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E assim começa

por doinconformismo, em 27.08.17

Prometi e cumpro o prometido: Deixo aqui uma breve transcrição do começo do meu novo livro, da introdução, que vos mostrará do que se trata e qual o tom em que discute o que é ser Mulher.

 

This is a man's world. Nunca como nestes últimos cem anos assistimos a tamanha aceleração nas descobertas científicas, nunca como agora nos consideramos evoluídos (especialmente nos países ocidentais). Tecnologia, medicina, ciência quãntica, espacial, apenas para nomear algumas áreas, estão a desenvolver-se a tal velocidade que todos os dias são anunciadas novas descobertas ou invenções, novas possibilidades no tratamento de doenças como o cancro ou a doença de Alzheimer. Nunca como agora sabemos tanto sobre o universo (apenas para descobrir que sabemos tão pouco) e sobre o ambiente que nos rodeia. E ainda assim, no que toca ao mundo das mulheres, ainda há tanto para descobrir e inventar. Poucos avanços há desde o direito ao voto o que, recorde-se, nem nas sociedades ocidentalizadas perfaz sequer um século!  É certo que na viragem do milénio muita coisa começou a mudar no acesso a lugares de topo nos governos, empresas, investigação, desporto e outras áreas. Todavia as assimetrias mantêm-se, de tal maneira que Barack Obama, enquanto presidente da maior potência mundial, escreveu por ocasião do seu 55º aniversário:" Duzentos e quarenta anos após a fundação da nossa nação, e quase um século depois das mulheres finalmente terem ganho o direito ao voto, pela primeira vez, uma mulher (referindo-se a Hillary Clinton) foi nomeada candidata a presidente por um partido polí­tico. Quaisquer que sejam as nossas opiniões polí­ticas, este é um momento histórico para a América. E é apenas mais um exemplo do quão longe chegaram as mulheres na sua longa jornada pela equidade". E termina: "Este é o tema do feminismo do século vinte e um: a ideia de que quando todos somos iguais, todos somos mais livres".

 

Qual a vossa opinião?

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Do Deserto

por doinconformismo, em 13.08.17

Só deserto

apenas este imenso, impiedoso areal

mudando regularmente a sua forma

 

Só deserto

e o sol escaldante que suscita e entoa

os meus próprios pensamentos

como cantigas de embalar

e me diz "vá, deita-te aqui, sem esperança de acordar"

 

Só deserto

e o inverno desta noite em que até

os pontos de referência se secam e murcham

são nada mais que sombras da sua imagem

apenas a Estrela da Manhã brilha, silenciosamente longínqua.

 

Um oásis!

Corro para lá com as forças que me restam

e por breves momentos me refresco

mas não posso aqui ficar.

 

Quem me ajuda a descobrir o oásis que há em mim?

Quem me livra do sol escaldante e da noite invernosa?

estou cansada, cansada...

 

Uma tempestade ao longe, onde haverá abrigo?

Ouço chamar, corro para lá e descubro

um povo com as mesmas marcas que eu, esperando a tempestade passar

 

Salmo 31:7 "eu me alegrarei e regozijarei no Teu amor, pois tens visto minha aflição; tens conhecido minhas angústias"

 

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Já estamos em 2017?

por doinconformismo, em 02.01.17

Pior, já estamos no final do segundo dia.

Apressem-se os que ainda não fizeram o seu balanço ou que ainda não puseram em prática as suas novas resoluções. Daqui a nada a primeira semana vai acabar e, não tarda bada, o primeiro mês. Estou a exagerar? talvez não. No meio da agitação diária, em que estamos doentiamente cada vez mais ocupados, reparei que 2016 passou incrivelmente mais depressa que 2015. No campo da perceção, claro, pois 24 horas continuam a ser 24 horas.

Mas como fazer um balanço em condições se nem me lembro do mês passado, quanto mais do início do ano? na linguagem anglosaxónica, isso resolve-se com um journal. Um diário, ainda que não escrito diariamente, pode ser o auxiliar de memória correto para esta coisa que todos nós gostamos de fazer no final do ano: balanços. Desculpe-nos a contabilidade a linguagem abusiva.

E depois do balanço e de percebermos o que queremos mudar, o que fazemos? Resoluções de ano novo. Não todos nós (já expliquei aqui e aqui que as minhas resoluções são tomadas no início do ano letivo e porquê.) Mas quantas delas conseguimos colocar em prática? E dessas, quantas se mantêm para lá do primeiro mês?

Mais uma vez, os anglosaxónicos mostram-nos o que nos falta: planear. E planear com medidas suficientes para percebermos se estamos a chegar a algum lado ou não. Por exemplo, se quero perder peso, a minha resolução de ano novo pode não ser comer menos mas pesar menos. Quão menos? Se daqui a um ano pesar menos 1kg vou ficar satisfeita? ou 1kg por mês? isso é planear com objetivos mensuráveis, que a cada mês me permitem dizer se estou a trabalhar para os atingir ou não.

Então, um conselho para as vossas resoluções: ponham-lhes números à frente, números que façam sentido e que ajudem a perceber para onde queremos ir.

Mas como dizia lá atrás, eu não tomo resoluções nesta altura, o que não quer dizer que não reflita sobre o ano a terminar e, acima de tudo, tente perceber do que é que o ano vai ser feito. Continuando a lista que fiz aqui, se 2015 foi um ano de disciplina da minha vontade e 2016 foi um ano de paciência, de aprender a esperar pelos outros, 2017 parece vir a ser um ano de provisão, de sonhos concretizados para além dos melhores sonhos. Porque afinal de contas:

allgood.jpg

 

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um Deus pequenino

por doinconformismo, em 26.12.16

Pequenino. Sempre imaginamos que o Senhor de todo o Universo se mostra em todo o seu esplendor, cheio de truques e de poder e de uma tirania sem fim. Pelo menos é que os filmes de ficção científica nos fazem crer e cada um que estreia nos mostra um senhor ainda mais cruel, ainda mais controlador, ainda mais déspota. E poderoso.

Talvez por isso seja tão difícil acreditar que Deus existe. Nenhuma entidade assim tão poderosa, conhecedora, gloriosa, iria abdicar do seu majestático esplendor e escolher apresentar-se numa forma diminuída, menor, necessitada até. Esta ideia causa estranheza até a quem supostamente está familiarizado com ela. O que se passará na cabeça deste ser? É um autêntico enigma.

Ou talvez não. Se prestarmos um pouco de atenção ao que está escrito na bíblia, bem como aos relatos históricos, vemos que Deus assume formas "menores" e às vezes até estranhas ao longo de toda a história de maneira a poder ser um pouco melhor apreendido pela nossa limitadíssima mente humana. Não seria portanto de estranhar pensar que quando o próprio Deus decide enviar o seu próprio filho à humanidade o faça de uma forma que garanta que o mesmo é recebido: um bebé. Haverá algo debaixo deste céu que inspire mais ternura, mais vontade de dar amor do que um bebé?

Há quem pense que este bebé era especial, mais elevado. Talvez não chorasse durante a noite, talvez não sujasse tantas fraldas. Não sei como foi, mas ainda assim discordo. Julgo que Jesus terá sido um bebé como os outros e certamente um menino vivaço.

O que ainda hoje me confunde é o facto de todo o seu percurso ser humilde. Veio a este mundo para perder. Nasceu rodeado do mau-cheiro dos animais da estrebaria, foi filho de um carpinteiro e exerceu também este ofício, pelo que teria certamente as mãos calejadas e marcadas, mais que uma vez constatou o facto de não ter sequer um local onde repousar a cabeça e finalmente foi rejeitado pelos que antes o procuravam para serem curados, batido, cuspido, humilhado. E morto. Mas desde sempre Ele soube que era esse o plano, que era necessário perder para ganhar. E ganhou. Sem dúvida que ganhou e, melhor ainda, nós ganhámos com Ele, sem termos que fazer nada.

Talvez me confunda porque tantos dizem atuar em Seu nome e esperam nada menos do que moordomias, subserviência, quando nem sequer exibem mãos calejadas do ofício. Mas há quem siga outro caminho, o caminho de se dar por amor a cada dia. Um caminho que não procura títulos nem troféus mas visa uma transformação diária do próprio e do que o rodeia. Vamos seguir este caminho?

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Não te escrevo um poema

por doinconformismo, em 14.12.16

Não te escrevo um poema

Não precisas, na verdade

conheço o teu coração

sei quem és na intimidade

 

Não te escrevo um poema

Pois poema já tu és

Poesia de amor ardente

o mundo inteiro aos teus pés

 

Não te escrevo um poema

nada pode embelezar

mais do que o que tu já escreves

cada dia, por amar

 

Não te escrevo um poema

e sem mais explicação

entrego-te a minha amizade

num embrulho de praticidade

para o teres sempre à mão!

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A Aglow, o Web Summit e ser uma provedora da Mulher

por doinconformismo, em 03.12.16

Já passou basicamente um mês desde que tive a oportunidade de estar na Conferência da Aglow em Portugal e, logo de seguida, no Web Summit.

Na primeira conferência, alegremente conheci mulheres que se encheram de coragem para assumir a sua parte neste mundo como pessoas de esperança e de fé, falando por aqueles que não têm voz, vivendo a sua feminalidade juntamente com a função para a qual acreditam que existem. Há tantas mulheres e homens no mundo que ainda não assumiram quem realmente são, que ainda não decidiram viver para honrar o seu propósito neste mundo!

Mas ali estavam, aquelas mulheres imensamente corajosas falando de como é serem elas próprias. Impressionante! Fui tão abençoada por ser desafiada por cada uma daquelas mulheres, especialmente pela Sara Catarino, a presidente da Aglow em Portugal e uma verdadeira inspiração para muitas mulheres, que fui para casa entendendo que certamente haveria algo mais que eu devia estar a fazer. Especialmente porque fui nomeada Provedora da Mulher no final do ano passado e estou a levar o caso muito a sério.

E depois, o Web Summit. Muito já foi dito acerca desta conferência mas eu provavelmente passei por estes dias com outra perspetiva. A verdade é que eu fui lá para conhecer pessoas. E conheci, imensas. E percebi que mesmo havendo bastantes mulheres em tecnologia, havia muito poucas mulheres de tecnologia.E isso fez-me realmente pensar. Portanto quando a Sarah Williams nos perguntou o que iríamos fazer acerca das mulheres na tecnologia, tive a ideia de montar uma talk explicando o que as mulheres podem trazer ao DevOps e Lean Development, esperando que tal ajude a trazer mais mulheres para a tecnologia e para funções tecnológicas.

Ainda estava eu a arrumar todas as peças do puzzle quando fui a um evento de DevOps com o Donovan Brown na semana passada e perguntei-lhe quais as principais razões pelas quais ele pensava que havia tão poucas mulheres na indústria tecnológica, especialmente líderes. E chegámos à conclusão de que há tão poucas mulheres programadoras que é natural que não haja mulheres nos níveis acima, como Scrum Masters.

Então este é o tempo. Espero ter os materiais prontos no final de janeiro, e conto com o vosso apoio!

Adoraria ouvir as vossas opiniões, sugestões, perguntas. Sintam-se livres para comentar estas ideias!

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Aglow, Web Summit and being an advocate for women

por doinconformismo, em 03.12.16

(this post deliberately written in english, can be found in portuguese here )

 

It has been roughly a month since I had the opportunity to be in Aglow International (Portugal) Conference, followed right after by Web Summit 2016.

In the first conference I gladly met women who braved up to assume their part in this world as people of hope and faith, speaking for those who have no voice, living their feminality along with the function they believe they exist for. There are so many women and men in the word who haven't yet assumed who they really are, who haven't yet decided to live up to honor their purpose for being in this world.

But there they were, those immensely brave women, speaking of how it was like to be themselves. Awesome! I was so blessed to be challenged by each one of them, especially Sara Catarino, Aglow Portugal president and a true inspiration for many women, that I went home considering that there was certainly something else that I should be doing. Especially because I was named Women Advocate last year and I am really taking that seriously.

And then there was Web Summit. Much has been said about this conference but I probably went through those days on a different perspective. The truth is I really went there to meet people. Which I did. Loads of people. And I understood that even having many women in tech, there were very few women of tech. And that really made me wonder. So when Sarah Williams asked us what would we be doing about women in tech, I came up with the ideia of putting up a talk explaining what women can bring to DevOps and Lean Development, hoping that this will help bring more women into tech and tech functions.

I still was putting it all together when I went to a DevOps event with Donovan Brown last week and I asked him his thoughts about the main reasons why there are so few women in the tech industry, especially leaders. We came to the conclusion that there are so few women coding that one can only expect not to meet much women in the next levels, like scrum masters.

So this is the time. I hope to have the materials ready by the end of january, and I'm counting on your support!

I'd love to hear your opinions, suggestions, questions. Please feel free to comment on these ideas!

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Ao Zé Rebelo

por doinconformismo, em 27.11.16

Zé,

duas letras apenas

e com um valor incalculável

 

Tu és o companheiro

por excelência

que a Cristina poderia desejar

 

De surpresa em surpresa

Tu a vais incentivando

E mimando

E tu também vais crescendo

 

Como é lindo ver

Uma família assim edificada

Onde a paixão não falta

Ou não fosse ela vermelha

 

Filomena Cristo, 26/11/2016

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Muito mais que projetos

por doinconformismo, em 04.11.16

Nestes últimos meses tenho escrito poemas e textos, reflexões. Tenho colaborado com o incOmum e a fantástica equipa que o constitui na realização de diversas tertúlias, tendo tido a oportunidade de conhecer imensas pessoas interessantes e aprender muito sobre diversos temas, desde as mais diversas artes até África.

Tenho-me esfalfado a trabalhar, com um conjunto de pessoas fantásticas, para o Encontro Cristão, nomeadamente para o debate sobre eutanásia que tem recebido as mais diversas críticas positivas e incentivos para próximos debates. E já estamos a preparar o evento de fevereiro! Com o já habitual apoio a instituições sociais relevantes.

Continuo a escrever, lancei um livro de poemas e não só e tenho recebido toneladas de manifestações de carinho ainda antes do lançamento mas principalmente nestas últimas semanas, em que tenho visto também portas a abrirem-se como nunca pensei. Até fora de Portugal. Um obrigado especial à Chiado Editora!

E claro, sou mãe, mulher, dona de casa, profissional que nunca vira as costas ao trabalho. Dona de duas gatas que ainda se está a refazer de um susto de morte que apanhou com uma delas. Filha. Amiga que faz tudo o que pode para se fazer presente nos momentos cruciais da vida dos seus amigos.

O que é que tudo isto tem em comum? A loucura de passar noites sem dormir? a adrenalina de procurar novas experiências? Nada se compara à satisfação de dar de volta à sociedade. Quem tem algo de valioso, tem a responsabilidade de o repartir, de ajudar outros a atingi-lo também, de partilhar dicas e experiências. É o mínimo que podemos fazer pelos que estão à nossa volta. Não é uma opção, é uma obrigação.

E agora, a cereja no topo do bolo: nos próximos dias vou ter oportunidade de estar presente em dois acontecimentos bastante diferentes mas que têm em comum o facto de poder ouvir o que pessoas muito relevantes na sociedade atual pensam sobre a mesma e como podemos mudar o mundo.

Em primeiro lugar, a conferência anual da Aglow, já este sábado. E logo a seguir, o Web Summit. Sou ou não uma sortuda? Muito mais que projetos, fama, dinheiro ou horas de trabalho, a grande riqueza de todas estas atividades são pessoas. As pessoas que conhecemos, com quem aprendemos, em quem reconhecemos diferenças em relação a nós, a quem podemos também ensinar algo, são realmente a nossa riqueza e o melhor que levamos desta vida!

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À espera de um milagre

por doinconformismo, em 28.10.16

Era uma vez uma jóia

com muito pêlo

e vontade de morder

 

Perdida,

mal sabia quem era

à nossa porta veio ter

 

Minha jóia inglesa

de jade são os seus olhos

pose de princesa

 

Sempre no meu colo

É ela quem manda

Não conhece desconsolo

 

Mas um dia não veio mais

será que está zangada?

deprimida? Amargurada?

 

Ou então é da comida

bem a podemos mudar

mas continua a definhar

 

Vamos ver o que se passa

uma questão de mau sangue!

pouco se pode fazer

 

E a partir deste momento

um verdadeiro milagre

é tudo o que podemos querer

 

A minha jóia inglesa

antes com olhos de jade

inspira agora piedade

 

Aquela pose de princesa

lá para trás ficou

mas ainda sabe quem sou

 

Pode a história terminar aqui?

cinco anos de mimo e nada mais?

e as boas recordações

 

Não desisto até saber

como é que a história termina

é o Autor da vida que a determina!

 

Será que os olhos nublados

serão de novo de jade?

esperamos um milagre!

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