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Onde penduro a cama de rede

por doinconformismo, em 29.05.16

Uma cama de rede num local só meu, o som do mar a enrolar na areia e alguém especial para amar. É tudo o que preciso.

Só preciso de escolher bem o local onde vou estender a cama de rede, um local onde possa ser mulher sem medo de ser violada (ou estuprada) ou vendida para escrava.

No Brasil há um caso de estupro a cada 11 minutos. Na Índia, só em 2011 foram registados mais de 220 mil casos. Fora os que não se conhecem. Afinal de contas qual é a mulher que quer ouvir que a culpa de ter sido violada é apenas sua? Por ter posto mini-saia e decote, ou por andar na rua àquela hora (seja ela qual for), ou apenas por ser mulher.

Fora o tráfico humano, a quantidade de mulheres indianas que estão a ser vendidas como escravas sexuais para o Estado Islâmico. O horror vivido na Nigéria, desde as meninas raptadas da escola e utilizadas como escravas sexuais ou até as que estão a ser utilizadas como bombas humanas.

A partir de onde o assédio se torna violência? Será que a violência verbal e psicológica está apenas na mente da suposta vítima? É preciso violação para haver crime? Como se prova a violência sem o habitual "são necessárias mais provas"?

São questões a mais quando considero o local onde estender a minha rede. Prefiro esquecer. Esquecer que a violência existe e que não é preciso ir para outro continente nem sequer para outra cidade para a enfrentarmos. Esquecer que na maior parte dos casos a mulher sobre quem é exercida a violência (verbal, física, chegando mesmo à dita violação) é vista como a culpada. Esquecer que também sou mulher. Esquecer que tenho amigas, sobrinhas, que poderei vir a ter netas. Esquecer, esconder, confundir-me com a areia que contemplo...

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