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Onde está Deus?

por doinconformismo, em 29.03.14

Dei comigo esta semana a pensar como será que as pessoas entendem Deus, como será que veem Deus. Se Deus para elas é um velho mal-disposto a olhar cá para baixo com um sentido de humor retorcido ou se é apenas e nada mais do que uma figura de estilo. Claro que haverá de tudo, mas sempre me perturbo quando a malta segue a sua vidinha por anos a fio e não quer saber de Deus para nada e depois de repente há uma tragédia e todas as vozes se levantam questionando Onde está Deus?

 

Boa questão, onde é que Ele está? Nas vestimentas ricas do Vaticano? nos discursos bonitos de líderes políticos ou religiosos? Nas grandes realizações humanas ou no mover das massas?

Quanto mais penso nisso, mas desconcertada fico com as conclusões: Deus está nas pequenas coisas, na simplicidade. Na beleza de uma flor, no esvoaçar de uma borboleta, nos raios de sol matinais, nas grossas pingas de chuva que dão vontade de ficar de boca aberta a beber aquela água. No sorriso do homem da CAIS que todos os dias está naquele semáforo a vender revistas e que quando vê o meu carro a chegar me levanta o polegar direito. E eu respondo da mesma forma, sorriso rasgado, sinal de "fixe" e o dia começa melhor. No abraço e numa mensagem de incentivo de uma pessoa que mal conheço. Num programa de televisão em que o Tiago de Oliveira Cavaco mostra de uma forma tão simples como o casamento se assemelha tanto ao cristianismo (aqui)

 

Mas hoje esta reflexão atingiu o seu ponto alto quando, numas breves horas, vi surgir um imenso movimento de apoio a uma futura mãe recém desempregada. Cada um contribuindo com o que pode, vamos fazer a diferença naquela vida, que bem precisa. E aqui, eu sei, Deus está. Pode não estar em grandes discursos, em grandes espetáculos, ou em grandes sermões mas nisto eu sei que está. Porque, como diz uma pessoa que eu muito admiro "o evangelho vive-se". 

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O cancro e outras coisas que fazem pensar

por doinconformismo, em 21.03.14

Esta semana soube de uma boa amiga que sofre de cancro. Esta noite a mãe de uma amiga recebeu um diagnóstico terrível de cancro. Prevê-se que em breve 1 em 3 pessoas sejam acometidas desta terrível doença. 

Sim, todos temos que morrer, é um facto. Mas saber de crianças com doenças incuráveis arranca sempre um pedaço do meu coração, ainda mais quando mete radio ou quimioterapia à mistura.

 

No próximo domingo, a Portugal Telecom, através da sua Fundação, vai juntar-se à Maratona da Saúde e à RTP na organização da Gala da Maratona da Saúde, garantindo a instalação de um call center e da linha 760 20 60 90 para angariação de donativos. As verbas reunidas serão destinadas à área do Cancro para programas que este ano estão a ser desenvolvidos por investigadores em diferentes instituições de todo o país. Instituições como a Fundação Champalimaud que abriu mais um caminho no tratamento e investigação de doenças que ainda não têm cura integral. Ainda bem que existem.

 

Não estamos piores do que estávamos há séculos atrás, simplesmente as doenças são outras. São os sinais do progresso, quiçá. Mas todas estas coisas levam-me sempre a pensar no quão efémera a nossa vida é e no quanto temos que valorizar o tempo com os outros, os nossos amigos e família, e desvalorizar as pequenas coisas que nos irritam (e às vezes até nos tiram do sério) quando se trata deles. Porque no fim do dia não é isso que interessa.

 

É claro que estas coisas começam a fazer mais sentido aos 40, talvez por isso se diga que a vida começa aos 40. Talvez porque aí, mais tarde ou mais cedo, com maior ou menor acuidade, começamos a tomar consciência que estamos a meio da vida e por isso dê por mim a valorizar mais umas coisas e simplesmente a encolher os ombros a outras. E imagino que seja assim com toda a gente, e quanto mais cedo melhor. Porque todos partimos deste mundo e como não sabemos quando isso vai acontecer, é nosso dever fazer dele um lugar melhor dia a dia, todos os dias. E quanto mais damos de nós mesmos para que isso aconteça, mais vamos ser lembrados mesmo quando já cá não estivermos.

 

Todos os dias me lembro da minha avó paterna que foi minha professora, muitas vezes minha mãe, às vezes minha amiga. De quem herdei a energia contangiante, o gosto pela vida e que tanto, mas tanto, me ensinou. Hoje ensino muitos dos seus dizeres aos meus filhos, e sei que o seu legado irá continuar. Tantos alunos que já depois de homens feitos e com família ainda a homenageavam! Eu não sou professora, oficialmente, mas ensino coisas e gosto de liderar pelo exemplo. É a única forma como sei que a minha vida não está a ser desperdiçada.

 

Da mesma forma, reconheço melhor o investimento que outros fazem na minha vida. E sei distinguir a abordagem desinteressada de quem apenas quer dar, de outro tipo de abordagens. E hoje, mais do que nunca, valorizo as amizades verdadeiras, os amores que estão sempre lá e a quem nem preciso de dizer uma palavra para perceberem que algo não está bem e virem correndo me abraçar. É disto que a vida é feita, é disto que temos que rechear os nossos dias!

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Ai a vida...

por doinconformismo, em 10.03.14

A vida é uma coisa maravilhosa, mas é para ser vivida. Não é algo que se possa emoldurar ou colocar numa gaveta como umas bolachas, que procuramos apenas quando temos fome. A vida é para ser vivida intensamente, devorada, pois quanto mais devoramos mais fome nos dá. E esta é a única forma de quando chegarmos ao fim do caminho e olharmos para trás, percebermos que deixamos um legado, que fomos responsáveis por alguma coisa, em vez de termos ficado à margem e deixarmos o mundo passar à nossa frente.

 

Há momentos em que a vida nos apresenta encruzilhadas com caminhos difíceis de escolher. Como ter a certeza do rumo a tomar? devo escolher a estrada tão direitinha e lisinha e tão bem asfaltada, ou o caminho de terra batida cheio de altos e baixos e buracos onde menos se espera? O que me pode ajudar a tomar a decisão? E depois de tomar a decisão, como posso determinadamente viver com as consequências, com os aspetos menos agradáveis do caminho?

 

Em boa verdade, ninguém sabe o suficiente para tomar uma decisão com 100% de certeza. Fazemos o melhor que podemos e seguimos pelo caminho que nos parece o mais adequado. Em certas alturas, tudo corre de feição, andamos depressa e às vezes parece que até voamos. Outras, surgem obstáculos pela frente e temos que arranjar forças para os ultrapassar. Mas nem sempre corre tudo bem ou tudo mal, por vezes parece simplesmente que nada acontece. Não só isso como cada passo se torna pesado, difícil, e nos deixa sem forças e esgotados. 

Por estas e outras razões há quem prefira não decidir, deixando a vida decidir por si.

Se há quem, determinado a tomar as rédeas da sua vida, segue a passos largos para o abismo por sucessivas más decisões também há quem, relutantemente ou até rejeitando qualquer responsabilidade, prefere deitar as culpas no acaso e assim vai vivendo, atirado de um lado para o outro conforme o vento ou a maré.

 

Isto é vida? Com certeza que a minha opinião sobre o que é a vida e sobre o que ela não é não é a visão suprema, é apenas uma opinião. Mas questiono de novo: isto é vida? Será que passados anos e anos, décadas, olhando para trás estas pessoas podem dizer efetivamente que viveram? Ou foram apenas apreciando (ou não) quadros na parede que alguém pintou por si? 

Podemos efetivamente viver sem tomar decisões, sem tomar um caminho, sem experimentar? Ou não passaremos de sujeitos passivos se assim for? Falo apenas por mim: na minha vida (e na dos que estão à minha volta) quero ser um sujeito o mais ativo possível!

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Conhecer alguém

por doinconformismo, em 09.03.14

Como é possível que se ouça de vez em quando alguém dizer que ao fim de tantos anos pensava que conhecia uma certa pessoa mas não a conhecia de todo?

Quando podemos ter a certeza que conhecemos alguém, além daquilo que é patente à primeira vista?

 

A verdade é que todos nós, mesmo os mais transparentes, mesmo que queiramos fazer-nos conhecidos, não temos a possibilidade de passar tudo o que somos para todos verem. Por isso acabamos por nos ir conhecendo uns aos outros em camadas, e para isso a chave é o relacionamento.

Podemos ler muito acerca de alguém, que isso não nos dá conhecimento completo da pessoa. Podemos ler o que essa pessoa escreve, que pode já se aproximar mais do seu íntimo. Mas para realmente conhecermos alguém temos que experimentar a sua presença, estarmos juntos em diversas situações, e em particular em situações adversas. É nos momentos difíceis que ficamos a conhecer-nos melhor a nós próprios e aos que estão connosco.

 

Quando começamos a agir em nome de alguém é bom que o conheçamos mais do que superficialmente, mais do que um nome apenas. E isto aplica-se a tudo, sejam pequenas decisões de âmbito familiar, delegação de trabalho ao nível profissional ou até quando a Igreja se move em nome de Deus. Porque quando não conhecemos bem a pessoa em nome de quem agimos, as suas expetativas, motivações e objetivos, e até a forma como essa pessoa quer ser conhecida, vai dar mau resultado. Se o meu marido quer um novo gadget mas em vez disso eu vendo todos os que temos em casa para podermos fazer uma viagem, não vai correr bem para o meu lado (sim, parece um exemplo disparatado, mas apenas parece). Se o meu chefe ou patrão querem resultados financeiros impecáveis mas eu invisto todo o orçamento em iniciativas que só dão resultado a longo prazo, não me vai correr bem. E que dizer da santa inquisição, das cruzadas e de outras iniciativas que tornam claro que de Deus nada havia a não ser um nome usado em vão?

 

E não é assim também nas amizades? Mesmo aquelas pessoas que nos cativam à primeira vista não devem ser conhecidas pelo que são? Como conhecê-las senão observá-las e investir tempo na sua presença?

 

Por outro lado, quando é que deixamos de conhecer uma pessoa? Observo muitas pessoas que vivem anos e anos lado a lado e não se conhecem, não conversam, não investem. Se calhar quando tiveram filhos habituaram-se ao trabalho e aos filhos e agora que estão sozinhos existe um vazio que já não sabem preencher. Ou se calhar têm outras coisas na cabeça, mas qual o objetivo de estarmos com alguém senão desfrutar da sua presença?

No dia em que deixo de investir num relacionamento, nesse dia fico a conhecer a pessoa um bocadinho menos. Se passarem muitos dias passa a ser como canta o Rui Veloso "e tu vinhas e falavas/falavas e eu não ouvia/e depois já nem falavas/e eu já mal te conhecia". Não vamos deixar que isso aconteça connosco, vamos investir tempo com os nossos amados e amigos hoje!

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