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Rodeados de mediocridade

por doinconformismo, em 21.10.13

Não tenho escrito muito aqui, pois não. Ando a fazer uma coisa chamada, ai como é que é o nome... trabalhar. Pois. Trabalhar. Além de fazer as horas que forem precisas para garantir que os projetos do meu empregador correm bem, ainda faço trabalho voluntário em mais duas instituições, por isso não tenho muito tempo para certas coisas.

 

Não tenho tempo por exemplo para aquilo que parece ser especialidade de uma quantidade maior do que eu esperaria de portugueses: mandar bitaites não acompanhados devidamente de ações construtivas. Parecendo que não, isto pode ser um problema, porque toda a gente que conheço manda bitaites (eu acho que, nós consideramos que, parece-me que...) e toda a gente que conheço, eu incluída, gosta de mandar bitaites. Só que enquanto uns mandam as suas opiniões e depois vão atrás e fazem alguma coisa, constroem e partilham, outros ficam-se pelas palavras. E palavras, como todos sabem, leva-as o vento. 

 

Não é com palavras (ou sequer com ideias não concretizadas) que se aumentam as exportações, nem com palavras que se garante o crescimento da economia. Não são meras palavras que fazem as coisas acontecer, porque é necessário que estejam lá pessoas que se esforçam, que trabalham, que dão o seu melhor no dia a dia para que algo nasça (estejamos a falar de um projeto, de uma iniciativa, de uma empresa ou de qualquer outro exemplo). Palavras são bonitas e têm o seu lugar, mas é necessário algo mais para fazer o mundo avançar.

 

E é aqui que nós, tugas, falhamos. Porque se somos os primeiros nos bitaites já nos encolhemos quando é preciso fazer mais qualquer coisa. E trabalhar a sério, empenhar-se por uma causa, então, é só para alguns. Será só um problema deste país à beira-mar plantado? Claro que não, mas este é o meu país e a minha preocupação está aqui. Temos pessoas muito válidas, mas a sua contribuição apenas será igualmente válida quando passar do papel para atos construtivos.

 

E depois há o oposto radical: pessoas que têm coisas a mais nas mãos, que chegam ao final de cada dia esgotadas e ainda com uma pilha de coisas por fazer, dia após dia. E que vão esgotando não só a si mesmas mas também prazos, recursos e outras pessoas que com elas trabalham (sim, não há que enganar, não se consegue trabalhar com uma pessoa assim para sempre).

Será caso para dizer que se uns são atrasos de vida outros são avanços de morte? Na minha perspetiva, ambos são atrasos. Ambos trazem obstáculos, ambos contribuem para uma mediocridade que já começa a cheirar mal, de tão podre que está. E não vai sendo já tempo de acabar com ela?

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O medo

por doinconformismo, em 12.10.13

(Ando a escrever e re-escrever este post há uma semana, tem-me feito refletir e tem-me dado luta!)

 

O medo é, quanto a mim, o maior inimigo da humanidade.

Na infância há o medo de ficar sem os pais, medo do escuro, medo dos monstros que estão no armário. A adolescência traz medos muito mais perigosos: medo de não sermos aceites, medo de sermos gozados, medo de não sermos normais (como se isso existisse!)

Chegamos à idade adulta e muitos mais medos nos assaltam: medo de não termos meios de subsistência, medo de falhar, medo de tanta coisa!

 

O medo tolda o raciocínio, coloca-nos num colete de forças ou numa moldura que não foi feita para as nossas dimensões. Há quem passe a vida inteira sem andar de avião com medo de cair, há quem não faça A com medo de que aconteça B, há quem cumpra estranhos e longos rituais diários com medo de que a vida lhe corra mal se assim não for. Conheço quem, com medo do que possa acontecer no futuro, se desdobre em múltiplas intervenções (em alguns casos demonstrando que estar quieto seria melhor opção), e quem não faça agora para não ser repreendido mais tarde.

 

É verdade que o que vai acontecer no futuro é em boa parte resultado das nossas ações (ou não ações no presente), mas uma coisa é sabermos isso e tentarmos tomar boas decisões, outra completamente diferente é levarmos ao extremo a preocupação e tentativa de controlo de coisas que são maiores que nós e cujo controlo não está e nunca estará nas nossas mãos, mas sim nas mãos invisíveis que mantêm o universo a funcionar.

 

Ontem ao ver o filme "Depois da Terra" vi o Will Smith dizer que o perigo existe e não é ilusório mas o medo só existe quando as pessoas estão demasiado preocupadas com o futuro em vez de viverem o presente. E é mesmo assim. Hoje em dia corremos pelos nossos dias com a cabeça virada para o futuro. Não paramos para saborear as coisas boas da vida, não paramos sequer para usufruir do maravilhoso país que temos, a luz do sol e tantas outras coisas. Porquê? Porque temos que ter, temos que chegar, temos que mostrar para logo a seguir ter mais, chegar mais, mostrar mais.

 

O medo estraga-nos as vidas. Por isso, em vez de tentarmos controlar o que não está na nossa mão, que tal escolhermos hoje não ter medo?

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Mudar o mundo #2

por doinconformismo, em 03.10.13

Há muitos turistas à volta do meu local de trabalho. Quando vejo alguém atrapalhado com um mapa à frente não perco a oportunidade de orientar, ajudar e até dar sugestões e, claro, sorrir :) Os lisboetas são fechados, mais fechados que os portugueses de outros pontos do país, e é preciso mudar esta perceção!

 

Há muitos sem-abrigo e outras pessoas a viver misérias semelhantes. Muitas vezes abordam-me na rua com algum tipo de solicitação, e nem sempre tem a ver com dinheiro, às vezes é mesmo só uma necessidade de atenção.

 

Ajudar exige tempo. Como ouvir. Às vezes tudo o que as pessoas precisam é que as ouçam, sem sugestões, sem conselhos, simplesmente estar ali com a atenção toda focada no que nos estão a dizer. E às vezes tudo o que temos são 10 minutos, tempo para um cafézinho rápido. E damos o nosso tempo sabendo que o dia dessa pessoa melhora a partir daí.

 

Mas ouvir faz-nos pensar e não raras vezes me acontece chegar ao fim do dia pesada, dobrada até com a carga do que ouvi durante o dia. Pior, às vezes o que ouço (e muitas vezes o que não ouço mas infiro do que vejo) é tão mau que fico desesperada por não poder fazer mais, por não ter mais para dar, por não conseguir chegar a todo o lado... mas há uma coisa que aprendi ao longo deste tempo, que um senhor que admiro para lá do fim do mundo me ensinou: uma pessoa sozinha não pode mudar o mundo inteiro, mas pode mudar o mundo à sua volta. E amanhã nasce um novo dia com novas oportunidades para continuarmos essa mudança!

 

Há uns dias veio uma moça a correr atrás de mim pedindo que lhe indicasse o melhor caminho para o metro.

Ontem ofereci um cafézinho e 5 minutos de conversa depois de almoço a um sem-abrigo que dizia que era Jesus e que "Jesus gosta de um cafézinho". No fim dei-lhe um beijinho e fui trabalhar.

Hoje dei 2€ e 5 minutos de pura atenção a uma velhota de 93 anos com uma reforma miserável e sozinha no mundo. Mudei-lhes a vida para sempre? Não. Mas certamente deixei-os mais felizes.

 

Hoje vou entregar um saco de roupa do meu filho, entre outras coisas, a uma mãe sem condições para ter um enxoval decente. Ontem andei a recolher esferográficas, lápis e outras coisas na minha casa para mandar para quem precisa mais do que eu. Vão fazer-me falta? talvez, numa escala de 0 a 10 me façam uma falta de nível 2. Mas quem vai usar precisa num nível 8 ou 9, por isso está tudo certo. 

 

Estes são apenas exemplos e não uma forma de me vangloriar ou de me "mostrar". Exemplos acerca dos quais me questiono: "É com isto que mudo o mundo para sempre?" Não. Mas é sem dúvida com este tipo de ações que torno o mundo à minha volta um lugar melhor.

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