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Outra vez as eleições

por doinconformismo, em 29.09.13

Hoje é dia de votar. As eleições autárquicas são diferentes das legislativas, porque de alguma forma o poder local é exatamente o que o nome indica: local. Mais perto de nós. Diariamente tomamos contacto com o que se passa na nossa localidade e as decisões que são tomadas.

E ainda assim, a indecisão é muita. 

 

Conheço pessoas que hoje não vão votar porque não consideram existir um partido, coligação, ou movimento independente digno dos seus votos. Conheço quem vá ou até não vá votar por uma questão de revolta contra a classe política.

E depois há o comum dos mortais, que até lê os programas mas fica sempre na dúvida se eles vão ser cumpridos ou sequer servem para mais alguma coisa do que cumprir as formalidades. E há quem não os leia, porque não quer saber, porque na prática não significam coisa alguma. 

 

Então, como decidimos em consciência em quem votar? É cada vez mais difícil. Tenho para mim que a democracia é mais do que exercer o direito de voto, que se não tivermos uma palavra a dizer na triagem inicial, o grupo de candidatos pode não apresentar a qualidade e as garantias necessárias para o meu voto. E podemos chegar facilmente (cada vez mais facil e rapidamente) a um beco sem saída: o de querermos votar mas não termos em quem. 

 

A partir daqui qualquer caminho é sinuoso: estamos num beco sem saída. Voltamos para trás ou saltamos o muro? Num caso perdemos tempo, no outro podemos sair magoados. Da mesma forma, ir às urnas votar em branco ou votar no candidato "menos mau" não nos garante uma boa viagem, pelo contrário. Pode funcionar ao contrário do desejado e deixar-nos com aquela sensação de frustração crescente em relação ao "sistema". E se é assim nas autárquicas é muito pior nas legislativas e ainda mais nas presidenciais, em que os votos nulos e brancos contam exatamente da mesma forma: nada.

 

Sim, acredito que é tempo de mudar o sistema. Não me parece que tal venha a acontecer tão cedo, especialmente num momento em que tantos falam de perda de direitos, liberdades e garantias conforme preconizado na constituição portuguesa. E portanto, mesmo não concordando com o sistema e mesmo não tendo ilusões sobre o resultado prático do meu voto, vou exercer o meu direito. E continuar a ter esperança no futuro.

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