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Esperar e ter esperança

por doinconformismo, em 06.11.13

Há alturas em que tudo parece depender de nós. Alturas em que temos que ir à luta e furiosamente decidir o tudo por tudo numa determinada situação. São momentos em que não podemos perder as forças, não podemos olhar para trás, simplesmente vamos e fazemos o que temos a fazer. Certamente teremos que tomar decisões difíceis, que nem sempre irão ser compreendidas pelos que nos rodeiam. Certamente teremos que fazer a coisa certa, que é sempre a mais difícil e certamente seremos tentados a ir por outro caminho...

Há momentos em que parece que estamos a lutar sozinhos, há momentos em que aparecem pessoas vindas sabe-se lá de onde para nos apoiar, animar, e até nos ajudar. Momentos em que nos sentimos os seres mais incompreendidos e sós do universo e momentos em que a solidariedade brota de onde menos esperamos.

 

Mas há alturas em que não adianta lutar. Mais, há alturas em que mesmo que quiséssemos fazer alguma coisa, nem saberíamos por onde começar, nem o que fazer. Ou andamos, andamos, e não saímos do mesmo lugar, atolados no lodo que nós próprios criámos. É nessas alturas que só nos resta esperar. E, para a maior parte de nós, é aí que começam os problemas.

E porquê? Falo por mim, que desde me habituei a decidir sozinha, a ir fosse onde fosse sozinha, a não ter que esperar por alguém. Sei o que tem que ser feito, logo vou fazer. Se não sei, penso e decido e logo mais o faço. Mas, e quando o que tem que acontecer não depende de mim, não depende nem um milímetro das minhas ações? E se eu não consigo sequer influenciar o que se passa no resto do universo? Tenho mesmo que esperar, não é?

 

Esperar não é ficar no mesmo lugar, esperar não é baixar os braços, esperar não é desistir. Não é sequer ir atrás da primeira promessa. É continuar, empurrar, fazer o que está ao nosso alcance enquanto não podemos fazer mais. É aproveitarmos o caminho enquanto não chegamos ao destino. 

Diz o ditado que "quem espera desespera" mas quem for capaz de se manter firme tem coisas boas à chegada ("all good things for those who wait"). Então, vamos esperar, esperar que a mão invisível que comanda o universo abra os caminhos certos para que o que esperamos aconteça. E quanto tempo temos que esperar? 10 minutos ou 10 anos? Não sabemos, mas é sempre o suficiente para desanimarmos pelo caminho e pensarmos voltar para trás.

Começamos a duvidar se a mão invisível não se terá esquecido de nós, voltamos a lembrar-nos dos tempos em que cuidávamos de nós próprios, voltamos (ou pelo menos tentamos voltar) ao mesmo caminho e, eis-nos cobertos de lodo novamente. E lá começamos o processo outra vez. Ou não. Muitas pessoas ficam aqui, desesperançadas, abatidas, apáticas até. Por isso é tão importante manter a esperança, para que possamos continuar a caminhar, continuar a empurrar. Manter a esperança para manter o foco. Manter a esperança para não desfalecer no caminho.

 

E se a nossa porta estiver já ao virar da esquina?

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4 comentários

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De Isaac Bilreiro a 06.11.2013 às 21:33

Excelente Texto...
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De aprendiz-dos-ceus a 17.11.2013 às 01:27

A mão invisível nunca nos abandona.... Simplesmente nada acontece por acaso.... Na minha opinião....
Temos que passar por certas situações, boas e menos boas..... Só assim evoluímos.... Mas é lógico que quando os resultados esperados não dependem de nós, ai desesperamos..... Por vezes comparo como estar a espera do ovo do cú da galinha.... Um pouco assim....
E a esperança é a ultima a morrer.... Por isso, tém fé....

Boa sorte e bom fim de semana....

Gostei muito do que li.... Beijos... ;-)
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De doinconformismo a 17.11.2013 às 20:23

Obrigada Aprendiz. é bom saber que não só eu a pensar assim :) :)

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