familiar intensa, nem todos os dias são formidáveis, mas todas as noites agradeço a Deus pelos filhos que me deu e pelo meu marido, meu sócio, meu "manager", meu-tantas-coisas-que-não-cabem-em-palavras. E pela saúde dos meus pais, que se conservem assim por muitos e bons, que eu com esta idade toda ainda preciso muito deles.

Amo a gestão de projetos e defendo-a com unhas e dentes. Continuo convicta de que a gestão de projetos é a forma mais eficaz de gerir recursos e orçamentos e evitar desperdícios. E desde que provei a real eficácia das metodologias ditas ágeis, não posso deixar de as apregoar, ensinar, demonstrar. Quem sabe do que falo e ainda não experimentou, mas pensa que apenas se aplica ao IT e mal, engana-se. Estas metodologias estão a ser aplicadas com grande sucesso em áreas que vão da construção civil aos projetos sociais. 

Amo várias causas, sociais e não só e acredito profundamente que quem tem algo para dar, deve dar de volta à sociedade. Não só temos a oportunidade de nos sentirmos bem por o fazermos, como nos enriquece e nos ajuda a crescer como pessoas e com as experiências que vivemos e as pessoas que conhecemos ao longo do caminho.

Amo escrever. Sempre escrevi. Acredito que tenho uma mensagem importante para dizer, para quem quiser ouvir/ler. Também gosto de falar em público, pela mesma razão, e não me esquivo de todas as vezes que sou convidada a fazê-lo, seja sobre a temática da Gestão de Projetos ou outras. Amo escrever neste blog, ainda que não tão frequentemento quanto gostava. Amo escrever e ponto final..

Amo também tantas outras coisas que não caberiam aqui mas estas quatro são um bom exemplo de como vivo a minha vida: em cada uma delas, porque as amo, almejo a excelência. E porque o faço, obtenho sucesso. Não deixo um único pormenor ao acaso, seja a necessidade de um telefonema ou uma conversa face a face em vez de um e-mail, a roupa que os meus filhos vão usar no dia seguinte, a mensagem adequada para quem sei que está a passar um mau bocado ou até a pontuação deste parágrafo. Não raras vezes me ponho a trabalhar quando estou em casa à noite, ou me surge uma ideia luminosa para um artigo quando estou a tentar encontrar um novo ângulo para resolução de um problema. Não consigo estabelecer um horário rígido para trabalhar, assim como não o faço para namorar. Não consigo estabelecer fronteiras na minha mente pois o que sou e o que sei está presente em tudo o que faço.

Pois se não amarmos a nossa vida, que sentido é que ela tem? Se não amarmos o que fazemos, que prazer podemos daí retirar? Que qualidade terá o resultado do nosso trabalho? Se não fizermos o que amamos, como podemos ser pessoas inteiras? E se não amarmos os que nos rodeiam, quão infelizes e pobres seremos! 

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Fazer o que ainda não foi feito

por doinconformismo, em 19.07.16

O Abrunhosa que me perdoe. Mas se eu tiver que escolher um lema para a minha vida, não posso escolher diferente. Durante toda a minha vida profissional fiz projetos que nunca ninguém tinha feito (apenas me lembro de um que não sortiu os resultados esperados, que me traumatizou qb ao ponto de eu garantir que nunca iria trabalhar para aquela empresa... apenas para ir lá parar 6 anos depois!) e que eram também irrepetíveis. Introduzi novas metodologias, novas tecnologias, novas abordagens a temas não tão novos...

Olhando para a minha vida pessoal, a mesma coisa se aplica. Claro que fiz coisas que toda a gente faz (curso, casamento, filhos, etc), mas o contexto já não é assim tão corriqueiro. E os resultados, mais uma vez, são irrepetíveis. Ainda antes de conhecer a célebre frase de Albert Einstein "Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes" já claramente percebia (empiricamente, mas os resultados empíricos podem valer ouro por uma vida inteira) que tinha que mudar alguma coisa. Acima de tudo, que não queria mesmo ser como os outros. E à medida que os anos passam, ainda menos quero!

E escrevi um livro. Grande coisa. Qualquer pessoa que queira pode fazê-lo. Mas nem toda a gente olha para cada aspeto destes procurando um ângulo novo, procurando fazer a diferença e abrir um novo caminho para os que vierem a seguir. Não quero com isto gabar-me, nem sequer exibir-me. Quero com isto dizer que o mundo precisa de quem encontre novos caminhos. De quem tenha novas ideias que não "morram" num qualquer jogo de telemóvel de caça aos gambuzinos. Novas ideias para a paz, para a igualdade de oportunidades, para o altruismo.

E é tão fácil encontrar novos caminhos. Basta procurar e estar atento. Questionar a cada dia: será que há outra forma de fazer isto? Será que conseguimos melhorar este resultado? E tentarmos. E voltarmos a tentar. E aprendermos com as falhas. E irmos avançando através dessas falhas para um patamar superior.

Desafio cada um a olhar à sua volta e fazer essas perguntas: Como posso melhorar aqui? O que falta fazer ali? E se experimentássemos uma nova abordagem acoli? Rapidamente, se o fizermos, descobriremos novas oportunidades. Apenas temos que as agarrar. Quem quer, ainda hoje, agora, neste tempo, fazer o que ainda não foi feito?

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Todos somos Éder

por doinconformismo, em 11.07.16

Confesso que não me entusiasmo rapidamente com as competições da seleção portuguesa. Não desde 2004, talvez pelo sofrimento atroz que não me sai da memória.

A qualificação começa e eu vou vendo os resultados, devagarinho, e não abro a boca até ao final da fase de grupos. Ainda me lembro bem do que aconteceu no último Mundial, por isso este ano fui mesmo devagarinho.

Também não adoro o sistema de jogo do Engenheiro Fernando Santos, por isso não fiz questão de ver Portugal jogar, mas desde logo admirei este selecionador pela impecável qualificação. Desde que me lembro, esta foi a primeira vez em que não tivémos que fazer contas!

Na fase de grupos vi todos os jogos. E sofri em silêncio. E observei as reações. As reações de um povo habituado a desprezar o que é nacional, habituado a fazer-se pequenino, a procurar a aprovação dos grandes deste mundo. E à medida que a seleção ia progredindo na competição, também alguns comentários se iam repetindo. O facto de o público não apoiar o único ponta de lança convocado foi um deles. A falta de convicção dos portugueses, de que estávamos ali por acaso e que nem conseguíamos vencer um jogo dentro dos 90 minutos regulamentares. Que nunca conseguiremos vencer uma competição deste gabarito, pois somos pequenos demais.

E lá chegámos à final, na opinião de alguns sem saber como, na opinião dos principais oponentes sem sequer ter o direito de estar ali. Debaixo de acusações de termos um futebol nauseante, de baixo nível, E a nossa estrela, que é o Melhor do Mundo e só por isso tem todo o direito de estar num campeonato de apenas um dos cinco continentes, lesiona-se logo no início. Agora é que estamos perdidos, logo agora que tínhamos a certeza que íamos ganhar. Mas a primeira parte passou-se sem sofrermos golos. Aos 72 minutos, momento em que nas meias finais a França já tinha enfiado duas vezes a bola na baliza da Alemanha, ali estávamos invictos. Apesar da equipa de arbitragem. Final do segundo tempo e nada. Vamos a prolongamento. Última substituição quem é que entra? O Éder? Mas o que é que este homem tem na cabeça? Olha, é golo! É GOLO! É GOOOOOOOOOOOOOLO! Somos campeões! Somos Éder!!

Somos capazes de passar uma noite acordados a fazer a festa, já fazemos peitaça para os franceses, olhamos quase incrédulos para as celebrações com um mar de gente nos cinco continentes. Que importa se a Torre Eiffel não mostra as nossas cores? A França está apenas a descobrir as suas fragilidades. Que interessa hoje alguns jornais dizerem que o futebol praticado foi mau? A azia tem destas coisas.

Hoje estamos unidos, somos um só, cantamos Portugal a uma só voz. Hoje voltamos a demonstrar que somos um povo humilde mas mui nobre, capaz de se sacrificar em favor dos outros, capaz de se adaptar ao meio envolvente e de o modificar. É dessa fibra que somos feitos, fazemos o melhor com o (não tão) pouco que temos e ensinamos as restantes nações. No passado demos novos mundos ao mundo através dos descobrimentos e colonização. Hoje continuamos a fazê-lo com elevada qualidade seja no futebol, no atletismo que tantas alegrias nos deu ontem também, na tecnologia em que até fornecemos componentes para a NASA, em serviços que prestamos para todo o mundo, na investigação científica e tantos outros mundos que hoje compõem o nosso mundo.

Neste retângulo pequenino e suas pequenas ilhas podemos ser 11 milhões mas pelo mundo fora somos muito mais que isso. Impusémos respeito em toda a Europa. Está mais que na hora de sermos os primeiros a respeitar-nos também.

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